TRIBUNA online

por Tribuna em quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Para fazer download do Jornal Tribuna nº25/Dezembro2009 em formato pdf:

http://www.mediafire.com/?wlyjgmq3ioy

Rectius,

por Tribuna em quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

o alheamento em tempo de estudo prega partidas e faz com que o blog do Tribuna atravesse por isso um período de menor actividade.
Dizer, portanto, que até ao reiniciar do semestre académico as colunas diárias estarão suspensas, sem prejuízo dos colunistas escreverem com maior ou menos regularidade.

Jornal Tribuna

#40 às terças

por TR em terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O alheamento prega partidas. A época de exames é uma forma de alheamento. A época de exames prega partidas.
Passei pelo blogue da Sociedade de Debates e reparei, na barra lateral, no blogue do Tribuna. Lembrei: "Já não escrevo há algum tempo". Pois é. Acontece que só ao fim de uns poucos segundos a olhar para o computador me lembrei de que era 3ª. Quero fazer-me entender: não que não soubesse que hoje era "3ª", dia a seguir a "2ª", antes de "4ª". Não é disso que se trata. Simplesmente a minha terça despiu-se absolutamente de todo o conteúdo, desligou-se de tudo quanto em regra continha - tal como o dia de ontem, tal como o dia de manhã - para se encher de outras actividades que, ao que suponho, são partilhadas por muitos de nós. Tudo passa, até a uva passa, disseram alguns. E eu concordo inteiramente, não porque a uva passa passe, mas porque a uva passa, sendo a uva parte de tudo. Fechada a abordagem exegética, exponho como os velhos dias se esfumaram: domingo e segunda já não são os dias em que primacialmente preparo o post (ou adio a preparação para a terça), 3ª já não é o dia em que chego à FDUP de manhã e tenho Direito da Família às 11h, 4ª...ó ó, quarta já não é o dia a que, a cada quinze dias, nos reunimos à volta de uma mesa ou nos encafuamos no espaço exíguo do "gabinete da direcção" ou da "sala de reuniões" (assim soa melhor...), 5ª o das sete horas de aulas, 6ª o olá ao fim de semana e o fim de semana, bem, continua a ser uma válvula de segurança do sistema - mas que não está a funcionar.
Por isso, bem, como me haveria de lembrar das terças não fosse o acaso de o tribuneiro Pedro Ary, na qualidade de tribuno (a Soc. de Debates terá mais tribunos que "socialites"- é assim?), ter colocado aquela bendita barra lateral?

Reflexão científica

por D. em sábado, 26 de dezembro de 2009

Estive durante algumas horas a tentar perceber o que leva uma pessoa a empurrar e atirar um idoso ao chão, principalmente quando ele se encontra claramente debilitado pela idade já avançada. E a verdade é que não consigo encontrar um bom motivo para alguém se comportar desse modo! Talvez fosse necessidade extrema de aparecer na televisão, ou se calhar até eram mesmo perturbações mentais. Ou quiçá, tratava-se apenas de uma má pessoa, daquelas que existem aos magotes, mas que normalmente não estão tentadas a mostra-lo na televisão para que toda a gente possa saber.
Tem que haver sempre alguma notícia capaz de marcar o natal com um polémico assunto de conversa.

Votos Natalícios

por Angelina em quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Venho na qualidade de colunista semanal (embora não muito assídua) desejar um grande Natal a toda a comunidade tribuneira e todos os nossos leitores.Deixo-vos uma pequenina pérola que descobri recentemente.








Um grande bem haja!

Feliz Natal

por Zenhas Mesquita

bacalhau ou peru?

por Tribuna

O TRIBUNA deseja um Bom Natal e um Feliz Ano Novo a toda a comunidade da UP (em especial a comunidade FDUP), aos seus leitores e colaboradores.
Boas Festas!

P.S.: O presente do TRIBUNA será a versão pdf do jornal online, num sapatinho perto de si.

por Manuel Marques Pinto de Rezende em quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Olá boa noite,
chamo-me Mário Dias e contacto com vexas pelo seguinte:
Tenho 16 anos e sou legitimo proprietário de uma quinta virtual que administro no facebook.
Passo grande parte do meu dia a angariar novos vizinhos, a cuidar da minha horta e dos meus produtos, sem nunca descuidar o tratamento dos porquinhos e galinhas.
O meu primo Pipas sempre teve uma quinta muito mais pequena que a minha e ele pouco cuida dela (só lá vai uma vez por dia e durante uma hora apenas), foi por isso com espanto que ontem verifiquei que a quinta dele é neste momento uma quinta de luxo quando comparada com a que eu administro.
Ele disse-me que arranjou um subsidio e que se eu queria uma quinta igual tinha de o conseguir também.
Desta forma, venho perguntar o que preciso fazer para obter um subsidio para a minha quinta, não sei se me aconselha a inscrever num programa de apoio a jovens agricultores, se existe algum subsidio comunitário dirigido a administradores de quintas virtuais, se me tenho de dirigir a algum lado...
Pedia uma mão amiga que me auxilie para que possa continuar a ter sucesso neste mundo da lavoura virtual.
Não vos faço perder mais tempo.
Despeço-me com consideração e na esperança de receber uma resposta,
Mário Dias

Exmo Senhor,
a sua actividade agrícola é virtual numa rede internacional de relacionamento social. Não possui V. Exª nenhuma exploração agrícola real. Existem ajudas comunitárias para o sector (incluindo jovens agricultores) mas apenas para explorações reais. Nada virtual. Acresce que estes apoios comunitários se regem por normas bastante rigidas tendo sempre por base a implementação, de facto, de projectos.
Por tudo isto, se esclarece que não possuimos nenhuma possibilidade de atribuição de subsídios a todo ou qualquer projecto que não seja real.
Cumprimentos
C. Guedes
Secretária da Direcção
Ministério da Agricultura.

