ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 30 de novembro de 2008

Nove horas e quinze minutos

- Como estão as coisas? – Perguntou Tiago a Vanessa, enquanto conduzia em direcção a Chelas.
- Como assim?
- O teu divórcio…
- Oh, nem me fales. Estou farto daquilo. O advogado dele tem feito de tudo para abrandar o processo o mais que pode. Ele sabe que eu tenho razão e mereço tudo aquilo que pedi. – Retirou um cigarro do seu maço. – Posso?
- Claro.
Vanessa acendeu o cigarro e abriu a janela do carro.
- Ainda falta muito?
- Não, devemos estar quase a chegar. – Respondeu Tiago.
O telemóvel de Vanessa começou a tocar dentro da carteira. Vanessa retirou-o. Era uma chamada anónima. Atendeu.
- Estou?
- Mamã?
- Sara? O que é que foi filha?
- Está aqui um senhor que quer falar contigo. – A voz de Sara soluçava.
- Mas filha, espera aí, está tudo bem contigo?
Vanessa já não ouviu resposta da filha.
- Está? Está? Sara?
- Bom dia, Sra. Matos. Tudo bem consigo? – A voz calma de um homem surgiu do outro lado da linha.
- Onde é que está a minha filha? Onde é que ela está? – Vanessa começou a gritar para o telemóvel.
- O que é que se passa Vanessa? – Perguntou Tiago, enquanto encostou o carro na berma da estrada.
- Sra. Matos. Acalme-se. A sua filha está aqui ao meu lado. Ela está bem. E vai continuar a estar bem desde que faça tudo o que eu disser.
- O que é que quer? – Perguntou Vanessa, branca como a cal.
- Vanessa o que é que se passa? – voltou a perguntar Tiago, tentando-lhe tirar o telemóvel, mas Vanessa não o deixou e saiu do carro.
- Sra. Matos, presumo que esteja a caminho de Chelas, da Zona J, para fazer a sua reportagem. Pois bem, volte para trás e venha para a escola da sua filha. Seja rápida, tem de cá chegar antes das dez menos um quarto, percebeu? Ou a sua filha morre.
Ao ouvir aquela última palavra, Vanessa sentiu as suas pernas fraquejarem e caiu no chão.
- Sra. Matos? – Perguntava a voz do telemóvel.
Vanessa voltou a si, pegou no telemóvel rapidamente e respondeu:
- Sim, estou aqui. Diga.
- Traga uma máquina de filmar e alguém que saiba usá-la. Tem meia-hora, não se atrase, pelo bem da sua filha.
- Espere! Quem é você?
- Não lhe interessa, por enquanto. Apenas venha até à escola. E não contacte a polícia ou a sua filha morre. Entendeu? Não contacte a polícia.
- Sim…
A chamada terminara. Vanessa estava apática. Como é que isto lhe tinha acontecido?
- Vanessa? – Era Tiago, que mais uma vez a chamava.
- Sim… Desculpa.
- Que chamada foi essa?
- Alguém tem a minha filha refém. Temos de ir até à escola dela.
- Vamos é telefonar à polícia! – Disse Tiago, enervado.
Tiago pegou no telemóvel de Vanessa e começou a marcar o 115, quando Vanessa o impediu.
- Eles matam a minha filha se ligarmos à polícia.
- Como é que eles sabem que nós vamos ligar à polícia?
- Não sei… Mas tenho medo. É a vida da minha filha que está em jogo. Por favor, não ligues. Vamos fazer o que eles querem.
- Muito bem. Entra no carro. Eu conduzo.

***
- A mulher estava petrificada de medo, pude senti-lo na voz dela. – Disse Anarquia a Fernando, logo após ter desligado o telemóvel. – Dois dos teus homens que tragam a bomba para o polivalente.
- Muito bem. Vou já tratar disso. – Respondeu Fernando, saindo da beira de Anarquia.
Anarquia baixou-se, de modo a ficar da mesma altura que Sara Matos. A menina tinha dez anos, acabada de entrar para o quinto ano. Não tinha ouvido a conversa entre Anarquia e a sua mãe.
- A tua mãe já vem aqui para o pé de ti. – Disse-lhe Anarquia. – Não estejas assustada, vai tudo correr bem. Volta para a beira dos teus amigos.
A rapariga foi a correr e a chorar até à beira dos colegas da turma dela e da directora de turma. Um dos cuidados que Anarquia teve foi o de dividir os alunos pelas turmas e deixá-los com os directores de turma. Um adulto no meio de cada trinta crianças ajudaria a mantê-los na ordem. Afinal, ele não tinha em mente matar nenhuma criança a menos que fosse estritamente necessário. Olhou em volta. Um rapaz, já crescido, na casa dos treze anos, tinha as calças molhadas. Fez sinal a um dos homens para o ir buscar e levá-lo à beira dele. A professora, directora de turma do rapaz, ficou nervosa e por momentos tentou impedir o homem de o agarrar, mas bastou um olhar acutilante de Anarquia para a mulher e ela ficou imobilizada. O rapaz já chorava quando o homem o trouxe para a beira de Anarquia.
- Porque choras rapaz? Já és um homem crescido. – Disse Anarquia, não procurando ficar à mesma altura do rapaz desta vez.
- Tenho medo. – Respondeu, entre soluços e lágrimas.
- Como é que te chamas?
- Salvador.
- Bem, Salvador, vou-te contar um segredo. A melhor maneira de reagires a situações como estas, sabes qual é?
- Qual?
- É pensares para ti próprio que já estás morto. Assim, tudo se torna mais fácil de suportar. E de sobreviver.
E, de repente, Salvador parou de chorar. Olhou para Anarquia. Anarquia sorriu. O rapaz inspirou fundo e voltou para o lugar. Entretanto, Fernando e dois homens reentraram no polivalente segurando num grande caixote castanho. Carregavam-no com um extremo cuidado. Pousaram-no à beira de Anarquia. Fernando perguntou-lhe:
- Retiramos já a bomba da caixa?
- Não, deixa-a estar ainda dentro. Afinal não queremos iniciar o pânico aqui dentro quando ainda não existe pânico lá fora.

