- Would you please sign this CD for me?
- Sure. What’s your name?
- Guilherme.
- Sorry, what?
- Manuel.
- Oh, Manuel... My father’s name was Manuel.
- Oh, really?...
- Yes… Did you enjoy the concert?
- Yes, it was fine…
(e ficamos por aqui, e para sempre me sentirei mal por lhe ter dito que o concerto havia sido apenas “fine”)
O que um verso demora!
A esta mesma hora,
Quantos poetas, como eu, à espera!...
Passou o inverno, veio a primavera,
Deitou-se a noite, ergueu-se a madrugada
E a voz
De todos nós
Cativa na garganta estrangulada.
Nenhum sinal no céu de próximo milagre;
Os adivinhos mal nos adivinham;
E os restantes humanos,
Há infinitos anos
Que apenas tecem
A teia da rotina,
Como o instinto os ensina.
E resta-nos a força
Que empurra os cegos contra a claridade.
Ter confiança é deslaçar metade
Do nó do tempo que o destino aperta.
Suprema descoberta
Doutros que no passado não desesperaram,
E foram premiados e cantaram.
Mas pesa como um luto
Este silêncio hostil.
E fere como a raiva dum cilício
A certeza da morte
Colada ao corpo.
Que desgraça
Desconhecida,
Se a mudez ultrapassa
A nossa vida!
in Antologia Poética (4a Edição Aumentada), Diário XIII
Apareceu de rompante
falou de pedras e ruas
e sorriu estranhamente,
Cambaleante.
Pediu um cigarro,
disse que era para o caminho.
respondi que não tinha
embora tivesse o meu amigo.
Não nos queria
assustar
dei-lhe simpatia e à-vontade
e o receio consegui espantar.
E ele lá foi, trabalhar.
(momentos vividos algures entre o real e o sonho na Rua D. João IV à porta da gráfica)
Campeões mundiais da Sueca;
Atletas olímpicos de salto em comprimento;
Atletas olímpicos de pedra para o rio;
Os melhores Polícias e Ladrões da histórias do crime;
Os piqueniqueiros mais à maneira da história dos piqueniques;
Luas de todas as formas e feitios;
As mais incríveis personalidades da fotografia;
Pessoas que conseguem dizer a expressão “Que bonito” incansavelmente, sempre de sorriso de orelha a orelha?
Nas dinâmicas de grupo, claro :)
E, já agora, descubram as diferenças:
(Segunda fotografia deste post)
Já não escrevia cá há algum tempo, e ainda assim vim escrever atrasado. Peço imensa desculpa.
Impulsionado pelas palavras da Daniela, e por um texto que me pareceu peculiarmente imaginativo, um exercício hipotético que eu raras vezes, ao longo de uma vida de exercícios hipotéticos, vi em prática, resolvi copiar-lhe a ideia e expor uma síntese fictícia do que seria o País caso não se tivesse dado o 25 de Abril e se tivesse mantido o regime ditatorial (o que, ao fim de mais de 30 anos, seria muito pouco provável de acontecer).
Ou seja, resumindo, vou inventar à fartazana.
Aí vai:
1- Se o País nunca tivesse saído da Ditadura, manter-se-ia a corrupção, alastrando-se por mais sectores da Administração e órgãos de fiscalização do Estado.
2- Haveria ainda mais favorecimentos por parte de Estado aos magnates da indústria, e substituir-se-ia o proteccionismo das pequenas indústrias somente pelo proteccionismo às grandes indústrias.
3- Mantinha-se a repressão administrativa, engenhando-se maneiras de aumentar as custas judiciais e favorecendo-se uma política de apelo à decisão dos Tribunais, perpetrada pelos Ministérios, sempre que estes se arvorassem em defensores dos particulares e exigissem da parte do Governo indemnizações a todos a quem passam por cima dos respectivos direitos.
3- Proibir-se-ia o ódio racial, mas incentivava-se o ódio de classe, visto que o conservadorismo do Estado Novo quer que todos sejamos humildes por igual, excepto a classe económica politizada.
4- Mantém-se o amor a certas manifestações colectivas, procurando-se o ardor das massas. Assim, nos dias 25 de Abril, o regime do Estado Novo obrigaria as estações de media públicos a cantar ininterruptamente canções exaustivamente alentejanas, sendo que a principal seria a Grândola Vila Morena, e deveriam fazê-lo de joelhos, de rabo virado para Meca.
5- O terrorismo de Estado continuava, mas mitigado. Em vez de lápis azuis, o Presidentes de Conselho usariam do seu poder para pressionar as estações televisivas públicas e privadas para passarem certos conteúdos mediáticos. Continuar-se-ia a iludir as pessoas com futebol e Fátima.
Em vez do lápis azul, os Governos usavam de meios judiciais à sua disposição para processar os jornalistas, contando com o vasto aparelho da comunicação social partidarizado para lhes dar cobertura e fracturar a opinião pública.
6- Far-se-ia uma Constituição sem a referendar, ainda que a mesma fosse feita sob pressão das Forças Armadas, sectores reaccionários da revolução.
7- Exigir-se-ia dos Jovens a entrada na vida política como forma de ajudar ao progresso económico/profissional. Seriam criadas várias Juventudes Partidárias, porque a Mocidade Portuguesa já não cumpria o objectivo de criar pessoas que aos 18 já tivessem mentalidades político/ideológicas fixas, com sucesso. Ocupar-se-ia as camadas jovens mais acéfalas e afectadas pela propaganda regimental de manter "a luta na rua", numa forma de protesto infinito por liberdades tão abstractas como incompreensíveis, para dar a impressão que as liberdades democráticas estão a ser exercidas. Esses jovens, resultado de experiências envolvendo cruzamentos entre primos, apelidar-se-iam Bloco de Esquerda.
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De facto, não fosse o golpe, e este país estariam em valentes maus lençóis.