#39 às terças

por TR em terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Em tempo de Natal, este poema muito bonito de Regina Guimarães, bem evocativo do período (ou da noite).

Para fazer uma canção de Natal
É preciso açúcar e pau de canela,
Leite, aletria, pão seco e uvas passas
E misturar tudo bem à luz da vela.

Uns flocos de neve para o refrão
Um grande pinheiro a brilhar no meio
Uma galinha a pôr ovos dourados
Farofa na voz para o recheio.

Casca de limão para o nariz
E vinho do porto para a garganta
Música dos copos e dos talheres
O silêncio de uma toalha branca.

Regina Guimarães
Poema do mês na biblio. da FLUP.

"O Palhaço" por Mário Crespo

por Ricardo Mesquita

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.

E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.

Ou nós, ou o palhaço.

por Inês P. em domingo, 20 de dezembro de 2009

A lotaria implica noção do risco, ambição e desejo de ascender a algo mais. Esta aqui é especial.

Os candidatos a este prémio sabem, à partida, que só muito dificilmente o seu bilhete será o sorteado. Digamos, em abono da verdade, que neste jogo nem sequer o bilhete sorteado é garantidamente o que receberá o prémio, uma vez que a mínima mudança de circunstâncias poderá fazer com que este já não lhe seja atribuído. Se à inicial probabilidade mínima de ser escolhido acrescermos o enorme risco de o prémio poder escapar-nos das mãos, então seríamos tentados a pensar "Para quê apostar, se as possibilidades de ganhar o sorteio e o prémio são tão ínfimas?"
Mas não. O facto que leva tanta gente a arriscar, a apostar incansavelmente, mesmo conhecendo essa quase impossibilidade de ganhar, é esse prémio, um prémio tão incrivelmente fantástico, tão maravilhoso, que encerra em si tantas promessas de felicidade, que não há poder humano que faça os candidatos desistirem. Nesse jogo entregam o seu corpo, a sua alma, a sua vontade e a sua paz de espírito, ardendo na esperança de ser finalmente escolhido, de conseguir atrair até si essa boa Fortuna, de ver finalmente o seu flamante desejo satisfeito.
E falham. Inexoravelmente, toda a esperança cai por terra, a alegria da entrega desmaia, a luz da cobiça desaparece dos olhos. Falham. E recriminam-se, auto-analisam-se, procurando em vão qual o motivo pelo qual a boa sorte lhes fugiu mais uma vez entre os dedos... e a frustração cresce, frustração por não ser capaz, frustração por não ter poder para chegar a esse prémio, que desejam a toda a prova...
E eis que uma nova centelha de esperança rebrilha, e mesmo depois de apostar tudo, cansados, acabrunhados pela derrota, conseguem iludir o desespero para mais uma vez se entregarem por inteiro a esse jogo diabólico, forçando a vontade, como o navio que de novo desfralda as velas para se lançar à aventura no alto mar, mesmo depois de milhentas tempestades e aventuras.
O bilhete volta à tômbola, e irremediavelmente é deixado de fora de novo. Poderá, um dia, ser premiado. Poderá, mas a hipótese é tão infinitesimal que nada se pode dar por garantido. Pode ser hoje, pode ser na próxima semana, pode ser daqui a sete anos, pode ser nunca. No entanto, mesmo conhecendo o risco do jogo e a mágoa que deste resulta, os candidatos continuam a apostar, a apostar febrilmente, não se importando de perder, pelo caminho, a sua inocência, a sua confiança nos outros, a sua paz interior. Porque eles sabem que no dia em que deixarem de apostar, a própria vida perde o sabor, na medida em que perderam o seu mais importante valor - a Fé.