Do amor simples

por D. em sábado, 29 de novembro de 2008

Enquanto cegava, gritava e depois repousava o corpo quente e suado, sobre lençóis que não seus. Suspirava e depois dizia meia dúzia de palavras de amor para não deixar o corpo do lado chorar. Quando voltavam à sua vista todas as cores e o fôlego ficava quieto, o corpo levanta-se e dizia apenas, como um velho desconhecido:
- Amanhã, pode ser à mesma hora?
Mas acabava por nunca voltar ao mesmo lugar.

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende

Proposta de discurso final de George W. Bush, caso ele desistisse hoje (in Dodgeblogium):

Normally, I start these things out by saying ‘My Fellow Americans.’ Not doing it this time. If the polls are any indication, I don’t know who more than half of you are anymore. I do know something terrible has happened, and that you’re really not fellow Americans any longer.

I’ll cut right to the chase here: I quit.

Now before anyone gets all in a lather about me quitting to avoid impeachment, or to avoid prosecution or something, let me assure you: There’s been no breaking of laws or impeachable offenses in this office.

The reason I’m quitting is simple. I’m fed up with you people.
I’m fed up because you have no understanding of what’s really going on in the world. Or of what’s going on in this once-great nation of ours. And the majority of you are too damned lazy to do your homework and figure it out.

Let’s start local. You’ve been sold a bill of goods by politicians and the news media.

Meanwhile, all you can do is whine about gas prices, and most of you are too damn stupid to realize that gas prices are high because there’s increased demand in other parts of the world, and because a small handful of noisy idiots are more worried about polar bears and beachfront property than your economic security.

We face real threats in the world. Don’t give me this ‘blood for oil’ thing.
If I were trading blood for oil I would’ve already seized Iraq ’s oil fields and let the rest of the country go to hell.

And don’t give me this ‘Bush Lied…People Died’ crap either. If I were the liar you morons take me for, I could’ve easily had chemical weapons planted in Iraq so they could be ‘discovered.’ Instead, I owned up to the fact that the intelligence was faulty.

Let me remind you that the rest of the world thought Saddam had the goods, same as me. Let me also remind you that regime change in Iraq was official US policy before I came into office.

Some guy named ’ Clinton ’ established that policy. Bet you didn’t know that, did you?

Now some of you morons want to be led by a junior senator with no understanding of foreign policy or economics, and this nitwit says we should attack Pakistan , a nuclear ally.

And then he wants to go to Iran and make peace with a terrorist who says he’s going to destroy us. While he’s doing that, he wants to give Iraq to al Qaeda, Afghanistan to the Taliban, Israel to the Palestinians, and your money to the IRS so the government can give welfare to illegal aliens, who he will make into citizens, so they can vote to re-elect him.

He also thinks it’s okay for Iran to have nuclear weapons, and we should stop our foreign aid to Israel . Did you sleep through high school?

You idiots need to understand that we face a unique enemy. Back during the cold war, there were two major competing political and economic models squaring off. We won that war, but we did so because fundamentally, the Communists wanted to survive, just as we do. We were simply able to out spend and out-tech them.

That’s not the case this time. The soldiers of our new enemy don’t care if they survive. In fact, they want to die. That’d be fine, as long as they weren’t also committed to taking as many of you with them as they can.

But they are. They want to kill you, and the bastards are all over the globe.

You should be grateful that they haven’t gotten any more of us here in the United States since September 11. But you’re not. That’s because you’ve got no idea how hard a small number of intelligence, military, law enforcement, and homeland security people have worked to make sure of that.

When this whole mess started, I warned you that this would be a long and difficult fight.

I’m disappointed how many of you people think a long and difficult fight amounts to a single season of ‘Survivor.’

Instead, you’ve grown impatient. You’re incapable of seeing things through the long lens of history, the way our enemies do. You think that wars should last a few months, a few years, tops.

Making matters worse, you actively support those who help the enemy Every time you buy the New York Times, every time you send a donation to a cut-and-run Democrat’s political campaign, well, dang it, you might just as well Fed Ex a grenade launcher to a Jihadist. It amounts to the same thing.

In this day and age, it’s easy enough to find the truth. It’s all over the Internet. It just isn’t on the pages of the New York Times, USA Today, or on NBC News.

But even if it were, I doubt you’d be any smarter. Most of you would rather watch American Idol or Dancing with Stars.

I could say more about your expectations that the government will always be there to bail you out, even if you’re too stupid to leave a city that’s below sea level and has a hurricane approaching.

I could say more about your insane belief that government, not your own wallet, is where the money comes from. But I’ve come to the conclusion that were I to do so, it would sail right over your heads.

So I quit. I’m going back to Crawford.

I’ve got an energy-efficient house down there (Al Gore could only dream) and the capability to be fully self-sufficient for years. No one ever heard of Crawford before I got elected, and as soon as I’m done here pretty much no one will ever hear of it again. Maybe I’ll be lucky enough to die of old age before the last pillars of America fall.

Oh, and by the way, Cheney’s quitting too.