- 5 comentários • Category: a paz e a espada
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Ora, e aqui pergunto a todos os tribuneiros e caros leitores, como seria o Tribuna sem a revolução de Abril? Seriam as mesmas pessoas a escrever, seria um jornal clandestino, os temas que ocupam as páginas seriam os mesmos? E as cores das letras? E os cabeçalhos? Será que os professores iriam colaborar? Seria o espírito naquela pequena sala o mesmo?
- 7 comentários • Category: o espaço inominável
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Sim adoro a música;
E sim,acho piada a coisas muito parvas;
E não,não acho que tira todo o encanto da música.
No entanto há partes que já não consigo ouvir sem me rir sozinha no metro - o meu sitio por excelencia de entrega aos encantos músicais do meu mp3(espero que em breve meu Ipod nano verde alface )-.
Tem partes muito toscas mas outras são de rir (bem pelo menos eu rio-me mas não sou exemplo sou de riso fácil =P).Enjoy :)
Bom fim de semana =) mesmo para os cortes que não vão ao Errancias (embora não mereçam =P)
"Lá vou eeeeu" xD
Hoje descobri uma coisa interessante!!!
Na segunda guerra mundial na praia de Omaha, onde o desembarque foi mais complexo, nao morreram à volta de 2000 pessoas como os numeros oficiais da altura referiam. Não!!
Só nas primeiras 3 horas foram 4500 a 5000 americanos, sendo que a praia foi ganha por acaso, quando um grupo de rangers, não aparecendo onde deviam(point du HOc), devido a nao terem recebido o sinal, foram para omaha e entraram por um caminho, e devastaram todas as defesas alemâs....
CASO CLARO DE SORTE!! Mas ainda bem que ganharam....
Fonte canal de história
Rodeado de amigos escrevo no bar.
Ouço cantares, risos; vejo afecto e Paixão.
"Vou ter equivalência a Reais.", ouvi. "Vais vais...", pensei. Mas não disse...
Ao longe o senhor gesticula ri e sorri, e a fila aumenta e aumenta.
A torrada do meio é saboreada lentamente. O palato apurado regozija com tão exquisite panóplia de sabores e colesterol.
Paixão deambula pelo bar. É sexta-feira, o bar está calmo, as pessoas estão felizes. Estão felizes mas muitos julgam que o seriam ainda mais lá fora. Com outro alguém. Mas nada dizem.
"Fui a Paredes de Coura em 2003", ouço. "Que fixe que és", pensei, mas não disse.
Os minutos passam. O óleo entranha-se nas roupas. Paixão partiu.
E nós ficamos, remando contra a corrente, almejando um passado que já não volta.
Vale especialmente pelas sublimes (ou não) referências ao nosso amigo Nuno Paixão, e ao Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald.
- Um comentário • Category: O Pretensioso.
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Assustador, é no mínimo a descrição mais branda para este capitulo na obra “ Stalin and The Court of the Red Tsar
“ , de Simon Sebag Montefiore. Este pode ser descrito como o momento mais crítico da carreira do mais sanguinário ditador da segunda grande guerra. Aprendi que por dois dias ele abandonou o poder, refugiando-se no seu escritório, esperando por alguém que o tentasse substituir. Por medo, ou por incapacidade nunca houve um audaz. Stalin era inteligente e não caiu no seu momento de maior fraqueza pois todos os seus opositores estavam mortos. Foi também o ano em que ele fez tentativas desesperadas por encontrar a paz com a Alemanha Nazi através da embaixada Húngara, enquanto a BlitzKrieg atingia Moscovo com a sua máxima força. Foram tempos difíceis para os Russos, onde a coragem era induzida pelo medo, não de perder a sua pátria, mas a sua vida. Stalin governava com punho de ferro o Exercito Vermelho, através de um sistema duplo, de militares e comissários políticos. Recuar era traição. Render-se ao inimigo era sentença de morte para toda a família que ficava.
Desta época recorda-se sempre Hitler como o pior, o que matou 6 milhões de judeus. Pois Hitler é um menino comparado a Estaline, que só em 2 anos condenou 15milhoes de Ucranianos a morrerem à fome. Fora os deportados para os Gulags, as vitimas das purgas, todos aqueles que por incompetência dos Oligarcas que se julgavam generais, morreram nas frentes de batalha, e os civis exterminados. Os povos deportados para regiões tão remotas como a Mongólia.
Um colega de faculdade uma vez disse-me. “ Os grandes génios mi
litares da segunda guerra foram, Rohmel Patton e Montgomery, os russos não tinham nada, apenas numero “. A ideia feita por uma sociedade que cresceu a ver os filmes de Hollywood, e a jogar Call of Duty, esquece-se que a Normandia e a intervenção Americana na Europa, foram uma gota comparada a toda a barbárie assistida na frente Oriental. ¾ de toda a Wermatch, estavam a lutar numa frente que se estendeu desde Leningrado até as margens do Mar Negro no Cáucaso. Se falarmos em génios militares à cabeça terá de estar Zhukov o herói da defesa de Moscovo. Como um dia foi dito “ a quantidade é uma qualidade por si só “. Um exército de 12milhoes, não é um “ nada “. A esse meu colega que julga a Normandia o conflito mais sangrento da segunda guerra, eu posso responder que foi apenas o quinto. A mais mortal batalha foi a tomada de Minsk pelos Nazis.
Isto tudo leva-me a crer que mais perigoso que uma ideologia de ódio como a Nazi, é o apropriamento do Marxismo para legitimação de um dos mais pérfidos governantes que a terra já viu. O Stalin é uma personagem Histórica fascinante, mas felizmente hoje está a distância de um livro.
- 8 comentários • Category: A Leste Nada de Novo
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DO POBRE B.B.
1.
Eu, Bertold Brecht, sou das negras florestas
Minha mãe resolveu pelas cidades andar
Comigo no ventre. E o frio das florestas
Até à morte me há-de acompanhar.
2.
A minha casa é a cidade do asfalto. Desde o início
Apetrechado com os sacramentos da morte:
Com jornais. E tabaco. E aguardente.
Desconfiado, sorna, e no fim com sorte.