Crónica do Tudo e do Nada

por Angelina em sábado, 19 de dezembro de 2009

Ao ler o artigo (muito bom por sinal) sobre o novo exame de admissão à 0A , na edição deste semestre do Tribuna, deparei-me com uma informação que me era desconhecida. A "suprema ironia" como dizia um dos professores questionados sobre este assunto, de não ter sido implementado o processo de Bolonha...na Universidade de Bolonha, devido -e passo a citar o referido artigo -" a dificuldades práticas de implantação e à contestação estudantil" (enfim um sitio onde os estudantes ainda são merecedores de atenção).E pergunto-me eu : e Portugal teve condições para essa implantação? colocar (e não só como sabemos) cursos superiores com a mesma duração que cursos técnicos interessa para quê? para a dignificação do ensino não é de certeza. Portugal sempre foi conhecido pela qualidade da formação que possibilita (ao menos isso), grandes empresas e laboratórios procuram aqui recém licenciados.Estes nem hesitam pensando na falta de apoios que terão por aqui , utilizando as competências que alcançaram nas faculdades portuguesas lá fora... e isso é muito, muito triste.
Que isto de Portugal ser um país tacanho não é apenas senso comum . Antes fosse.
À conversa com outros colegas delegados na AgnuFdup , depois de saber que Portugal ia apoiar a resolução dos CPLP e não o da UE, não escondi a minha estranheza, pois se aquilo pretendia ser o mais fiel possível à realidade , Portugal nunca o faria, apoiaria sim e sem grandes delongas a da UE. Posso estar enganada mas a sensação que tenho é que a UE afirma e Portugal assina por baixo.
Já foi assim com Bolonha e é agora também com o novo sistema de normalização contabilística (SNC) que pretende entrar em vigor apartir de 1 de Janeiro de 2010 sem que as empresas estejam preparadas para o receber. E mais, em época de crise económica (se bem que essa é quase constante em Portugal) obrigar as empresas, nas quais se devia investir, a gastar Mundos e Fundos (que com certeza serão precisos), assim como tempo e disponibilidade (que leva a menor produtividade)para se adaptarem ao mesmo, simplesmente, como o próprio nome indica, para se alinhar com a Europa, é absolutamente surreal. Na prática esta mudança não vai ter grande impacto na área fiscal, só em sectores contabilísticos que para aqui não interessa especificar, mas acredita-se que vai colocar várias empresas actualmente em situação precária, em estado de falência efectiva.
Por outro lado, os EUA e a China,os maiores poluidores do Mundo, não diminuem as emissões de CO2 para a atmosfera para não comprometer a sua economia, e vem Portugal armado aos cucos (foi só para utilizar a expressão xD) propor-se emitir ainda menos do que já emite para se mostrar útil ( não pensando no que isso implica dado que até os EUA têm um backGround de apoio que nós não temos).É óptimo claro, mas infelizmente infimamente relevante numa perspectiva global sem cooperação do resto dos Países.
Não sou politóloga, nem aspiro a sê-lo, mas julgo estar já na altura de rever as prioridades do País.
Tanta miséria por aí espalhada, da qual parece que nos obrigam a tomar consciência por ser Natal (como se alguém minimamente focado já não desse por ela o ano todo) , e anda o governo preocupado com os casamentos entre pessoas do mesmo sexo (não desfazendo), proposta que vai em breve ser discutida na Assembleia da República ...e antes do orçamento de Estado!

Paz&Espada - V, a Batalha Final

por Manuel Marques Pinto de Rezende em sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Quando chegaram, o mundo assistiu impressionado, tal era a novidade.

Quando estabeleceram contacto connosco, meros mortais, asseguraram-nos que vinham em paz.

Depois, deram-nos a entender os seus objectivos: A Mudança (Change).

Curaram enfermos, surpreenderam-nos com a sua organização e boa vontade, e a sua esperança (Hope).

Ensinaram os nossos filhos a precisar deles, pois só com eles - a ajuda deles - a Humanidade enfrentaria os terríveis sacrifícios que acometem a sua existência. Tudo ia Mudar (Change), havia esperança (Hope), íamos conseguir (We Can).

Os nossos jovens entregaram-se a eles de corpo e alma, os nossos anciãos deram-lhes culto e louvores de Deuses da Paz.

Tardamos a descobrir que eles se armavam com a melhores e mais mortais armas da Humanidade - Change, Hope, Hubris. Idolatry. E eles viraram-nas contra nós.


PS: não, não estou a falar da Barack Obama.
Estou a falar da nova série da ABC, um remake da série dos anos 80 - V.


Maravilhoso mundo dos Patilhas

por Zenhas Mesquita em quinta-feira, 17 de dezembro de 2009





As patilhas são desde há muito, um objecto de orgulho entre os homens. Hoje falo de Sideburns, ou seja patilhas em inglês. Porque sideburns? Por causa de Ambrose Burnside, um guru do estilo, dandy oitocentista e General na Guerra Civil Americana.

http://en.wikipedia.org/wiki/Ambrose_Burnside#Sideburns

Mais um a entrar para o meu panteão de Heróis …

Se estivesse a representar o pessoal não docente da FDUP chamaria a isto um Paradigma...

por Frederico de Sousa Lemos

Depois desta vigésima quinta edição do Tribuna, nenhum de nós terá dúvidas de que estamos perante o Rolls Royce dos jornais universitários. Já a Revista Maria terá o posto equivalente entre as revistas femininas.

Ora, como qualquer estudante de Direito (e digo isto com todo o snobismo possível) é me de todo impossível admitir que, algum dia li, ou sequer passei os olhos pelas páginas da Maria. Nunca o fiz. Nunca. Jamais, como diria o outro. Nah!

Portanto soube da sua existência pela minha namorada. Minto, também é uma snob estudante de Direito. Diremos que foi a minha mãe que um dia me falou vagamente de ter lido a revista no metro. Minto novamente, a minha mãe não anda de metro. Se calhar fui mesmo eu! Mas não pode ser! Ou pode? Não! Sim? Estou confuso... Adiante!

