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Paul Auster, Invisível, Edições Asa, Alfragide, 2009, p. 68
Em tempo de Natal, este poema muito bonito de Regina Guimarães, bem evocativo do período (ou da noite).
Para fazer uma canção de Natal
É preciso açúcar e pau de canela,
Leite, aletria, pão seco e uvas passas
E misturar tudo bem à luz da vela.
Uns flocos de neve para o refrão
Um grande pinheiro a brilhar no meio
Uma galinha a pôr ovos dourados
Farofa na voz para o recheio.
Casca de limão para o nariz
E vinho do porto para a garganta
Música dos copos e dos talheres
O silêncio de uma toalha branca.
Regina Guimarães
Poema do mês na biblio. da FLUP.
Continuando com o direito na literatura:
“- Sente-se. Agora vai ouvir o senhor escrivão a ler a acusação. (…)
O jovem advogado de defesa, advogado oficioso, dissera-lhe que podia estar certo da absolvição, porque matara a mulher, cujo adultério tinha sido provado.
Na feliz inconsciência dos animais, não sentia sequer a sombra do remorso. E ter de responder por aquilo que tinha feito, isto é, por uma coisa que não dizia respeito a mais ninguém senão a ele, era o que não compreendia. Aceitava a acção da justiça como uma fatalidade inevitável.
Havia na vida a justiça, como no campo os maus anos.
E a justiça, com todo aquele aparato solene de cadeirões majestosos, de barretes, de togas e de penachos, era para Tarará a mesma coisa que o grande moinho novo a vapor, inaugurado com grandes festejos no ano anterior. Visitando-o com muitos outros curiosos, ao ver aquela engrenagem de rodas, aquele maquinaria endemoninhada de êmbolos e de roldanas, Tarará sentira surgir dentro dele, e crescer pouco a pouco, juntamente com o pasmo, a desconfiança. Cada qual iria levar o seu trigo àquele moinho; mas quem garantia aos clientes que a farinha era mesmo a do trigo entregue? Era necessário que cada qual fechasse os olhos e aceitasse com resignação a farinha que lhe dessem.
Assim agora, com a mesma desconfiança, mas com a mesma resignação, Tarará entregava o seu caso à engrenagem da justiça.
Pelo seu lado, sabia que rachara a cabeça à mulher com uma machadada, porque, ao voltar a casa num sábado à noite, encharcado e sujo, de uma propriedade um pouco abaixo da aldeia de Montaperto onde trabalhava toda a semana como um criado de lavoura, fora dar com um grande escândalo na Travessa do Arco de Spoto, onde morava, em San Gerlando.
Poucas horas antes, a sua mulher fora apanhada em flagrante adultério com o cavaleiro Dom Agatino Fioríca.
A senhora dona Graziella Fioríca, mulher do cavaleiro, com os dedos cheios de anéis, as faces tingidas de vermelhão e toda enfeitada, como uma daquelas mulas que levam ao som do tambor um carregamento de trigo à igreja, tinha guiado, ela própria, pessoalmente, o delegado da segurança pública, Spanó, e dois polícias, à Travessa do Arco de Spoto, para a comprovação do adultério.
A vizinhança não pudera esconder a Tarará a sua desgraça, porque a mulher ficara retida na prisão, com o cavaleiro, toda a noite. Na manhã seguinte Tarará, mal a vira reaparecer muito calada diante da porta da rua, antes que as vizinhas tivessem tido tempo de acorrer, saltara-lhe em cima de machado em punho e abrira-lhe a cabeça.
Vá a gente saber o que estava agora a ler o escrivão…”
Do conto “A verdade”, de Luigi Pirandello
O Tribunal.
“Havia três dias que o meu processo começara; três dias que o meu nome e o meu crime ajuntavam cada manhã um magote de espectadores, que vinham abater-se sobre os bancos da sala de audiências como corvos à volta de um cadáver; três dias que esta fantasmagoria de juízes, de testemunhas, de advogados, de procuradores do rei, passava e repassava diante de mim, um tanto grotesca, um tanto atroz, sempre sombria e fatal.”
“Estas poucas palavras, como o fio que quebra o voo do insecto, atiraram-me violentamente para a realidade. Voltei a ver de repente, como à luz dum relâmpago, a sombria sala de audiências, a ferradura dos juízes com as cadeiras carregadas de debruns ensanguentados, as três filas de testemunhas de caras estúpidas, os dois polícias nas duas extremidades do meu banco, e as roupas negras a agitarem-se, e as cabeças da multidão formigarem ao fundo, e fixar-se em mim o olhar penetrante dos doze jurados, que tinham velado enquanto eu dormia!”
O “sistema de recursos”
“Contemos o que me resta.
Três dias de espera depois de lida a sentença para a interposição do recurso.