3.
Sou amável com as pessoas. Até ponho
Chapéu de coco, como elas gostam de usar.
Digo: Têm um cheiro especial estes bichos
E digo: não faz mal, o meu não é melhor.
4.
Nas minhas cadeiras de baloiço, de manhã,
Às vezes um bando de mulheres faço sentar
E olho para elas descuidado e digo:
Com este aqui não podem vocês contar.
5.
À noitinha reúno homens à minha volta
Por "gentlemen" nos vamos tratando.
Eles põem os pés nas minhas mesas
E dizem: Vamos melhorar. E eu nem pergunto: Quando?
6.
Cedinho ainda, no pardo amanhecer, os abetos mijam
E a passarada, os seus parasitas, começa a gritar.
A essa hora bebo um último copo na cidade e deito
Fora a beata e, inquieto, vou-me deitar.
7.
Fomos vivendo, nós, leviana geração,
Em casas tidas por indestrutíveis.
(Assim construímos os altos caixotes da Ilha de Manhattan
E, para divertir o Atlântico, as antenas flexíveis.)
8.
Destas cidades ficará o que as atravessou: o vento?
A casa alegra quem come...e a esvazia.
Sabemos que somos meros transeuntes
O que depois virá é de pouca valia.
9.
Nos terramotos que aí vêm, espero
Não vou deixar apagar o meu virgínia, amargurado
Eu, Bertold Brecht, vindo das florestas negras pr'as cidades de asfalto
E em tempos no ventre de minha mãe pr'aí lançado.
Bertold Brecht, tradução João Barrento
apud livro leitura (?) "Tambores da Noite"
Eles são totós, toda a gente sabe.
E fazem música choninhas.
Correspondem a 70% da população islandesa.
Actualmente, o PIB deste país depende deles.
Os fãs desta banda são esquisitos, têm a mania e geralmente são banda sonora das miúdas de Artes.
E percebe-se: os membros são rapazotes sem barba e camisolas às riscas a dar uma de sensíveis.
Os videoclips são bizarros e metem gente bizarra sempre e depois muito verde lá das terras geladas.
A voz é realmente terrível, já para não falar da língua que ninguém entende, mas todos acreditam que as letras são realmente poéticas.
Têm sempre instrumentos que ninguém conhece, para dar uma de alternativo ou assim.
E os concertos estão naquela nova moda do minimal.
Mas pronto. Eu gosto.
Durante anos, o Lavabo dos Homens tinha regras consuetudinárias que eram respeitadas pelas pessoas de bem, que eram as únicas que iam aos lavabos.
Acontece que a massificação da cultura do banheiro público, bem como a cada vez maior necessidade de fazer cocó enquanto se está numa fila de repartição das finanças, tornaram o Lavabo Masculino num sítio anárquico, onde há muito Deus e os bons costumes abandonaram a cena.
Dantes, o Lavabo era a pequena mansão do Homem. Ele fazia lá o chichi, e não permanecia nela mais que 15 minutos. A contar com o lavar das mãos.
Hoje, o Lavabo dos Homens serve para o rapazote se pentear, escrever enormidades na porta do quarto de banho, dar umas beijocas no namorado, lavar as mãos com gel (que mariquice, meu Deus! o que aconteceu ao velho sabonete...)
A Nova Lei dos WC masculinos deverá instituir a obrigatoriedade de urinar com um urinol de intervalo do urinador mais próximo. Só assim teremos um Estado de Direito que previrá as situações mais catastróficas algumas vezes ocorridas nesses locais.
Só assim os homens pararão de falar durante a mijinha, mantendo uma austera mas simpática distância. Acabar-se-á a tentação de olhar para a pilinha do Homem do lado!
Acabarão as alturas em que temos de nos dirigir à retrete para fazer algo que não exige uma retrete!
Será por fim livre o Homem, e livre o espaço do Lavabo.
Para uns é absolutamente uma futilidade, para outros uma verdadeira obsessão, no espaço que lhes é intermédio surge aquilo que acredito ser uma forma muito intima de expressão.
A maneira como nos vestimos pode dizer muito de nós e sobretudo pode ser uma viagem muito divertida para aqueles que gostam de quebrar barreiras, fugindo ao status quo, misturando, absorvendo e criando tendências que fazem a moda, das passerelles para as ruas.
Como flâneur, adepta dos prazeres da observação, refugiada no anonimato que só a cidade permite, descubro um mundo novo, onde a regra é ousar, mas sempre procurando definir um estilo próprio, a individualidade dentro de um universo global.
Como ser único nesta selva de franchising!
A procura pode não ser fácil, mas a descoberta é muito gratificante.
Pelas ruas desta cidade que já é minha, e com grande perseverança, vou encontrando esta individualidade nas obras de novos criadores de moda, que com um cunho muito pessoal, vão criando as suas colecções, aliando o bom gosto à loucura, para mim de uma forma genial.
Da Rua do Almada a Miguel Bombarda, as lojas de autor multiplicam-se. Vendem-se peças vintage, roupas usadas, acessórios com legado. A música também se alia. Os discos de vinil voltaram a rodar, desenhando, por vezes, uma aura glamourosa e requintada ao som de Juliette Greco, ou deslizando ao underground misturando batidas num electro intimista.
A sensação de liberdade nesta procura é enorme. A criatividade parece infinita. Para estes criadores nada é exagero, tudo é permitido, sempre com muito estilo!
Para os cépticos e para os outros que ainda acham que a moda não é uma forma de arte, ofereço uma viagem até Paris, para muitos o epicentro de todo esta corrente fashionable. Em vez de monumentos ou colecções de arte, descubram os homens e mulheres que percorrem as ruas desta cidade, transpirando toda a sua essência.
A viagem frenética começa em www.garancedore.fr, o meu predilecto. Nenhum outro capta com tanta expressão o estilo dos parisienses. Mas a viagem pode continuar até à citadela materialista de Milão, ou à sofisticada mas informal Nova Iorque e ainda à dandy Berlim em thesartorialist.blogspot.com.