Ouvi então eu dizer que há, na Maria, uma interessante secção equivalente aos anúncios de relax dos jornais, mas mais soft. Típicos anúncios apresentam-nos "homem solteiro, simpático e honesto, procura gata entre os 18 e os 36 anos para uma forte amizade ou algo mais" ou "cavalheiro viúvo procura senhora na mesma situação para relacionamento sério". Com mais ou menos emoção ("nunca encontrei o verdadeiro amor! Não terá um homem direito a amar?") as pessoas que enviam estes anúncios parecem sempre interessantíssimas, apesar de chegarem solteiras aos 36 anos (reparem na minha crítica social, que deixaria orgulhosa qualquer beata de Mondim de Basto!). Parecem, pelo menos até ao desvendar do blind date, aquele momento assustador em que o homem respeitável se revela ser, afinal, o Francisco Louçã. Duas palavras: me-do!

Mas de todos os anúncios que li (ou melhor, que pessoas que leram me contaram, obviamente) dois houve que me chamaram a atenção pelos critérios que exigiam que fossem cumpridos para que uma senhora respeitável pudesse ser seleccionada para o tal "relacionamento sério". Todos sonhamos com uma senhora "de braços grossos, pernas grossas, ancas largas e peitos grandes", certo? Não querendo tornar universal um certo padrão de beleza, parece-me que uma senhora com estas características seria mais cobiçada do que a Scarlett Johansson. Não, esperem... Uma senhora com estas características seria... um monstro! São gostos!

E mulher bonita é beirã! Pelo menos para o senhor que pedia expressamente uma senhora "residente nos concelhos de Celorico da Beira, Gouveia, Mangualde, Seia ou Oliveira do Hospital." Só destes concelhos, pedia o senhor!

Surge-me uma ideia, camaradas da redacção do Tribuna: se são solteiros, livres, descomprometidos e bons rapazes, será de ponderar fazer um Errâncias num (ou em vários) destes concelhos da Beira Alta. Façam me um favor e descubram se a exigência deste senhor tem razão de ser...

PS: O Tribuna está de parabéns. Não por ter publicado o número 25. Mas, por mais uma vez, ter publicado um jornal de grande qualidade, com artigos interessantíssimos dos quais só nos podemos orgulhar.

REUNIÃO

por Francisco em quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

HOJE, 13H!

Conferência com Jaime Nogueira Pinto

por Ricardo Mesquita em terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Apareçam!

o TRIBUNA fora de portas

por Tribuna

A conferência "Jornalismo na Universidade: Entre o Amadorismo e o Profisisonal", realizada no passado dia 19 de Novembro, no salão nobre da FDUP, aparece mencionada em dois outros jornais universitários: no editorial do Mundo Universitário do mês passado e ainda na página 9 do JUP (Jornal Universitário do Porto) deste mês de Dezembro, actualmente em distribuição.

NAS BANCAS

por Tribuna em domingo, 13 de dezembro de 2009

A partir de amanhã, começará a ser distribuido o nº 25 do Jornal Tribuna, edição impressa de Dezembro 2009.
Paralelamente, será pela primeira vez disponibilizada aqui no blog o download do Tribuna em pdf.
Boas leituras!

Comboio Fantasma

por Sara Morgado

Parece saído de um filme, mas não é.
Que todos os países tentam dar um jeito lá por dentro quando estão incumbidos de realizar um Mundial ou uns Olímpicos, toda a gente sabe. Mas a África do Sul tomou uma decisão digna de terror Série Z.
Para além de câmaras de vigilância e polícias que estão autorizados a atirar a matar, nas zonas de maior criminalidade haverá um comboio com um juiz e uma cela. O comboio percorre a cidade e vai apanhando criminosos numa viagem com direito a julgamento.
Nem sei quem é que teve tal ideia, mas alguém que na adolescência vivia num mundo de fantasia/thriller muito conturbado...

Orgulhos, Projectos e Conhecidos

por Anónimo



A Faculdade é aquilo a que teimosamente costumo chamar de "meu mundo", faço-o num tom carinhoso e de apropriação quase absoluta, pois a FDUP em 3 semestres tornou-se a minha segunda casa! Há tempos publiquei um texto num outro sítio onde estavam plasmadas muitas das barreiras que existiam na faculdade e com as quais contactei enquanto caloira, lamento informar que muito do que eu disse nao desapareceu, mas hoje sinto que algo mudou, algo muda todos os dias, algo fica diferente, talvez a diferença não esteja propriamente só no exterior mas talvez parta de nós, de mim! Hoje sinto orgulho, Sim porque também já tenho um exemplar do Tribuna e sim porque fiz parte deste projecto e sim porque ele é motivo de orgulho para mim, para todos os que trabalharam nele ( a quem deixo aqui os meus parabéns) e porque SIM, ele deve ser motivo de orgulho para a FACULDADE DE  (CRIMINOLOGIA) E DIREITO DA UNIVERSIDADE DO PORTO, é um trabalho de estudantes para estudantes, um trabalho conjunto com professores e nomes da sociedade portuguesa, um Projecto com 25 anos e com pernas para tecer um caminho cada vez melhor! Sim, Hoje, sinto orgulho, como activista da AI, gostei muito de trabalhar com várias entidades da FDUP, sim sinto orgulho porque a AGNU foi um projecto pioneiro e piloto pelo menos para mim e na minha perspectiva foi um sucesso! Sinto orgulho porque sou de Criminologia, porque adoro este curso, porque finalmente temos uma Comissão, porque o Jantar de Curso, foi uma excelente ideia, Criminologia é um curso diferente, um curso com as suas particularidades, um curso a crescer cada vez mais, É UM CURSO QUE SE DEVE MOSTRAR MAIS, QUE SE DEVE DAR A CONHECER, INTERVIR NUMA FDUP QUE TAMBÉM É NOSSA....