That means Pelosi is your new President. You asked for it. Watch what she does carefully, because I still have a glimmer of hope that there are just enough of you remaining who are smart enough to turn this thing around in 2008.

So that’s it. God bless what’s left of America .

Some of you know what I mean. The rest of you, kiss off.

PS - You might want to start learning Farsi, and buy a Koran.

O Belicista

por Duarte Canotilho em sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A 9a Arte!!!

Bons dias caro leitor! Vejo que ja esta acomodado à sua cadeira em frente ao computador, e pronto para ler mais uma edição do Belicista essa coluna do tribuna que nem a neve, nem a chuva, nem a noite escura consegue impedir de ser publicada. -- Mas o leitor pergunta "é pá mas nas 2 ultimas sextas ela nao apareceu!"-- Errado! A ultima ediçao foi publicada fora de horas devido a um erro no sistema informatico global. E à duas semanas 2 grupos radicais religiosos, que como o leitor seguem esta coluna, mantiveram-me refem com pretextos de quererem Bandas desenhadas! Por isso hoje é pretexto para falar da Banda desenhada!!!!!!

Ora como o leitor deve ter reparado o titulo deste texto é a 9a arte. Pode parecer ridiculo, mas é verdade que 60% das pessoas a quem perguntei qual era a 9a arte, não me conseguiram responder, com o pretexto, e cito "só sei qual é a 7a arte!".

Bom! agora que a introdução foi feita tenho a dizer que estou completamente abismado com a TACANHÊS do povo portugues, relativamente à banda desenhada. O leitor tá agora a pensar... olha me este, eu que até gosto de banda desenhada, e ele vem me chamar tacanho. Nem pensar!! O leitor não! pois o leitor tem bom gosto e de certeza que gosta de banda desenhada. No entanto aqueles ali não gostam... e sabe porquê? Porque acham que é coisa pa miúdos.

Infelizmente em portugal vemos que as pessoas chamam macaquinhos aos desenhos... como se fosse coisa de criança. Infelizmente é ostracizado (mais pelos mais velhos, e mais tacanhos) aquele que gosta de ler BD. Infelizmente a nossa sociedade julga que BD é rato mickey e pateta! Mas a questão põe-se... Porquê?

A resposta? Provavelmente porque em Portugal só é bom livro aquele com muitas letras; Aqueles livros com desenhos e BONECOS, são pa miudos pequenos! VERGONHA. No entanto os livros da carolina salgado já é cultura, e as biografias dos jogadores de futebol ja são cultura!!!
"I spit on this". Vejo montes e montes de vezes as mães e pais a não querer dar BD's aos filhos com o pretexto dos Macaquinhos serem pa miudos pequenos. (NO entanto o leitor deve concordar comigo ao pensar que esses mesmos pais devem ver a floribela e os morangos com açucar e a rebelde way)
E queremos que a cultura deste pais avance...
Bom o texto ja vai longo por isso despeço me com uma sugestão! Dizem que vai sair uma BD muito boa no jornal tribuna. Leiam e depois critiquem.

Frases Soltas

por Luísa em quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Não me apetece escrever. Então não escrevo. Engano a minha mente dizendo que tenho que fazer algo mais importante. Sento-me na secretária e organizo apontamentos. O telefone toca. Corro para que seja eu a atender, para que aquele momento não seja mais um em vão. Não era para mim. Sento-me no sofá e ligo a televisão. Está a dar uma das minhas (muitas) séries favoritas. O tempo passa e eu nem me apercebo. Começo a ouvir o meu cão ladrar. Olho pela janela. Já é de noite e ele tem fome. Lembro-me então que tinha um texto para escrever. Vou dar de comer ao meu cão na esperança que o texto se tenha escrito por si.

Nada. Nem uma palavra. Então penso e sai um conjunto de palavras que qualquer um poderia escrever. Sorrio. As palavras podem ser escritas por qualquer um, mas estas frases são minhas, não são de mais ninguém. Sorrio de novo. Lembro-me que posso não ter feito nada, mas que ao menos tenho poder sobre a minha vida. Olho para o relógio. Ainda é cedo. Falta muito até chegar a meia noite e ouvir a melodia que tanto gosto.

Felizmente, a propósito de nada

por Inês


É uma coisa terrível a morte de um pai. Nem que seja de um ponto de vista extremamente egoísta: um pai é o que está entre nós e a morte.

Lobo Antunes

De nihilo nihil

por Milady of Winter em terça-feira, 25 de novembro de 2008



Günter Grass - o artista plástico

"Günter Grass nasceu em Danzig, na Alemanha, a 16 de Outubro de 1927. Depois de uma aprendizagem como canteiro, estudou, entre 1948 e 1952, artes gráficas e escultura na Escola de Belas Artes em Düsseldorf com o professor Otto Pankok. De 1953 a 1956 frequentou os cursos de escultura de Karl Hartung nas Belas Artes de Berlim. Nesse ano, 1952, foi editado o seu primeiro livro com poemas e gravuras, "Die Vorzüge der Windhühner". Para Günter Grass, Prémio Nobel de Literatura de 1999, e um dos mais relevantes escritores da Alemanha pós-guerra, escrever e desenhar estão intimamente ligados. Junta-se assim aos duplos talentos da nossa época tais como Oskar Kokoschka, Alfred Kubin, Ernst Barlach, Hermann Hesse e Friedrich Dürrenmatt."

De 15 de Novembro a 4 de Janeiro, em exposição na Galeria de Arte do Teatro Municipal da Guarda, a qual já tive oportunidade de visitar.