Enjoy the Trip!
Ana Cláudia
"A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma.O verdadeiro teste moral da humanidade (o teste mais radical,aquele que por se situar a um nível tão profundo nos escapa ao olhar) são as suas relações com quem se encoontra à sua mercê:isto é,com os animais.E foi aí que se deu o maior fracasso do homem, o desaire fundamental que está na origem de todos os outros"- Milan Kundera,em "A Insustentável leveza do ser "(livro que ainda não tive oportunidade de lêr mas se se cumprir aquela máxima de que os livros são sempre melhores que os filmes a que dão origem,deve ser de leitura obrigatória)
E porque é k que eu gosto sempre das citações introdutórias dos livros?
PS:Para quem tiver oportunidade convido-os, em nome da nossa Sandrinha a compareçerem ao lançamento do novo livro dela "Trovas de Cetim" hoje,dia 18 de Abril, ás 21h30 no Majestic .
Um bom fim de semana para todos.
The Big Push
Lá estavam eles.... Sujos, suados, com a lama até aos joelhos. A chuva caía nos capacetes com bastante intensidade; O nevoeiro, esse ocultava tudo para além de 2 metros da trincheira.
O medo. Esse percorria os corações até dos mais bravos. o cheiro a morte constante lembrava-os do que os esperava em poucos momentos. O ribombar constante dos canhões nos ouvidos, o gritar de dor do companheiro ao lado, os estilhaços que passavam rente aos soldados, as metralhadoras constantemente a disparar.... E de repente... O silêncio.
A silêncio percorreu todo o campo. Os canhões pararam, as metralhadoras silenciaram-se, os gritos são abafados... Só a chuva não permanece em silêncio...
O silêncio prolonga-se.....
A guerra acabou pensam os menos experientes Mas não.... O medo de uns torna-se mais intenso, o palpitar acelarado, constante, dos corações é como que uma droga que nos impede de respirar; o tremer do medo confunde-se com o tremer gélido da àgua...
E de repente... O apito enche a trincheira
E lá foram eles
E o barulho voltou
Ninguem voltou
Nasci em Maio, o mês das rosas, diz-se. Talvez por isso eu fiz da rosa a minha flor, um símbolo, uma espécie de bandeira para mim mesmo.
E todos os anos, quando chegava o mês de Maio, ou mais exactamente, no dia 12 de Maio, às dez e um quarto da manhã (que foi a hora em que eu nasci), a minha mãe abria a porta do meu quarto, acordava-me com um beijo e colocava numa jarra um ramo de rosas vermelhas, sem palavras. Só as suas mãos, compondo as rosas, oficiavam nesse estranho silêncio cheio de ritos e ternura.
Nesse tempo o Sol nascia exactamente no meu quarto. Eu abria a janela. Em frente era o largo, a velha árvore do largo dos ciganos. Quando chegava o mês de Maio, eu abria a janela e ficava bêbado desse cheiro a fogueiras, carroças e ciganos. E respirava o ar de todas as viagens, da minha janela, capital do mundo, debruçado sobre o largo onde começavam todos os caminhos.
E tudo estava certo, nesse tempo, ou, pelo menos, nada tinha o sabor do irremediável. (...)
E eu dormia poisado sobre a eternidade, como se tudo estivesse certo para sempre, eu dormia com muitos olhos, muitos gestos vigilantes sobre o meu sono. Por vezes tinha pesadelos, acordava, inquieto, a meio da noite, qualquer coisa parecia querer despedaçar-se e então exclamava:
- Mãe!
E logo essa voz, tão calma, entrava dentro de mim, mandava embora os fantasmas, e era de novo o meu quarto, a doce quentura da minha casa no cimo da ternura.
Não havia polícia nesse tempo. Ninguém roubaria a tranquilidade do meu sono, ninguém viria a meio da noite para me levar, porque bastava eu chamar:
- Mãe!
E logo uma voz, tão calma, mandava embora os fantasmas. E era a paz, nesse tempo, em que todos os anos, quando chegava o mês de Maio, ou mais exactamente, o dia 12 de Maio, às dez e um quarto da manhã, a minha mãe abria a porta do meu quarto e colocava, religiosamente, um ramo de rosas vermelhas sobre a minha vida, nesse tempo, em que dormir, acordar, nascer, crescer, viver, morrer, eram um rito no rito das estações. (ler mais)
SIEG ODER SIBERIEN
As luzes intermitentes anunciavam o início do bailado, até que um jovem, um petiz garçon, subiu ao palco e gritou: "Atenção! Faça-se uma vénia à beleza do que vai ser visto por vós, humildes almas!"
As luzes apagaram-se novamente e, no instante seguinte, a claridade queimou os olhares receosos da plateia. O que foi visto, naquele momento, era algo tão intenso, mas tão intenso que a Fortuna se incarregou de transformar em mito.
O que foi visto:um choro, um lamento.
Lamento pela ociosidade de deuses que habitam lá longe num reino onde a simpatia nunca reinou; deuses esses que aclamaram aos trompetes que rasgassem o coração de quem assistia com o simples objectivo de conhecer o porquê dos pobres homens conseguirem amar. O resultado? Uma carnificina tal, sangue, sangue agitado, lágrimas e poeira! Os deuses esfolaram todos os que se encontravam presentes e não conseguiram descobrir a resposta. Vieram, foram invocados pela simples esperança de desvendar o enigma. Foram embora desiludidos.
Lá dentro, ninguém sobreviveu. Tão forte, tão intenso. No dia a seguir, nos jornais, no Le Figaro, por exemplo, chorou-se as vítimas, mas esqueceram de apontar o essencial à notícia. A falta...
A maior parte do oxigénio presente na atmosfera terrestre foi libertado por algas.
Hoje é domingo de Páscoa.