Nem tudo são Rosas, mas nada é perfeito, mas hoje só quero sentir orgulho porque chego ao fim de um semestre muito cansada, pensando naquilo que podia ter feito, no que podia ter feito melhor, aquilo que gostava de ter realizado, penso naquilo que quero fazer... Penso em todas as rivalidades latentes que encontrei e que vivem à sombra, cinismos, risinhos, na luta que tem de ser travada cada dia e penso em mim...

A FDUP "e o meu mundo" é o mundo onde hoje, 13 de Dezembro, digo ter conhecido Pessoas Espetaculares, onde digo que me sinto pequena todos os dias, onde me exigo todos os dias, onde me sinto mal e bem, mas como diria o Professor Cândido Agra, onde senti uma frustração durante dias a fio, mas onde chego ao fim de uma crise e digo humildemente e perante voces que Cresci, Aprendi, que agradeço por isso e que me deixem continuar a sentir muito pequena porque ainda há muito muito muito a prender!!!!

A FDUP precisa de mais e melhor, e isso não depende de mim, de ti mas de nós... Algo muda cada dia mas algo ainda há a mudar..

Ficaria aqui a escrever a tarde toda, com tanto que tenho para dizer no meio de uma débil saúde mental "Sou um ser doente", mas Orgulho, é a repetição textual que agora me faz sorrir e ter força para Findar os Trabalhos ( o pessoal da Crimi conhece este carma) e é Natal, Ano Novo e bota a marrar pessoal!!!

Um resto de um Bom Domingo

(há que recuperar do jantar de Natal que há que dizer que valeu cada cêntimo :))


Novos Rumos do Direito

por Angelina em sábado, 12 de dezembro de 2009

O departamento dos Novos Rumos do Direito novamente na vanguarda noticiosa.

Surge-nos nova polemica desta feita com um dos maiores sites de download de torrents do Mundo , o famoso Mininova . Um tribunal Holandês ,em Agosto, impulsionado por uma acção civil movida pela associação anti pirataria BREIN provou que a lei é para ser cumprida ordenando que não mais se procedesse a downloads ilegais por via daquele site.Poe isso deu até 3 meses para que o site retirasse todos os torrents referentes a arquivos protegidos por direitos de autor sob pena de multa de mil euros por link até um máximo de 5 milhões de euros caso não o façam ou ainda uma possível remoção definitiva.
Ainda não se sabe se os administradores , obviamente descontentes irão apelar da decisão, visto que a bola não tende claramente para o seu lado. Isto porque na Holanda , não é ilegal quem faz download de conteúdos com direitos de autor mas sim quem faz o seu upload, processo que é facilitado grandiosamente por aquele site onde não existe um servidor centralizado sendo todos uploaders e downloaders (para perceber melhor a importância destes conceitos ler o novo número do tribuna brevemente numa banca perto de si ) . Além disso possuem um filtro que elimina automaticamente conteúdos com pornografia infantil, vírus e afins e podem usa-lo facilmente para fazer esta nova censura de tráfego , portanto não se podem “queixar” de falta de mecanismo para proceder aos ditames da sentença e controlar os uploads feitos nos seus domínios.
Agora apenas distribuem conteúdos que novos artistas autorizem, o "content distribution", mas não me parece que o Mininova se aguente depois desta fatia tão grande retirada do seu bolo (estes direitos contemplavam no mínimo 80% dos arquivos constantes no site) , até porque levará certamente a um decréscimo na publicidade veiculada ao site, que constitui o seu motor de sobrevivência.
Tive oportunidade de reparar (meramente por curiosidade xD ) que a sentença já foi cumprida provando-se então que o cerco aos constantes contornos a lei está finalmente apertado. Neste caso o Mininova e outros do género ( o Pirate bay lidou com um processo semelhante na Suécia) aproveitavam-se do facto ( e perdoem –me a linguagem pouco técnica) dos seus sites não constituírem eles mesmos infracções ao copyright dado que se limitavam a remeter para arquivos e não a efectivamente possui-los, para alegarem que nada infringiam . Pois bem ..sim não violam a lei mas com certeza que facilitam essa violação e assim como tanto peca o autor de um crime como o seu cúmplice (embora em graus diferentes) e ainda aquele que pode impedi-lo e nada faz , assim aqui o mesmo raciocínio deve ser feito . E já esta a ser feito!