Oito dias de esquecimento na secretaria do tribunal, após o que as peças do processo, como eles dizem, são enviadas ao ministro.
Quinze dias de espera no gabinete do ministro, que não sabe mesmo que essas peças existem, e que, apesar disso, manda, depois do exame, para o Tribunal da Relação.
Aí são classificadas, numeradas, registadas; é que a guilhotina está frequentada e cada um deve esperar a sua vez.
Quinze dias para verificar que não se comete nenhuma injustiça connosco.
Por fim, o tribunal reúne-se, geralmente à quinta-feira, rejeita em massa vinte deferimentos, e volta a mandar tudo ao ministro, que remete para o procurador-geral, que remete para o carrasco. Três dias.
Na manhã do quarto dia, o substituto do procurador-geral diz para consigo, enquanto põe a gravata: “Contudo, é preciso acabar com isto.” Então, se o substituto do escrivão não tem nenhum almoço de amigos que o impeça, a ordem de execução é minutada, redigida, passada a limpo, expedida, e no dia seguinte, desde a aurora, ouve-se na Praça de Grève martelar um madeiramento, e nas encruzilhadas gritar a plenos pulmões os pregoeiros enrouquecidos.”
As penas e os efeitos automáticos das penas.
“Apanharam-me, já tinha a idade, mandaram-me remar para a pequena marinha [galés]. É duro, as galés; deitar-se numa tábua, beber água transparente, comer pão negro, arrastar um peso imbecil que não serve para nada; levar bastonadas e apanhar o sol em cheio. Com tudo isto, tosquiam-nos; e eu que tinha um cabelo castanho tão bonito!... Não importa! Cumpri o meu tempo. Quinze anos, isso consegue arrancar-se! Tinha então trinta e dois anos. Uma bela manhã, deram-me um passaporte e sessenta e seis francos que tinha amealhado nos meus quinze anos de galés, trabalhando dezasseis horas por dia, trinta dias por mês, doze meses por ano. É o mesmo, eu queria ser honesto com os meus sessenta e seis francos, e tinha melhores sentimentos dentro dos meus trapos do que existem dentro de uma serapilheira de ave negra [padre]. Mas que diabos levem o passaporte! Ele era amarelo e tinha logo em cima forçado liberto. Era preciso mostrar isso em toda a parte por onde passava e apresentá-lo todos os oito dias ao maire da terra onde me obrigavam a vegetar. Bela recomendação! Um galeriano! Eu metia medo, e as crianças fugiam, e fechavam as portas. Ninguém me queria dar trabalho. Comi os meus sessenta e seis francos. E depois foi preciso fazer pela vida. Mostrei os meus braços bons para o trabalho, fecharam as portas. Ofereci o dia a quinze soldos, a dez soldos, a cinco soldos. Nada. Que fazer? Um dia eu tinha fome, dei um encontrão no carro de um padeiro (…)”
Os reclusos e a prisão.
“Todos os domingos, depois da missa, deixam-me no pátio, à hora do recreio. Lá, converso com os detidos. É um bem. Eles são boa gente, os miseráveis. Contam-me a sua vida, seria de causar horror; mas eu sei que estão a gabar-se. Ensinam-me a falar gíria, a rouscailler bigorne, como eles dizem. É toda uma língua enxertada na língua geral como uma espécie de excrescência hedionda, como uma verruga. Por vezes, uma energia singular, um pitoresco assustador; há chorume no andamento (há sangue no caminho); casar com a viúva (ser enforcado), como se a corda da forca fosse a viúva de todos os enforcados. A cabeça de um ladrão tem dois nomes: a sorbonne, quando medita, raciocina e aconselha o crime; o cepo, quando o carrasco a corta. (…) Dir-se-ia uma linguagem de sapos e de aranhas. Quando se ouve falar esta língua, sente-se o efeito de qualquer coisa de imundo e de poeirento, de um montão de trapos que sacudissem diante de nós.
Ao menos aqueles homens lamentam-se, são os únicos a fazê-lo. Os carcereiros, os ajudantes, os guarda-chaves – não lhes quero mal por isso – conversam e riem e falam de mim, diante de mim, como uma coisa.”
(p. 11,12, 25, 67, 19 e 20, respectivamente)
E, num conto na mesma edição, Claude Gueux, o apelo de Victor Hugo à humanização da sociedade e do direito.
“A questão, ei-la. A justiça, ainda não há um ano, retalhou um homem em Pamiers com uma faca; em Dijon, arrancou a cabeça a uma mulher; em Paris, fez, nas imediações de Saint-Jacques, execuções inéditas.
Essa é a questão. Ocupai-vos disso.
Vós vos querelareis depois para saber se os botões da Guarda Nacional devem ser brancos ou amarelos, e se a segurança é uma coisa mais bela que a certeza.