#8 às terças, quase como acaso

por TR

O homem de meia-idade acomoda-se na bancada improvisada, são dois degraus de pedra paralelos ao beiral que ladeia o campo, e fuma cigarro atrás de cigarro, soldados arregimentados num quartel chamado maço

- mas tu matas os teus soldados todos, ó palhaço?

- são carne para canhão, nunca ouviste dizer, ó tono?

E riem-se todos, assim se fala nas Alvinhas, onde as asneiras são dizer o que a alma não alimenta. O homem com não mais de 40 anos tem a pele gasta, rugas por todo aquele rosto deixado ao deus-dará, e quando pensa na bola já não sorri, que os tempos são de luto e infelicidade. Lá entra a equipa das Alvinhas, bandeira de cor verde e branca, recordando as verdes cores do lugar. Chegam de peito para fora, hoje é dia da foto em equipa, vem à frente o capitão de braçadeira em braço a comandar os heróis do povo em júbilo, faz o sinal da cruz na linha de cal e olha para o céu,

- Que não tenha nenhuma lesão e que os cabrões percam.

E o que vem em segundo também faz uma reza, pensa na filha Eunice e como a bola já é um custo, a filhota quer ver o pai à noite e o pai já não ignora o sofrido “papá, porque é que hoje não ficas em casa?”, ainda há dias falara disso com o mister

- tu precisas disto para viver, gigante. Se tu sais outro entra; a tua filha tem muito tempo para estar contigo

E por isso hoje está em campo, mas continua a pensar na pequena, olha para a bancada e vê-a, está com outras meninas a brincar com umas pedras vistas ao canto. “Eunice, Eunice”, e a miúda olha de rosto amuado, e o pai tenta pensar na bola, é disso que ele precisa, o mister ainda há uns dias o revelara. Os outros também chegam, ao todo são onze, entram de rostos obstinados e duros, vamos vencer, vamos vencer, o guarda redes entra de fita vermelha no cabelo, chamam-lhe iguita, mas o jogo é só daí a pouco, agora é para tirar a foto para os anais, vamos lá aproximar-nos.

O homem de meia idade endurece o olhar e aproxima-se do beiral

- seus vendidos! De cor branca! Vendidos!

E os jogadores perdem o conforto, há um que está de peito para fora, é o Fonseca, o branco é a cor da grande equipa do distrito, clube que apelida de seu desde que se conhece,

- tem calma, Zé, tem calma.

- tem calma? Os palermóides dos directores andam para lá a chular o Alvinhas! A cor da equipa sempre foi o verde e branco, é a cor da bandeira, é a cor do clube, e agora é todo branco com o estupor da risca azul no meio, parecem reis, deviam era ter dignidade! Nós somos verde e branco! Até a porcaria do patrocínio é a mesma merda! – e volta ao soldado feito de tabaco, está transtornado, e o nervosismo alastra…O público entra em polvorosa, chovem insultos para o campo, o alvo já não é o árbitro ou o juiz auxiliar, os insultos já não aludem à bandeirola amarela e laranja que lhe serve de instrumento de trabalho, os directores são apupados,

- Até a bandeira tiveram vergonha de hastear

E uns quantos olham para o fundo do campo e não vêem a bandeira do Alvinhas, o seu verde e branco escolhido pelos 25 fundadores da colectividade naquele 17 de Outubro de 1968.

O fotógrafo tira finalmente a foto que hoje vejo em frente. Não se vislumbram 11 jogadores alinhados, 6 atrás e 5 À frente, mas um aglomerado de selvagens a dirigirem palavras ao fotógrafo, ou aos que atrás deste se situam. Há no entanto um homem procurando manter-se hirto com os olhos marejados de emoção, um outro de rosto envergonhado e um último, o Fonseca, de sorriso no rosto inteiro e peito para fora. À noite, pelo menos é o que contam, dirá no bar da sede

- Agora sim, temos um equipamento à Castelo Maior, branco com franja azul.

E pelos vistos um homem de meia-idade não identificado aproximar-se-á de punhos fechados e desferirá um golpe no rosto do Fonseca. Chegarão a cair gotas de sangue. Mas dirão que a honra do Alvinhas ficou reposta.

O Belicista... edição atrasada

por Duarte Canotilho

Peço desculpa por nao ter publicado nada na sexta, mas estava em pinhel e entretanto nao tive acesso a internet.
Fica uma frase de Nietzsche para pensar...

"Quando lidas com monstros tem de ter cuidado para nao te transformar no monstro. Quando olhas para o abismo o abismo também olha para ti.."