Cá em casa faz-se uma mousse de morango para fazer de conta que o almoço foi diferente e não dar um ar demasiado ateu à coisa. As pessoas na mesa são as mesmas, o almoço acaba à mesma hora de todos os almoços de domingo. Uns vão ler, outros dormir, outros ver tv, outros fazer outra coisa qualquer depois de saírem da mesa. Por mais que os pais ateus tentem, não há Páscoa cá em casa.
Mas, mesmo em casa de descrentes, tenta-se qualquer coisa.
É estranha esta forma da religião entrar em casa, nos horários, na moldura das férias da escola e de trabalho, nos feriados e nos dias de descanso, na gastronomia, nas prendas, nas relações com os familiares, nas cidades, nas festas da casa… mesmo que dos ateus. Mesmo dos mais assertivos, que em nada acreditamos e, mesmo não acreditando, vemos a vida moldada pela religião lá de fora e acabamos por não nos importarmos ou sequer ligarmos à nossa cedência.
E, agora que penso, não sei quantos ateus, por mais ateus que sejam, conseguiriam abdicar totalmente de um Natal.
Queria ter descansado não me lembro dum único dia que não acordasse com o telintar rotineiro do despertador do telemóvel
Queria ter ido a praia o tempo não ajudou
Queria ter ficado um dia inteiro na cama,metida comigo mesma,afastada do Mundo e ao mesmo tempo em todo o lado.
Queria ter viajado..mas viagem só a da força do pensamento (e não será esta a forma mais abrangente-e mais barata- de sair do marasmo da nossa vida)
Queria ter estudado faltou-me paciencia
Queria ter visto toda a minha lista de filmes para vêr..só vi um
Queria ter começado um livro novo ..e ainda tenho o velho na cabeçeira pousado
Queria ter aliviado o stress e acho que ainda arranjei mais motivos para stress
Queria ter ido sentir a areia nos pés
Queria poder ter sido possivel ir berrar e dançar debaixo da chuva
Queria ter pensado" faz tudo o que te apeteçer e não penses no dia seguinte"
Queria ter estado com todas as pessoas que quis,feito tudo que previ,organizado tudo que precisava.
Mas o dia só tem 24h e as gavetinhas das memorias em surdina e dos sonhos recalcados estão todas abertas e desorganizadas e ocupam tempo e rendimento fisico e mental.Irrita-me quando as coisas fogem ao meu controlo ...a toda a gente,irrita-me ser invadida por um vil diletantismo que so planeia e não concretiza...irrita-me acordar um dia com aquela sensação que tudo é possivel a abrir os olhos ao Mundo e de algum modo terminar o dia fechada em copas.E não tarda está aí a rotina outra vez..semana volta para trás.
"life isn't about waiting for the storm to pass.It's about learning to dance in the rain" como já se disse num post a proposito de outra frase feita..parolo mas verdade.
*o titulo vem de uma peça de teatro que um dia representei sobre perdas ..nem sei porque me lembrei dela mas de algum modo julguei-a ajustada.
escrito ao som de "por una cabeza" tango de Carlos Gardel
Boa Páscoa para os tribuneiros e leitores do blog
Enquanto passava os olhos pela estante dos cd’s deixei os olhos percorrem todos os títulos até às últimas filas, onde estão aqueles que se deixam de ouvir com o tempo. Haviam vários entre originais e gravados, muitos que não ouço já há anos e que nunca hoje conseguiria ouvir até ao fim e não pude deixar de pensar no quanto esses pequenos detalhes indicam que se cresceu e que a personalidade se moldou em alguns anos sem sequer darmos por isso. O mesmo acontece com os livros, com as convicções políticas, com as pessoas com quem falamos, com a religião ou falta dela, com o sexo, com a perspectiva que se tem de todas as coisas que nos rodeiam e mesmo pela escrita.
Pergunto quantos de nós terão dado pela adolescência passar, quando sempre nos disseram que é aquela fase em que somos contra tudo e em que muito dificilmente os outros connosco conseguem lidar. E quando por lá passamos achamos que somos tão diferentes de todos os outros, que não passamos pelas mesmas crises e preconceitos e manias e modas e maneiras de ser que são sempre as mais alternativas de todas face aos outros que connosco partilham a idade. E aí lembro-me como isso era o reflexo tão simples do grupo no secundário por todos olhado de lado e como isso era o reflexo também de certas escolhas em vários aspectos. E mesmo que cada um de nós na altura tenha achado que não estava nessa fase, pergunto quem não tem na mesa-de-cabeceira cadernos e cadernos de poesia atormentada por amores e desamores, por noites levianas e outras que tais, escritos que na altura eram tão sinceros e que hoje são altas gargalhadas. Quantos de nós acabamos por perder esse poeta que escrevia a todas as horas e que sempre tinha uma dor abafada no peito, nem que seja porque o mundo era simplesmente um lugar muito mau e triste para vivermos.
E existem depois os bilhetes de concertos, todos catalogados e guardados religiosamente quando dizíamos a todos os outros que aquela sim era a nossa banda favorita e que sempre íamos ouvir aquilo, quando hoje provavelmente já nem seríamos capazes de voltar a investir dinheiro para ir a Lisboa assistir a esse concerto (e eu falo olhando um bilhete de um concerto de Limp Bizkit). Hoje é simplesmente intragável à audição e rimos de termos perdido tempo e dinheiro com tais invenções musicais que na altura faziam com que pertencêssemos a um qualquer grupo aceitável de pessoas.
E também nos filmes isso volta a aparecer, ao vasculhar antigos bilhetes de cinema, ao pensar em antigas tabelas de eleição, em filmes que supostamente nos tinham marcado por completo e que hoje percebemos serem apenas lixo (e não, eu nunca gostei do Titanic). E perguntámos como é possível a mesma pessoa ter conseguido gostar de tudo aquilo e hoje simplesmente achar que aquilo seriam gostos de alguém muito diferente. E quantos provavelmente não fizemos essas escolhas apenas porque iam contra a corrente, contra a manada? Mas na altura, era simplesmente porque já estávamos demasiado avançados para gostar das mesmas coisas que os outros…
O mesmo sucede quando abrimos os armários e as gavetas e encontrámos peças de roupa que não têm assim tanto tempo, mas que nos são totalmente indiferentes e perante as quais pensamos como era possível termos andado assim. E os que nos acompanharam lembram-se de nós naqueles trapos e trocam-se sorrisos e histórias e no entanto, as memórias não nos deixam simplesmente deitar fora e deixar de fazer de conta que são nossas.