Continuação de bom fim de semana

PS: já tenho um exemplar do jornal comigo lalalala ..sinto-me também eu em vanguarda =)

A proposito do prémio nobel da paz

por Duarte Canotilho

"I have never advocated war, unless as a means of peace"

Ulysses S. Grant (general da união, e presidente dos EUA sec XIX)

à vinda de Braga:

por Francisco em terça-feira, 8 de dezembro de 2009

#38 às terças

por TR

Continuando com o direito na literatura:

“- Sente-se. Agora vai ouvir o senhor escrivão a ler a acusação. (…)
O jovem advogado de defesa, advogado oficioso, dissera-lhe que podia estar certo da absolvição, porque matara a mulher, cujo adultério tinha sido provado.
Na feliz inconsciência dos animais, não sentia sequer a sombra do remorso. E ter de responder por aquilo que tinha feito, isto é, por uma coisa que não dizia respeito a mais ninguém senão a ele, era o que não compreendia. Aceitava a acção da justiça como uma fatalidade inevitável.
Havia na vida a justiça, como no campo os maus anos.
E a justiça, com todo aquele aparato solene de cadeirões majestosos, de barretes, de togas e de penachos, era para Tarará a mesma coisa que o grande moinho novo a vapor, inaugurado com grandes festejos no ano anterior. Visitando-o com muitos outros curiosos, ao ver aquela engrenagem de rodas, aquele maquinaria endemoninhada de êmbolos e de roldanas, Tarará sentira surgir dentro dele, e crescer pouco a pouco, juntamente com o pasmo, a desconfiança. Cada qual iria levar o seu trigo àquele moinho; mas quem garantia aos clientes que a farinha era mesmo a do trigo entregue? Era necessário que cada qual fechasse os olhos e aceitasse com resignação a farinha que lhe dessem.
Assim agora, com a mesma desconfiança, mas com a mesma resignação, Tarará entregava o seu caso à engrenagem da justiça.
Pelo seu lado, sabia que rachara a cabeça à mulher com uma machadada, porque, ao voltar a casa num sábado à noite, encharcado e sujo, de uma propriedade um pouco abaixo da aldeia de Montaperto onde trabalhava toda a semana como um criado de lavoura, fora dar com um grande escândalo na Travessa do Arco de Spoto, onde morava, em San Gerlando.
Poucas horas antes, a sua mulher fora apanhada em flagrante adultério com o cavaleiro Dom Agatino Fioríca.
A senhora dona Graziella Fioríca, mulher do cavaleiro, com os dedos cheios de anéis, as faces tingidas de vermelhão e toda enfeitada, como uma daquelas mulas que levam ao som do tambor um carregamento de trigo à igreja, tinha guiado, ela própria, pessoalmente, o delegado da segurança pública, Spanó, e dois polícias, à Travessa do Arco de Spoto, para a comprovação do adultério.
A vizinhança não pudera esconder a Tarará a sua desgraça, porque a mulher ficara retida na prisão, com o cavaleiro, toda a noite. Na manhã seguinte Tarará, mal a vira reaparecer muito calada diante da porta da rua, antes que as vizinhas tivessem tido tempo de acorrer, saltara-lhe em cima de machado em punho e abrira-lhe a cabeça.
Vá a gente saber o que estava agora a ler o escrivão…”

Do conto “A verdade”, de Luigi Pirandello

Lampreia à moda do Minho

por Sara Morgado em segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ou como as pessoas do Norte têm hábitos bárbaros ainda que sejam extremamente católicas:

1º: esfola-se;
2º: junto ao umbigo dá-se um lanho para apanhar a tripa e ata-se esta com um cordão;
3º: junto às guelras tiram-se os pulmões e o coração e de seguida o fígado (que vem agarrado à tripa que se atou).

Eça de Queiroz dá nome a prémio cultural

por Inês P. em domingo, 6 de dezembro de 2009

"A Fundação Eça de Queiroz,juntamente com várias autarquias e empresas da região de Baião, prepara o lançamento de um novo prémio que visa distinguir diversas expressões culturais e homenagear o escritor Eça de Queiroz.

"É nossa intenção que o prémio não se limite à literatura, mas que abranja também a fotografia, a pintura e outras expressões culturais", referiu José Luís Carneiro, autarca de Baião.

A regulamentação do prémio está a cargo de Isabel Pires de Lima. A antiga ministra da Cultura é uma especialista na obra de Eça de Queiroz e integra o Conselho Cultural desta fundação.

O prémio de âmbito nacional, não tem ainda valor pecuniário definido e a sua atribuição será feita anualmente.

"Já era tempo de uma figura ímpar como Eça de Queiroz ter um prémio com o seu nome", afirmou ainda José Luís Carneiro."


Retirado daqui


(Espero ganhá-lo um dia)

Paz&Espada - Livres para Tarefas Sociais

por Manuel Marques Pinto de Rezende em sábado, 5 de dezembro de 2009



Uma Sociedade Civil atenta é um factor decisivo para uma melhor Sociedade, um melhor Estado, uma melhor Humanidade.

Só Homens e Mulheres Livres, Responsáveis dessa Liberdade e por essa Liberdade, com uma educação de Consciência e Respeito, podem dar à sua Comunidade a Ajuda, o Exemplo e o Humanismo que é necessário à construção de um país do qual possamos ter orgulho.

Comecemos pelas pequenas acções. O Forum, apoiado pela AEFDUP, vai começar com a recolha entre os alunos da FDUP de peças de roupa que estes se disponibilizem a oferecer. O mínimo que possam oferecer é igualmente valioso!
As instituições de caridade (a Caritas neste caso) estão especialmente necessitadas de roupa interior masculina. Nestes últimos dias de aulas, só vos pedimos um último esforço, cuidadosamente levado num saco com algumas ou alguma roupa, que nós encaminharemos para a Caritas.

Contribua!