ANARQUIA

por João Fachana em segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Nove horas e dez minutos:
Duarte acabava de entrar nas instalações do G.O.E., quando foi puxado por um homem. Duarte olhou para quem o puxava. Reconhecia-o, era o velho Magalhães.
- Magalhães! Ainda andas por aqui?
- Sim, é o meu último dia. A um dia da tão esperada reforma. Tomas um café?
- Claro.
***
O Café onde Duarte e Magalhães entraram estava à pinha, como era normal naquela hora do dia. No entanto, conseguiram sentar-se numa mesa, ao fundo, com duas cadeiras vazias. Quase que parecia ter sido deixada vaga de propósito para os dois. Duarte chamou o empregado e pediu dois cafés cheios. Magalhães iniciou a conversa:
- Então Duarte, como vais? Como está a tua mulher e filho?
- Estão bem. Não tenho estado muito em casa, infelizmente. Gostava de conseguir passar mais tempo com o meu filho. Mas vai-se andando como se pode, não é? E a tua mulher?
- Vai bem, tão contente como nunca a vi em quase cinquenta anos de casamento! Deve ser por eu me ir reformar!
Magalhães soltou uma gargalhada, mas depressa essa gargalhada foi abafada por um silêncio pensativo. Duarte inquiriu:
- O que é que se passa, Magalhães?
- Hum, nada Duarte, nada. – Respondeu Magalhães, acordando do pensamento.
- Vá lá, conta-me o que é que te estava a preocupar.
- Bem, não é uma preocupação. Estava-me a perguntar o que é que será a minha vida daqui para a frente.
- Será uma boa vida, espero.
- Muito melhor do que esta, tenho a certeza. – Magalhães soltou um suspiro. – O que me inquieta é que passei demasiado tempo aqui, tempo demais. Pergunto-me se serei capaz de me desligar disto, de ver tranquilamente uma notícia na televisão de um sequestro sem fazer nada de todo. Vai ser difícil.
- Hás de ultrapassar isso, tenho a certeza.
O empregado voltava à mesa com os dois cafés em cima da bandeja. Pousou-os na mesa e afastou-se. Duarte pôs o açúcar. Magalhães não.
- Já te disse imensas vezes que o açúcar estraga o café.
- Não consigo evitar. – Duarte riu-se.
- Há quanto tempo fazes parte do G.O.E?
- Dez anos. Já é algum tempo.
- Tempo suficiente. Devias sair agora, Duarte, a sério.
- Não te estou a compreender.
Magalhães fez um breve silêncio, após o qual disse:
- Não compreendas então. São as palavras de um gajo que já andou aqui muito tempo. As palavras de alguém que se soubesse o que sabe hoje tinha saído muito mais cedo, reformar-se antecipadamente como muita gente faz.
Na televisão do café viam-se as notícias do dia. Falavam do habitual debate quinzenal da Assembleia da República. O tema escolhido, pela oposição, era sobre Segurança. Magalhães olhou para a televisão e riu-se:
- E os morcões do Parlamento hoje vão zurrar sobre Segurança… Falar para estar calado, é o que é, Duarte! Este país está uma valente merda. Sacrificamos a nossa segurança, a nossa vida familiar, os nossos amigos, para quê? Para cada vez estarmos pior. É cada maluco que por aí aparece a querer-se barricar, a assaltar bancos, a matar gente…E por mais esforço que um gajo faça, isto continua cada vez mais…
Tenho uma história para te contar, Duarte. Era eu ainda um polícia de ronda, quando numa noite assisti a um assalto em flagrante. Um rapaz, para aí de 18 anos, a tentar roubar a carteira de uma velhota. O rapaz tirou-lhe a carteira e correu. Eu corri atrás dele e lá o consegui apanhar, mas ao tentar agarrá-lo empurrei-o contra uma parede. Ele bateu violentamente com a cabeça numa zona mais bicuda da parede e acabou por morrer com um traumatismo craniano. Senti-me mesmo mal na altura. O inquérito contra mim foi arquivado, afinal aquilo tinha sido um acidente, mas não me deixei de sentir culpado por ter deixado aquilo acontecer ao rapaz. Hoje penso que ainda bem que isso aconteceu. Se ele não tivesse morrido naquele dia, hoje provavelmente estava a assaltar bombas de gasolina, ou pior, a matar pessoas. Infelizmente a vida fez-me ver que um homem criminoso por mais que queira nunca deixará de o ser. E torna-se cada vez mais perigoso. A nossa profissão é tão ingrata, Duarte. Basicamente tentamos fazer com que criminosos não levem um tiro da polícia.
- Nós tentamos é fazer com que os reféns não morram.
- Pois, isso era o que eu pensava na tua idade. Não, nós tentamos fazer com que os criminosos vivam. Se eles baixarem as armas é uma vitória. Se eles levarem um tiro, é uma derrota. Os reféns sempre foram secundários. Infelizmente a realidade é assim.
- Não concordo.
- Não concordes então. Vais ver com os teus próprios olhos. Se não for hoje, vai ser amanhã. Haverá um dia em que tu vais ter consciência que o que está no centro das tuas atenções não é a vida dos reféns, isso é secundário. O que está no centro das tuas atenções é impedir que o sequestrador morra. Essa é que é a verdade.
Duarte olhou para o relógio. Eram quase nove horas e meia.
- Tenho de voltar. – Disse.
- Eu também. Ainda tenho algumas coisas para empacotar.

Amaterasu

por Sandra Pinto

No teu corpo de núpcias embalo a mudez cerrada,
Embalo os ecos das trevas no cativo do silêncio,
Repetindo a melodia do teu nome, navegante da perdição
Encerras-te em mim, lume letal!


Mimos de sulfúreo instante
Incensos agrestes carregam o teu perfume
Sublime, sacrílega os travessos da loucura
Matriz do ciúme e amante da amarga saudade


Encanta-me o fado do teu crime
O teu gesto lívido de cor de vaidade
Crês nos meus escritos a imensidade
O teu encanto doce pinta a eternidade

Versos, versos, versos!
Cinzas do destino em chamas
Ninho indigno de desejo roubado
Lúbricas fragatas, Vénus de cetim!

Autora:
Sandra Pinto

Artigos de opinião

por Tribuna em domingo, 23 de novembro de 2008

Todos os interessados (alunos da FDUP pertencentes ao Conselho Editorial, alunos não integrantes do Jornal Tribuna e docentes) em enviar artigos de opinião para publicação na edição de Dezembro, podem-no fazer no máximo até quarta-feira. O artigo não deverá ultrapassar as 4 páginas a4.