E o mesmo acontece com as nossas antigas crenças, em que tínhamos sempre a posição mais extrema em relação a tudo, sendo as nossas doutrinas sempre as certas. Quando nos dizem que são coisas passageiras que perdemos com o tempo e que dali a alguns anos vamos perder e mudar radicalmente de novo. Todas as causas nos parecem certas e a precisar do nosso apoio e do nosso lado, correm lágrimas, muita raiva e durante dias e dias precisamos de saber tudo o que está por detrás, dominar o assunto e tentar convencer os outros. Hoje, provavelmente, todos os autocolantes, panfletos, textos, opiniões, recortes e afins nos parecem passados e as causas acabaram por se perder, muitas vezes adoptamos hoje uma postura totalmente diferente (é o caso do autocolante anti-tabaco na janela de um fumador que tentou apagar a marca, mas em vão, a cola continua na janela a deixar lembranças). Nenhum de nós poderia alguma sonhar fazer parte do maldito sistema, da ordem, do lado que afinal acha que a lei é necessária e tem de ser cumprida, hoje, ainda algum de nós diria ser impossível viver sem um sistema, mesmo que não o actual?
Há dias confessava a incredulidade perante o facto de há já algum tempo me comover com coisas que antes não me faziam a mínima moça. Nunca chorar a ver filmes ou séries, por vezes com canções e outras com livros. Mas agora, várias vezes isso acontece com coisas que têm significados diferentes das outras todas: antes chorávamos a ver os filmes do 25 de Abril (e ainda se chora, mas já não apenas), do Maio de 68 e de outras coisas símbolos de causas maiores. Hoje chora-se com coisas que mostram os laços que se formam entre as pessoas, com mulheres que fazem laços de amizade serem de carne, homens que arriscam a vida para salvar aqueles a quem cortaram a amizade, pessoas que não sendo reais inventam histórias que puxam pelos novos instintos que moram dentro de nós (mas não, ainda não estou no grupo das pessoas que choram com anatomia de Grey). E tirando a desculpa de provavelmente ser a marca de pílula, a tpm, o tempo, o estudo, o cansaço, os homens, a verdade é que tudo não passa e não podem passar da evolução por que passamos de repente. Seis anos não é assim tanto tempo se pensarmos que passou mais depressa do que era suposto, é a fase mais curta por que alguma vez vamos passar ao longo dos nossos anos e onde formámos aquilo que nos há-de acompanhar durante todos os outros. E agora? A quem podemos atribuir as culpas daquilo que não gostámos? E que destino podemos dar a todas as coisas que hoje já não conseguimos ler nem ouvir (e ainda no outro dia despachei uma colecção de livros que nos meus 13 anos eram quase como bíblias sagradas)?
Será que a incapacidade de olhar para trás e notar uma certa evolução em relação a tudo indica que simplesmente não crescemos?
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Woody Allen
O Tribuna é um blogue de poetas e poetizas, líricos e liricistas (ouvi esta expressão pela primeira vez num álbum do Valete, Educação Visual, em 2003, ou 2002, e é o erro mais bestial de sempre).
As pessoas escrevem do fundo do coração, que é coisa que sempre me impressionou, comove-me a dispersão de sentimentos e o á vontade com que a pena (neste caso, o teclado) dessas pessoas escorre sobre o papel (neste caso, o monitor) a sua sensibilidade pacífica (neste caso, pacífica também).
O que me impressiona duas vezes é o facto de os Tribuneiros (ou Tribunantes, ou Tribunafareiros, ou Tribunaralhences, que os leitores não sabem mas a direcção deste jornal lança sempre novas denominações todos os anos, e às vezes, quando estão mais inspirados, todas semanas) conseguirem ser líricos na exacta mesma medida que conseguem introspectivos.
O Tribunaleiro nunca diz duas vezes a mesma expressão, não no mesmo texto (nem todos são a tal ponto originais). Ele, qual ser iluminado por musas que nunca depositaram o seu olhar em mim, transporta a sua dor ao mundo e à Lingua Portuguesa, magoando a primeira com a sua crise existencialista, e a outra com os seus erros gramaticais.
Ora vejamos:
Diz o HM (Homem Médio, e não Henrique Maio ou Hermengarda Maluca) algo como: "Está sol, apetece-me dar uma berlaitada em alguém!"
Diz o Tribunalhoco: "O Astro Gigante ilumina-me o rosto sulcado da sua energia galáctica, e lembro-me de ti e da forma como entusiasmavas-me as noites". O Tribuneiro tem sempre uma recordação. Há um que se lembra detalhadamente da sua terra Beirã, e fez um blogue à custa disso e tudo.
E pergunta-me o leitor (principalmente um que eu conheço muito bem e estou cá a ver) : "E diz lá, ó Manel, que tenho eu a ver com isso, que leio o Tribuna Blogue diariamente, mas nada sei nem quero saber sobre os Tribunalamalamaleques?"
Eu, caro leitor, não falo somente dos Tribunantes. Falo da gloriosa raça poeta que avança pela blogosfera e infecta através do clique do rato. E eu estou só e desamparado perante ela.
Eu nunca vou conseguir dizer: " E do dentro do Eu sai a expressão conturbada do meu egocentrismo, e esse Eu diz-me: a densidade pluviométrica deste lugar afasta-me do Nós, e desperta em Mim a vontade de retirar do Eu uma sensação de prazer solitária, como nos dias em que me apertavas a mão e levavas ao Mundo dos Vivos", o mais perto que eu diria, e seria uma tradução desta frase, soaria a isto: "Foda-se, está a chover e estou-me a molhar, daqui a nada vou pra casa, satisfazer-me solitariamente."