Senhores dos centros, senhores das extremas, o grosso do povo sofre! (…)
O povo tem fome, o povo tem frio (…).
Que provam estas duas úlceras?
Que o corpo social tem um vício no sangue.
Eis-vos reunidos em consulta à cabeceira do doente.
Esta doença, vós tratai-la mal. Estudai-a melhor. As leis que vós fazeis, quando as fazeis, não são mais que paliativos e expedientes. Uma metade dos vossos códigos é rotina, a outra metade empirismo.”
“E agora no lote do pobre, no prato das misérias, lançai a certeza de um futuro celeste, lançai a aspiração à felicidade eterna, lançai o paraíso, contrapeso magnífico! Restabeleceis o equilíbrio. A parte do pobre é tão rica como a parte do rico.
É o que sabia Jesus, que sabia mais completamente que Voltaire.
Dai ao povo que trabalha e que sofre, dai ao povo, para quem este mundo é mau, a crença num melhor mundo feito para ele.
Ele estará tranquilo, ele será paciente. A paciência é feita de esperança.”
Id, p. 145 e 146, 148
Quando a vida embeleza a literatura, lembrando que nem tudo é alea (ou que se calhar até o é). Pilar del Río, na Pública de domingo.
“Quando é que percebeu a sua vida tinha mudado por causa do encontro com José?
Quando nos encontrámos. No dia seguinte telefonou-me para pedir a minha morada. Na época tinha um meio namorado, e quando cheguei a Espanha disse-lhe que já não o queria ver mais. Fiquei livre, sem relações, sem amante. Sabia que algo ia acontecer. E aconteceu: uns meses depois, José chegou, sem que tivesse havido uma carta, uma comunicação, nada. Apareceu em Sevilha. Eu sabia que ia aparecer, mais tarde ou mais cedo.
Como é que sabia?
Sabia. E de Junho a Novembro, que foi quando chegou o José, não houve mais ninguém na minha vida. Ninguém se podia aproximar. Eu estava à espera dele.
Por que é que a impressionou tanto?
Não me impressionou. Éramos tão parecidos, partilhávamos tanta coisa que era impossível que não as compartilhássemos. Não o conhecia pelas duas horas que passei com ele, conhecia-o pelo que escrevia.
O que é que conhecia? Nesses meses, continuou a procurá-lo a partir do que ele escrevia?
Não podia. Em espanhol estavam apenas traduzidos dois livros, o Memorial do Convento e o Ano da Morte de Ricardo Reis. Quando nos conhecemos, ele estava a escrever A Jangada de Pedra. Está lá descrito o nosso encontro: de outra maneira, noutro sítio, mas há uma mulher, e de repente ele sabe que é aquela a mulher, que tem de ser. Ele sabe que algo se passou, e ela sabe, não se verbaliza, mas ambos preparam as suas vidas.”
JUSTIÇA
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Roubei-me ao mundo um dia,
roubou-me o mundo a noite.
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originariamente, aqui
(dizem que mais tarde darão um beijo à passarinho e dirão até amanhã).
Vejo mais: estes outros dois, avó e neto de mão dada em protecção – o avô de jornal entre o braço e o corpo, o neto a esticar a corda quanto possa (há que dar pontapés no ar quão longe quanto possível). Deve vir o rapazinho da escola: as calças vêm já rotas num joelho, a cara vem vermelho (vá dizer-se, para o suadito), e a mochila carrega-a bem.
E estes que por cá passam, um contando com desvelo mistério de alta finança, outro ouvindo bem atento de juízo já a surgir. Cruzam-se com o avó e neto, a conversa pára – dois segundos – e logo recomeça com o ataque ao ponto alto do problema.
Seguem sempre, compenetrados, passam o casal primeiro, e ainda um segundo que agora se senta num banco avermelhado, falando entre sorrisos: ele remexendo umas folhas caídas, ele inventando tema para não ter de a largar.
Basta vê-los para saber que as palavras chegarão sempre. E que, vendo os primeiros, quererão também qualquer coisa a anunciar.
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Outros haverá: aí, pelas ruas, às manhãs, às tardes, mais nestas que naquelas, errando alegremente além do que este farol alcança. Seguindo com as suas histórias, graças, “Ana…dotas”, inquietudes, seguindo de mãos juntas ou sem dar.
Porque andarão, para onde irão, de onde hajam partido, não importa: enquanto seguirem lado a lado terão qualquer coisa mais.
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- A humanidade? - interrompe-me a senhora, entretanto aqui sentada, a quem leio o meu esboço. Conhecia-a, primeiro, de vista; depois apalavramos. E de vez em quando, por cá, neste banco, vamos falando. Lado a lado. – É assim que o menino vai acabar o texto?
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- Algo mais – respondo. Espero uns segundos e olho a senhora, sorrindo. – Ter-nos-emos uns aos outros.