Jantar de Natal

por Zenhas Mesquita em quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Deverá haver uma banda de musica ambiente. Aqui vão as minhas sugestões para a organização:






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El Fary:



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Kojon Prieto

#37 às terças

por TR em terça-feira, 1 de dezembro de 2009

“Há mais de um século, Victor Hugo declarava em carta a Brito Aranha que Portugal, por ter abolido a pena de morte, estava «à la tête de l’Europe» e justificava a asserção afirmando que «proclamer des príncipes, c’est plus beau encore que de découvrir dês mondes». Reconhecia nestes termos o maior, porque o mais universal e universalista dos génios do seu tempo, que os portugueses se tinham já libertado dos traumas da Inquisição castradora e enveredado pelo pioneirismo das grandes causas humanitárias.” (Ferreira de Brito, Joaquim de Araújo e a expansão europeia da Cultura Portuguesa, p. 9). Este tomada de posição de Victor Hugo reflecte-se, também, na sua obra literária (aliás, são os domínios do direito penal especialmente aptos a serem literariamente tratados).
De seguida, um percurso pel'"O último dia de um condenado" (Editorial Verbo (Livros RTP, 71), Lisboa, 1972)

O Tribunal.
“Havia três dias que o meu processo começara; três dias que o meu nome e o meu crime ajuntavam cada manhã um magote de espectadores, que vinham abater-se sobre os bancos da sala de audiências como corvos à volta de um cadáver; três dias que esta fantasmagoria de juízes, de testemunhas, de advogados, de procuradores do rei, passava e repassava diante de mim, um tanto grotesca, um tanto atroz, sempre sombria e fatal.”

“Estas poucas palavras, como o fio que quebra o voo do insecto, atiraram-me violentamente para a realidade. Voltei a ver de repente, como à luz dum relâmpago, a sombria sala de audiências, a ferradura dos juízes com as cadeiras carregadas de debruns ensanguentados, as três filas de testemunhas de caras estúpidas, os dois polícias nas duas extremidades do meu banco, e as roupas negras a agitarem-se, e as cabeças da multidão formigarem ao fundo, e fixar-se em mim o olhar penetrante dos doze jurados, que tinham velado enquanto eu dormia!”

O “sistema de recursos”
“Contemos o que me resta.
Três dias de espera depois de lida a sentença para a interposição do recurso.
Oito dias de esquecimento na secretaria do tribunal, após o que as peças do processo, como eles dizem, são enviadas ao ministro.
Quinze dias de espera no gabinete do ministro, que não sabe mesmo que essas peças existem, e que, apesar disso, manda, depois do exame, para o Tribunal da Relação.
Aí são classificadas, numeradas, registadas; é que a guilhotina está frequentada e cada um deve esperar a sua vez.
Quinze dias para verificar que não se comete nenhuma injustiça connosco.
Por fim, o tribunal reúne-se, geralmente à quinta-feira, rejeita em massa vinte deferimentos, e volta a mandar tudo ao ministro, que remete para o procurador-geral, que remete para o carrasco. Três dias.
Na manhã do quarto dia, o substituto do procurador-geral diz para consigo, enquanto põe a gravata: “Contudo, é preciso acabar com isto.” Então, se o substituto do escrivão não tem nenhum almoço de amigos que o impeça, a ordem de execução é minutada, redigida, passada a limpo, expedida, e no dia seguinte, desde a aurora, ouve-se na Praça de Grève martelar um madeiramento, e nas encruzilhadas gritar a plenos pulmões os pregoeiros enrouquecidos.”

As penas e os efeitos automáticos das penas.
“Apanharam-me, já tinha a idade, mandaram-me remar para a pequena marinha [galés]. É duro, as galés; deitar-se numa tábua, beber água transparente, comer pão negro, arrastar um peso imbecil que não serve para nada; levar bastonadas e apanhar o sol em cheio. Com tudo isto, tosquiam-nos; e eu que tinha um cabelo castanho tão bonito!... Não importa! Cumpri o meu tempo. Quinze anos, isso consegue arrancar-se! Tinha então trinta e dois anos. Uma bela manhã, deram-me um passaporte e sessenta e seis francos que tinha amealhado nos meus quinze anos de galés, trabalhando dezasseis horas por dia, trinta dias por mês, doze meses por ano. É o mesmo, eu queria ser honesto com os meus sessenta e seis francos, e tinha melhores sentimentos dentro dos meus trapos do que existem dentro de uma serapilheira de ave negra [padre]. Mas que diabos levem o passaporte! Ele era amarelo e tinha logo em cima forçado liberto. Era preciso mostrar isso em toda a parte por onde passava e apresentá-lo todos os oito dias ao maire da terra onde me obrigavam a vegetar. Bela recomendação! Um galeriano! Eu metia medo, e as crianças fugiam, e fechavam as portas. Ninguém me queria dar trabalho. Comi os meus sessenta e seis francos. E depois foi preciso fazer pela vida. Mostrei os meus braços bons para o trabalho, fecharam as portas. Ofereci o dia a quinze soldos, a dez soldos, a cinco soldos. Nada. Que fazer? Um dia eu tinha fome, dei um encontrão no carro de um padeiro (…)”