Portanto, vou tentar abrir o jogo e mostrar um pouco de sensibilidade também.
Eu tenho um amigo, que não sou eu, que em novo sonhava em fazer amor com uma velha gorda. Tenho outro amigo que dava cachaços a velhas. Mas esse é diferente. Esse todos os dias realizava os seus sonhos. Era ver os trémulos pescoços arcanos a suportar com umas valentes sapatadas e tremelicar de dor e surpresa, que maravilha, pensava o meu amigo. Mais tarde cresceu, fez-se homem, e está agora num cargo de chefia da JSD.
Mas esse meu amigo que tinha a tal tara de entrar em intimidades com uma senhora velhinha e gorda, e esse amigo não sou eu, nem o Guilherme Silva, nunca pode enfrentar o seu sonho de frente, e de lá retirar explicações, ilações, algo do Eu dele que lhe comprovasse ser um taradão de primeira água (e mais uma vez, repito, este meu amigo não sou eu, nem o Daniel Oliveira).
Inspeccionemos conjuntamente toda a complexidade fazer amor com uma senhora de idade, obesa até aos píncaros da curiosidade científica. Seria necessário atenção redobrada, e nada de canzanas nem coisa que o valha. Ela ficaria, no máximo dos máximos, por cima., em posição de explorador capitalista. Depois, muito provavelmente, não se mexeria muito, visto que toda a massa gordular, ou coisa que o valha, se encontrava concentrada nos lados da cama e no peito do pobre coitado do meu amigo, tornando a estabilidade do leito severamente comprometedora. Imaginem agora que estavam a fazer isto num colchão de água! Sim, porque o meu amigo está aqui ao meu lado e diz-me que, de facto, era assim que imaginava a noite de tórrido amor. E aproveito para repetir que esse meu amigo não sou eu, e o tipo que escreve o Café Odisseia também não. Imaginem só. Vocês também, senhoras leitoras. O que seria fazer o amor com um senhor velho e obeso. Imaginem, e preparem-se para o futuro, que nós , ao contrário de vós, não temos a obrigação de estar sempre em dieta e jeitosos (Soeiro do BE dixit).
O porquê clínico e psiquiátrico para o meu amigo ter este tipo de sonhos prende-se a questões sérias e graves, questões as quais, de momento, varreram-se-me completamente da cabeça, estando eu sem aparente forma de explicar. Mas é sério. E grave.
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Boa música para dar cachaços a velhas é esta:
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Dado que estamos numa onde de apocalipse.. (ver os ultimos comments do post do bear grills) mostro aqui um video sobre um futuro pós apocalipse núclear.
Enjoy...
http://www.youtube.com/watch?v=iYZpR51XgW0&feature=related
Para mim, a chegada das ferias, significa quase sempre uma ida ao campo. A vida rural é então já uma banalidade, tanto, que as coisas que por la faço são as mais naturais. Esta noção de que tenho do mundo onde vivo, foi abalada nos últimos dias. Descobri que a visão da cidade, aos meus passatempos na aldeia, é quase que a de um espectador a ver o Bear Grylls no Discovery Channel. Afinal eu sou o verdadeiro Ultimate Surivivor
"Não parei de pensar desde a última vez que tivemos juntos. Tudo é mais difícil agora e não te sei explicar porquê. Quer dizer, o sentimento é tão claro e óbvio, mas por outro lado não vejo uma palavra que o descreva na perfeição. Talvez porque custe ser claro para os outros, talvez porque me apeteça fugir desse confronto. Não sei ao certo o que torna isto tão mas tão árduo e não sei como tirar estas cordas dos meus braços e pernas. Prometi dar-te um presente, fi-lo em forma de escolha, numa mão tinhas uma pequena marioneta (bastante catita) na outra mão tinhas a mais hedionda rosa. A tua escolha, amarga a meus olhos, nunca foi clara. Digo-te hoje o que significava cada: a marioneta, era eu, podias (e se calhar sempre o fizeste) brincar comigo, estrangular-me, desmembrar-me, odiar-me, fazer preces à Fortuna para que me magoasse; a hedionda rosa, era e será sempre a mesma peça de teatro, o mesmo palco onde tu e eu nos perdemos constantemente e nenhum de nós se levanta e assume posição. Não sei ao certo o que é que escolheste deste presente nunca desejado por ti, mas como oferta tinhas que o receber, pois odiares-me é fácil, mas fazê-lo friamente e claro é coisa que de ti nunca esperarei. De ti e de qualquer outrem que se diga pessoa, não é assim? A vida tem destas coisas, ser-se inocente ao ponto de se acreditar no Homem.
Quero-te falar do ódio e como sinto que é perda de tempo. Li em tempos que nunca deviamos perder tempo a explicar ódio e desgosto por alguém quando podiamos aproveitar tais momentos para demonstrar amor por aqueles que gostamos. Sábias palavras e se isto foi algo que sempre senti até hoje, depois de lidas (aquelas palavras) tornou-se fé, fanatismo, religião. Amar em vez de odiar, é assim tão difícil? E aqueles momentos em que somos sinceros, mas que para terceiros somos tão frios que magoamos os outros? Paradoxo? Provavelmente quando somos frios e magoamos só queremos o melhor para essas pessoas e quiçá depois de tanta frieza elas crescem no agir e tornam-se mais afáveis, alegres e amorosas.
Penso no que te digo e sinto-me estúpido, falo-te de amor. Coisa estúpida essa, não é? Para que falar de amor se podemos perder o nosso dia a falar de todas as outras coisas que nos afastam dele? Se podemos discutir tudo o que é importante para manter os teatros, essas hediondas rosas. Digo-te, em qualquer ocupação tua, vais encontrar amor. Olha, o caso daqueles mesquinhos advogados e senhores do direito, eles a serem tal, amam a justiça, não é assim? Seja lá o que ela for, afinal de contas é so mais um anelo subjectivo de cada um, certo? Podes não acreditar no que te digo, não é censurável.