Ontem, precisamente a este propósito (não me apetecia, de novo, desenvolver o dito post), alertou-me uma amiga minha – não com estas palavras, embora com esta materialidade – para não escrever o que não me apetecesse. E tem toda a razão. O mais provável era escrever qualquer coisa particularmente insípida que mais valeria não surgir.
Quando tiver tempo, desenvolverei o outro post. Por agora fica este, escrito – como o de há duas semanas, afinal – com gosto. Para a semana… não sei!
(o que mais me custa no Direito)
De nada serve chegar a uma praça e declarar que a gravidade não existe, por mais argumentos que se avancem. O físico paciente ouvirá atentemente e, resguardando-se nos seus método e objecto, olhará de soslaio, sabendo que a gravidade existe, pois a facilmente assim o demonstra.
O filósofo, também, tem as suas vantagens. A realidade ou é ou não é, ou vai sendo, e o seu método específico, o filosofar, conforta-o: não importam as respostas últimas, importa o que sabemos por agora, precisamos é de nos ir aproximando paulatinamente da verdade das coisas, se verdade houver. Duvida, mas como ergueu a dúvida como razão de viver, feliz está no seu resguardo. O objecto é intrincado, mas lá se encontra delimitado.
Maldição a do jurista. Por mais buscando a solução justa para o caso concreto, não se livra de, em maior ou menor medida, ser fiel à norma. De, por conseguinte, ver ciclicamente mudarem palavras, mudarem vírgulas, de ver o trabalho de anos, seu, eventualmente, e de outros, ir por água abaixo, por o grosso do objecto da dogmática ser o dever-ser constituído. Resta apenas o - frágil - último reduto de reflectir em como deve ser o dever-ser. Ou seja, de já não curar do Direito que está, mas do Direito que vem.
(Só como)
escravos do pai se vestem
os filhos da força cega.
1. A propósito do texto do henrique. "Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a Terra. A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro, e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido. E, morrendo, sublima a própria agonia e solta um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência. Mas o mundo inteiro pára a ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Pois o melhor só se adquire à custa de um grande sofrimento...Pelo menos é o que diz a lenda." in Pássaros Feridos, Colleen Mccullough.
2. Há muito tempo que andava para pôr um poema de Alexandre O'Neill numa história. Só que deparo com um conto que já o fez. Fica apenas o poema...
"Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente tropeço de ternura
por ti."
O tropeço de ternura vale tudo.
3. Era uma vez um homem que disse a outro
- Estou a tornar-me uma coisa horrível.
- Uma coisa? Uma coisa não é horrível nem boa, é apenas coisa.
- É esse o meu tormento. É que não me bastando com ser coisa, tornei-me ainda horrível.
Fez-se um silêncio incómodo. E depois disse o outro
- Vicissitudes.
DO POBRE B.B.
1.
Eu, Bertold Brecht, sou das negras florestas
Minha mãe resolveu pelas cidades andar
Comigo no ventre. E o frio das florestas
Até à morte me há-de acompanhar.
2.
A minha casa é a cidade do asfalto. Desde o início
Apetrechado com os sacramentos da morte:
Com jornais. E tabaco. E aguardente.
Desconfiado, sorna, e no fim com sorte.
3.
Sou amável com as pessoas. Até ponho
Chapéu de coco, como elas gostam de usar.
Digo: Têm um cheiro especial estes bichos
E digo: não faz mal, o meu não é melhor.
4.
Nas minhas cadeiras de baloiço, de manhã,
Às vezes um bando de mulheres faço sentar
E olho para elas descuidado e digo:
Com este aqui não podem vocês contar.
5.
À noitinha reúno homens à minha volta
Por "gentlemen" nos vamos tratando.
Eles põem os pés nas minhas mesas
E dizem: Vamos melhorar. E eu nem pergunto: Quando?
6.
Cedinho ainda, no pardo amanhecer, os abetos mijam
E a passarada, os seus parasitas, começa a gritar.
A essa hora bebo um último copo na cidade e deito
Fora a beata e, inquieto, vou-me deitar.
7.
Fomos vivendo, nós, leviana geração,
Em casas tidas por indestrutíveis.
(Assim construímos os altos caixotes da Ilha de Manhattan
E, para divertir o Atlântico, as antenas flexíveis.)
8.
Destas cidades ficará o que as atravessou: o vento?
A casa alegra quem come...e a esvazia.
Sabemos que somos meros transeuntes
O que depois virá é de pouca valia.
9.
Nos terramotos que aí vêm, espero
Não vou deixar apagar o meu virgínia, amargurado
Eu, Bertold Brecht, vindo das florestas negras pr'as cidades de asfalto
E em tempos no ventre de minha mãe pr'aí lançado.
Bertold Brecht, tradução João Barrento
apud livro leitura (?) "Tambores da Noite"