Os Directores do Tribuna,
Francisco Noronha
João Duarte Sousadias

Da abstracção

por D. em sábado, 22 de novembro de 2008

Hoje fui ao final da tarde sair com os meus pais. Ia no banco de trás e pedi para ligar o meu mp3 no rádio. E confesso que já há muito tempo que não conseguia abstrair-me tanto das coisas que me rodeiam como hoje. Durante a viagem inteira ia a olhar pela janela e a cantar, a cantar várias canções, vários estilos, várias coisas e fixava os pontos que se mexiam do outro lado da janela. Sentia a cara quente do ar quente que entrava pelos coisinhos de saída de ar do carro. E quando o carro parou, reparei que tinha uma mancha do ar quente que saía da minha boca e sorri sozinha como se tivesse descoberto uma das coisas mais preciosas do universo. Senti-me como se tivesse conseguido apagar tudo da cabeça, todas as palavras, todas as pessoas, todas as coisas para fazer, as coisas feitas a meio, todas as dores, todos os amores, todos os desejos, e confesso que foi como fazer uma espécie de reboot ao cérebro.

**

por Anónimo em sexta-feira, 21 de novembro de 2008



"E se a Caixa de Pandora fosse o nosso próprio coração?

Abririam-lo?"

henriquemaio


Treze

por Luísa em quinta-feira, 20 de novembro de 2008

13 olhares cúmplices. 13 sorrisos.
13 conversas ou apenas uma.
13 Homens, apenas uma face, a mesma face.
O rosto pelo qual tantas vezes passei naquele jardim. O rosto que me fez acordar cedinho (por volta das onze :P ) num domingo de manhã. O rosto que me fez despertar para o momentos que tenho perdido por viver depressa demais.
Pergunto-me quantas vezes não passámos por eles...
13 idosos a irradiar felicidade. 13 idosos numa pacata conversa. 13 idosos numa silenciosa brincadeira.
Pergunto-me quantas vezes não olhámos para eles...
13 idosos que, naquele domingo, eram mil. 13 idosos que eram apenas um espírito sonhador. 13 idosos, uma ideia criativa.
Pergunto-me se algum dia lhes daremos o devido valor...

Obrigada, Moñuz

De nihilo nihil

por Milady of Winter em terça-feira, 18 de novembro de 2008

LIBERDADE 21 - Aos sábados à noite, na rtp1

«António Capelo e Ana Nave – veteranos na arte de representar, mas nem por isso considerados os protagonistas mais prováveis quando se trata de projectos televisivos - assumem as personagens principais de Liberdade 21, a nova série que a produtora SP Filmes está a preparar para a RTP1.

De autoria de Pedro Lopes/SP Televisão e com guião das Produções Fictícias, esta série mergulha no universo da Lei e Ordem, nomeadamente nos meandros da Vasconcelos, Brito e Associados, uma das grandes sociedades de advogados da capital, conhecida por não olhar a meios para defender os seus clientes.

Raul Vasconcelos – um ego do tamanho do mundo, profissional astuto e alma de conquistador – e Helena Brito - mulher de garra, simultaneamente implacável e terna - são os pilares desta sociedade que alberga ainda vários advogados contratados, estagiários e afins. »

# 7 às terças, quase como acaso

por TR

Quando labores jus tribuneiros me roubam a salubridade mental para escrever sobre o nada, aproveito e deixo palavras que não são minhas mas que, felizmente, roubei para páginas rasgadas pelo meu punho. Em tinta azul, talvez de esferográfica bic. Ou talvez não.
"O comum das pessoas, na garganta deles, não passa de deglutição difícil, gentezinha sonsa, privada de talento e não iluminada por nenhuma graça. Essa gente da Literatura, amor, ensinou-o a censurar-me a ignorância, a preguiça de ler um livro ou grandes artigos de fundo num miserável jornal político. A essa parte que em sí ruia, amor, quisera eu dizer que não era preciso conhecer a fundo o conflito Irão-Iraque ou o problema palestiniano para ser pessoa e merecer ser tratada de forma inteligente. Nunca foi claro para mim que isso da perestroika ou do apartheid fosse tão indispensável ao meu amor por si como a arte de lhe sorrir ou o prazer de o receber na minha cama..."
João de Melo, Gente Feliz com Lágrimas
Para a próxima semana volta o nada com alguma história ao centro. Ou uma história no todo recheada, no seu númeno, de nada. Depois verei. Ou, simplesmente, deixarei que o acaso flua.

Foster + Partners

por Guilherme Silva

Já lá vão anos, mas lembro-me que duas características da fria (três, afinal) Londres me marcarem sobremaneira. A primeira foi o pairante odor a fritos que rapidamente se me colou às fossas nasais, a segunda a fascinante arquitectura da cidade. Fabulosos edifícios Barrocos onde um dia Henry Purcell adormeceu sobre as suas partituras, majestosos edifícios Vitorianos onde eventualmente Oscar Wilde terá aliciado jovens burgueses e robustos marinheiros a pertencerem-lhe por uma noite, e magníficos exemplares da mais moderna arquitectura onde delinquentes como Alex da Large se cruzam com Yuppies e Bobbies todos os dias. E é aqui que chego ao tema central desta Ode à arquitectura Londrina: Sir Norman Foster e a Foster and Partners.
Já lá vão anos, mas lembro-me que ainda à sombra do Tate Modern, me senti como que observado por algo gigantesco que arranhava o céu por trás do meu ombro. Ainda em construção mas já imponente, a sede da Swiss Re da autoria da Foster and Partners pairava sobre Londres como uma qualquer maquiavélica obra do Grande Irmão. Situado em pleno centro económico londrino, este incomparável edifício marcou a arquitectura moderna, reinventando-a, arrisco.
De novo o vidro, de novo a fibra. Para não mais a rigidez, o aborrecido ângulo recto, a pesada horizontalidade. Este “Ovo de Páscoa”, como um dia um menino estrangeiro lhe chamou, encorpava a nova Londres, veloz, vertiginosa e subversiva.
Deparei-me com outras obras deste senhor e seus colegas espalhadas um pouco por toda a cidade. Desde a nova abóbada e praça central do Museu Britânico à própria Câmara Municipal, por toda a cidade Norman Foster deixa a sua marca. Agora, anos volvidos, o mundo rende-se a este grupo de criativos. Parques Zoológicos na Dinamarca, arranha-céus em NY, pirâmides no Kazaquistão, Sir Norman Foster está em todo o lado.