Os reclusos e a prisão.
“Todos os domingos, depois da missa, deixam-me no pátio, à hora do recreio. Lá, converso com os detidos. É um bem. Eles são boa gente, os miseráveis. Contam-me a sua vida, seria de causar horror; mas eu sei que estão a gabar-se. Ensinam-me a falar gíria, a rouscailler bigorne, como eles dizem. É toda uma língua enxertada na língua geral como uma espécie de excrescência hedionda, como uma verruga. Por vezes, uma energia singular, um pitoresco assustador; há chorume no andamento (há sangue no caminho); casar com a viúva (ser enforcado), como se a corda da forca fosse a viúva de todos os enforcados. A cabeça de um ladrão tem dois nomes: a sorbonne, quando medita, raciocina e aconselha o crime; o cepo, quando o carrasco a corta. (…) Dir-se-ia uma linguagem de sapos e de aranhas. Quando se ouve falar esta língua, sente-se o efeito de qualquer coisa de imundo e de poeirento, de um montão de trapos que sacudissem diante de nós.
Ao menos aqueles homens lamentam-se, são os únicos a fazê-lo. Os carcereiros, os ajudantes, os guarda-chaves – não lhes quero mal por isso – conversam e riem e falam de mim, diante de mim, como uma coisa.”
(p. 11,12, 25, 67, 19 e 20, respectivamente)

E, num conto na mesma edição, Claude Gueux, o apelo de Victor Hugo à humanização da sociedade e do direito.
“A questão, ei-la. A justiça, ainda não há um ano, retalhou um homem em Pamiers com uma faca; em Dijon, arrancou a cabeça a uma mulher; em Paris, fez, nas imediações de Saint-Jacques, execuções inéditas.
Essa é a questão. Ocupai-vos disso.
Vós vos querelareis depois para saber se os botões da Guarda Nacional devem ser brancos ou amarelos, e se a segurança é uma coisa mais bela que a certeza.
Senhores dos centros, senhores das extremas, o grosso do povo sofre! (…)
O povo tem fome, o povo tem frio (…).
Que provam estas duas úlceras?
Que o corpo social tem um vício no sangue.
Eis-vos reunidos em consulta à cabeceira do doente.
Esta doença, vós tratai-la mal. Estudai-a melhor. As leis que vós fazeis, quando as fazeis, não são mais que paliativos e expedientes. Uma metade dos vossos códigos é rotina, a outra metade empirismo.”

“E agora no lote do pobre, no prato das misérias, lançai a certeza de um futuro celeste, lançai a aspiração à felicidade eterna, lançai o paraíso, contrapeso magnífico! Restabeleceis o equilíbrio. A parte do pobre é tão rica como a parte do rico.
É o que sabia Jesus, que sabia mais completamente que Voltaire.
Dai ao povo que trabalha e que sofre, dai ao povo, para quem este mundo é mau, a crença num melhor mundo feito para ele.
Ele estará tranquilo, ele será paciente. A paciência é feita de esperança.”

Id, p. 145 e 146, 148

Amnistia --» honduras

por Anónimo

PRESS RELEASE


November, 30 2009
Honduras: Stock pile of tear gas grenades triggers fears of human rights abuses
Amnesty International has learned that the de facto authorities in Honduras have stock piled 10,000 tear gas cans and other crowd control equipment, triggering fears of an increased risk of excessive and disproportionate use of force by security forces around the presidential elections.
An Amnesty International delegation in Honduras to monitor the human rights situation around the presidential elections on 29 November received information of the recent official purchase of 10,000 tear gas grenades; 5,000 projectiles for tear gas grenades and a water spray tank, as well as the deployment of several thousands reservists.
“Since taking power, the de facto authorities have allowed the security forces to use tear gas, rubber bullets and live ammunition to punish demonstrators in Honduras, causing several deaths and serious injuries, and nobody has been held responsible,” said Javier Zuniga,

Head of Amnesty International’s delegation in Honduras.
“The past misuse of tear gas and other crowd control equipment, together with the lack of guarantees that the purchased equipment will not be used to attack demonstrators and the absence of investigations on past abuses paints an extremely worrying picture of what might happen over the next few days,” said Javier Zuniga.

It is not clear how this new equipment will be used or whether the security forces have received appropriate training or put the procedures in place to ensure that security operations in the context of possible demonstrations do not abuse human rights.
In July, Amnesty International visited a detention centre in Tegucigalpa and spoke to a number of demonstrators who were arbitrarily arrested and had been beaten and ill-treated.

Amnesty International also denounced that human rights activists and journalists critical of the de facto authorities have been receiving increased threats and intimidation.
In a facsimile signed by the First Battalion of Communications, the Honduran Armed Forces requested a local mayor to provide a list of names and phone numbers of activist members of the Resistencia, a movement opposed to the de facto authorities.
“Today, there’s an environment of fear and intimidation in Honduras,” said Javier Zuniga. “We have seen an increased level of harassment against those who are seen as opposed to the de facto authorities and officials responsible for the protection of human rights are not doing anything to investigate the incidents or stop them.”
The Amnesty International delegation will be in Honduras until 4 December. They are meeting with victims of human rights violations, representatives of human rights organizations, journalists, teachers and doctors. Meetings have also being requested with prosecutors, the Army and the Police.

http://www.amnestyusa.org/document.php?id=ENGPRE200911301429&lang=e

Dia mundial da Luta contra a SIDA

por Anónimo




Não é preciso dizer mais nada, todos já sabemos.....

1 de Dezembro "Restauração da Independência"

por Anónimo



Nunca é demais lembrar os heróis que fomos e que ainda podemos ser!