Gosto de perder horas a descrever o amor com amor na fala e se tal acção se confunde com alguma fragilidade minha, apenas vos digo na minha humilde posição que têm que ser livres (se assim o desejarem).
Mas, não me quero perder neste devaneio, voltemos ao início: "Não parei de pensar desde a última vez que tivemos juntos". Sei o que dizer em seguida, sei o que pensar, sei o que esperar e desesperar, mas não sei o que fazer concretamente. É tudo tão confuso, mas já não parte de mim. É certo que amo, amo as pessoas, mas já dei tanto, porque tem que partir de mim? Cada vez mais a minha alma se liberta e todas as correntes passam de mim para ti (vós)."
Um dia, talvez, o cansaço crescerá em mim de tal forma que falar de amor me provocará enjoo. Nesse triste (e que triste) dia, deixarei de ser Homem, não é assim?"
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Quatro cavaleiros do apocalipse
Há bandas que, de certa forma, são nossas. É a “nossa” banda, enquanto os anos passam. Sabemos que essas músicas para nós nunca vão deixar de soar, por mais que os sons sejam já diferentes, por mais que as pessoas à nossa volta já estejam fartas de nos ouvir falar dela. Começamos a encaixar diversas músicas e diversas letras em diversas alturas da nossa vida. Quando dá aquela batida, sentimos de novo aquilo que sentimos em determinado acontecimento. Sabemos que um álbum, por mais vezes que tenha sido ouvido, nunca nos cansa. Gostamos de descobrir pequenos segredos nos álbuns, gostamos que nos surpreendam com pequenas notas e truques escondidos e, depois de tanto tempo, ainda cantam alguma coisa que nos faz pensar “é mesmo isto”.
Eu comecei a ouvir quando era pequena. Inicialmente ouvia porque era o que dava cá em casa, depois comecei a gostar de algumas, mais tarde deliciei-me com a obra.
Por mais que as modas mudem, isto perdura:
Tanque - Ornatos Violeta
Um dia ele chegou tão diferente
Do seu jeito de sempre chegar,
Olhou-a dum jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar,
E não maldisse a vida tanto
Quanto era seu jeito de sempre falar,
E nem deixou-a só num canto,
Pra seu grande espanto
Convidou-a pra rodar.
Então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar.
Com seu vestido decotado,
Cheirando a guardado de tanto esperar.
Depois os dois deram-se os braços
Como há muito tempo
não se usava dar,
E cheios de ternura e graça
Foram para a praça
E começaram a se abraçar.
E ali dançaram tanta dança
Que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade
Que toda a cidade se iluminou.
E foram tantos beijos loucos,
Tantos gritos roucos
Como não se ouvia mais,
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz.
Música:Valsinha
Autoria: Chico Buarque e Vinicius de Moraes
Interpretação: Chico Buarque
Mais precisamente para uma aldeia transmontana encravada entre penedos, vinhas, muitas árvores de cortiça e amêndoa, rios, afluentes e outros que tais de que o nome não me recordo. Confesso que nunca tinha passado no campo mais de dois ou três dias, sempre em turismo, ou e no caso de ter ficado lá uma semana, com um grupo grande de pessoas da cidade, o que sempre ajuda a disfarçar a ausência de coisas. Confesso portanto que parti com uma certa ideia de confusão na cabeça sobre o que encontrar, o que fazer, com que serviços contar nas redondezas. Depois de gozada por achar que nas aldeias existe pelo menos uma farmácia para casos mais urgentes, já que qualquer posto de saúde fica relativamente longe entre curvas dementes, e pelo facto de não existir sequer um café onde matar o vício, lá parti com a mochila cheia de coisas potencialmente capazes de encher o tempo. Ou seja, vim com cerca de vinte filmes e uns cinco livros, além de trazer o portátil e a internet na esperança de arranjar um pouquinho de rede.
Ora, sucede que o campo se mudou. E embora tudo permaneça por fora igual, a verdade é que (e recordando um texto que escrevi há umas semanas atrás), é agora possível ter tudo ao dispor como se estivesse em casa. Existe agora rede de telemóvel em qualquer lugar e a própria internet funciona, o que faz chegar os recados e informações longe e rápido, o que nos permite inclusive continuar a trabalhar. Com a simples vantagem de que aqui se pode andar mais lento, se pode sentir uma brisa quente e abafada a mostrar um pouco daquele que será o verão por estas bandas, com o rio límpido a convidar a entrada dos pés e as flores sempre a pedir que se cheire (o que não faço, pois desde pequena que sei que o meu cabelo projecta nas abelhas um certo desejo de pousio, pelo que para evitar pânicos desnecessários, prefiro ficar quieta).
Mas contudo, aqueles que de cá são mantêm-se parados no tempo, entre aldeias onde restam poucos, muitos poucos, estradas sem condições, escolas fechadas, parques infantis sem gente, serviços totalmente ao abandono e uma permanente solidão no olhar, entre crenças, devaneios, mas contudo sorrisos sempre prontos para aqueles que da cidade chegam. Com as histórias de padres que se perdem em mulheres e no álcool, lendas antigas onde nasceram as terras e filhos de primos e primos que tornam a descendência contaminada geneticamente. Existe nessas pessoas uma expressão no rosto que lembra que o tempo aqui parou. E embora muitas coisas tenham cá chegado, elas não notam, porque simplesmente não sentem essa permanente necessidade de ter tudo na palma na mão, de ter todas as distâncias asseguradas em segundos sem precisar sequer de sair de casa. Existe uma evolução que parece apenas ser notada pelos de fora, existem gerações que permanecem anos atrasadas, como se vivessem num universo onde o ritmo corre com certeza mais devagar. E a única coisa que consigo pensar é como será possível viver sem expectativas no sítio onde crescemos, sabendo que os nossos filhos provavelmente vão passar pelo mesmo e sabendo que nunca se irá conseguir evoluir, porque simplesmente se foi esquecido por tudo o resto à volta.
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