Estava à mesa e não tinha um tema para esta semana. Comi um ovo e lembrei-me. Não é fantástica a arquitectura?

www.fosterandpartners.com

Saudade

por Sandra Pinto em segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Mais uma poesia
que oculta meus segredos.
Escondo os recados que irrompem
nas dunas do meu pensamento,
nos delirios da profundeza
da minha face que naufraga
nos meus soluços adormecidos,
no silêncio que outrora
gelava a minha alma.
São já páginas lidas no anoitecer
as galerias da minha face.
O vício dos teus beijos,
o êxtase de alcova alva,
onde os versos afugentavam
as palavras ausentes da melodia
dos meus lábios e os relógios
impiedosos nos separavam...
O aroma da madrugada
em que cintilavas desenha o hábito
do inevitável tatuado em mim.
Paira ainda na claridade,
a carícia do punhal eloquente
do proibido dos teus olhos,
da harpa do jasmim da esperança
que me acolhe em cada enigma
que minha condição tenha perdido..

Autora: Sandra Pinto

alea jacta est

por Ary

"António Gonçalves Annes Bandarra (1500 - 1556), mais conhecido por Bandarra, foi um profeta popular, natural de TrancosoPortugal. É uma figura histórica do distrito da Guarda. Era sapateiro de profissão e dedicou-se à divulgação em verso de profecias de cariz messiânico. Tinha um bom conhecimento das Escrituras do Antigo Testamento, do qual fazia as suas próprias interpretações. Por causa disso, foi acusado pela Inquisiçãode judaísmo e as suas trovas foram incluídas no Catálogo de Livros Proíbidos, já que suscitaram interesse sobretudo entre cristãos-novos. Foi inquirido perante este tribunal, sendo ilibado, mas foi obrigado a participar na procissão do auto-de-fé de 1541 e também a nunca mais interpretar a Bíblia ou escrever sobre assuntos da Teologia.


A sua obra chamou-se Paráfrase e Concordância de Algumas Profecias de Bandarra e foi editado por D. João de Castro. A obra foi interpretada como uma profecia ao regresso do Rei D. Sebastião após o seu desaparecimento na Batalha de Alcácer-Quibir em Agosto de 1578. Em 1815 é editada uma nova edição com o título Trovas Inéditas do Bandarra e entre 1822 e 1823 sai mais uma edição com o título Verdade e Complemento das Profecias . As Trovas do Bandarra influenciaram o pensamento sebastianista e messiânico de Padre António Vieira e de Fernando Pessoa. São três os pontos da profética de Bandarra: o Quinto Império, a ida e regresso de el-rei D. Sebastião e os destinos de Portugal. Após ter sido julgado pelo Tribunal do Santo Ofício, em 1541, e do qual recebeu pena leve, retornou a Trancoso onde veio a falecer em 1556." in Wikipedia

ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 16 de novembro de 2008

Oito horas e cinquenta e cinco minutos:

- Como vê, Sra. Directora. – Anarquia olhava para o relógio. – Os meus homens são muito eficientes.
- O que é que você quer daqui?
- Não se preocupe com isso, vai sabe-lo em breve, como todos os outros. Ou talvez não. De qualquer forma, vamos ver como tudo isto corre. Nem tudo é planeado ao milímetro, assim não tem piada não é? É sempre preciso uma pitada de… Improviso. Vamos!
Anarquia empunhou a arma e fez sinal para a Directora se levantar da cadeira e sair pela porta. Anarquia foi atrás dela, com a arma encostada às suas costas. A secretária já não estava na mesa, estava também no polivalente, como Anarquia constatou. Todos os funcionários estavam lá, menos o porteiro, claro. Fernando aproximou-se dele:
- Não devias estar de cara tapada? Assim se tiveres de fugir tens aqui pelo menos trezentas testemunhas que te viram. – Sussurrou Fernando ao ouvido de Anarquia.
- Não te preocupes, está tudo sobre controlo. Toma conta dos reféns, eu já venho, tenho um pequeno problema a resolver.
Anarquia afastou-se, saiu do polivalente tranquilamente e, depois, começou a correr desalmadamente até à entrada da escola onde estava o porteiro. Mal o avistou, abrandou o paço e voltou a andar calmamente, escondendo o seu revólver atrás das costas. Tal como suspeitava, o sacana do porteiro não tinha ouvido ou tinha ignorado o aviso da secretária da Directora. E já parecia assustado com o barulho dos tiros.
- Você veio de lá de dentro? – Perguntou o porteiro. – Pareceu ouvir-me tiros e gritos.
- Não ouviu a ordem da secretária? – Perguntou Anarquia rispidamente.
- Não, não ouvi.
- Devia ter ouvido. E devia ter cumprido.
- Quem é você para falar assim comigo?
- O seu carrasco. – E sem um momento de fôlego, tirou a arma de trás das costas e disparou. A bala alojou-se no crânio do porteiro, mesmo no meio dos olhos. Ele caiu para trás, morto.
Anarquia olhou em redor. Não via ninguém, nenhum olhar curioso, nenhum carro a passar. Tinha sido o “timming” perfeito. Revistou o homem. Não tinha telemóvel. Teria avisado a polícia pelo telefone da sua cabine? Pegou nele e carregou na tecla “redial”. O número 112 apareceu no visor do telefone. Desligou e praguejou, dando pontapés ao cadáver do porteiro. Depois acalmou-se. Um ligeiro contratempo. Pegou no seu telemóvel e discou um número.
- Está?
- Fernando, houve um ligeiro contratempo, o porteiro telefonou para o 112. Eles devem ter enviado um carro-patrulha ver o que se passa.
- Achas que é melhor fugirmos?
- Nem penses! Trata é de procurar a Luísa Matos. Depois de eu resolver este problema, temos de começar de imediato o nosso plano. – E desligou.
Mal tinha acabado de desligar o telemóvel quando viu um carro da polícia, com as sirenes ligadas ao fundo da rua da Escola. Tirou o casaco do fato que vestia e substitui-o pelo blusão do porteiro que estava pousado numa cadeira. Felizmente o impacto da bala não o tinha salpicado de sangue. Dirigiu-se à entrada. O carro estava quase a chegar. Parou à sua frente e de lá saíram dois agentes da PSP.
- Bom dia. – Disse um deles. – Foi você que ligou para o 112?
- Sim, sr. Guarda, fui, mas afinal não houve perigo nenhum. Confundi o barulho de disparos com umas bombinhas de Carnaval. E umas míudas assustaram-se. Enfim, uma brincadeira de rapazes para se meterem com as raparigas.
- Podia ter avisado a central, escusávamos de aqui vir… – Disse o outro polícia meio irritado.
- Sim, tem razão, mas sabe, estive a repreender os rapazes e nem me lembrei de voltar a ligar. Peço imensa desculpa.
- Pronto, da próxima vez ligue só mesmo em caso de emergência. – Disse o primeiro agente.
- Sim, é o que farei. Muito obrigado e mais uma vez desculpem pelo incómodo.
- Um bom dia. – Disseram antes de voltarem a entrar no carro e de arrancarem.
Mal os polícias se afastaram, Anarquia voltou à cabine do porteiro e voltou a trocar o blusão pelo seu casaco. O cadáver poderia ficar ali a apodrecer. Ligou novamente para Fernando.
- Situação resolvida. E já encontraste a rapariga?
- Já. Já está aqui ao meu lado.
- Óptimo, já vou para aí. – E desligou.
De qualquer das formas, mesmo que alguém passeando por aquela zona cheirasse o cheiro a morte vindo do cadáver não faria diferença. Afinal, daqui a uma hora, no máximo, aquele sítio estaria cheio de polícias…

Metereologia

por Ary

Hoje está um dia ainda melhor =)

Parabéns a você

por Tribuna em sábado, 15 de novembro de 2008

O Tribuna dá os parabéns à sua querida poetisa Sandra Pinto. :)

Venham daí muitos mais anos... e muitos mais versos!

Hoje, de novo

por D.

Hoje está um belo dia não está?

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende em sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Texto dedicado ao meu amigo e colega Henrique Maio, no maior sentido de camaradagem.
Henrique, caso leves a mal, podes agredir-me no estômago, ou em qualquer meandro do meu sistema ôntico.

Axiologia Críptica do Sistema Ôntico do Recipiente de Conserva de Produtos e Bens Juridicamente Hidrográficos no seu Enxerto Racional em Azoto Líquido - A Dogmática Kantiana nesta Problemática.

Os limites da perspectiva antropológica ligada à parentalidade antropológica são muitas vezes confundidas, no decorrer de algumas investigações funcionalmente abjectas, com a necessidade intrínseca do ser comummente adjectivado de "Normal".
Nem sempre esta previsão "normalizada" partilhará das características mais puras e científicas. Temos no entanto de nos certificar, em vista a evitar positivamente os paradoxos (não nos devemos importar em evitar negativamente os paradoxos) de uma existência social não raras vezes taxativa em relação ao sujeito consumidor de bens inadequados ao "tabu" do pragmatismo.
Este mundo em histeria perfeitamente contextualizada com uma obra de Kirkegaard ou Morais Sarmento procura etiquetar, no seu Enxerto Racional, a enorme falta de ideias que acompanha a maioria dos autores literários do nosso tempo.
Distinguimos dois pontos por entre a parafrenália materialista que consome o Recipiente:

  1. o primeiro é a necessidade consequente de nomear um segundo ponto;
  2. o segundo, é a rara propagação de um terceiro ponto.

*

por Anónimo



"A vida não é triste. Tem horas tristes."
Romain Rolland


pequenos instantes...

por Joana Maltez

Num estado de alienação absoluta, os seus sentidos estavam entorpecidos, e mal sentia o vento a roçar-lhe na face. A sua visão desfocava a cada passo, e os cheiros, demasiado intensos, penetravam em si como mil facas; ao fundo, ouvia sons ensurdecedores e só aquela música lhe soava familiar.
Cansada de tanto andar, descansou um pouco num qualquer banco de jardim, e lá ficou durante horas, que pareceram pequenos instantes, no meio de todo aquele mar de reflexões. Já anoitecia quando, por fim, levantou a cabeça e tirou a mão do queixo. Ao chegar a casa, no fim de mais um dia extenuante, deitou a cabeça na almofada, e mais uma vez a dor do pensamento apoderava-se dela.
Por vezes, a consciência do sofrimento dói mais que o próprio sofrimento! - pensou, antes de adormecer.

por Luísa em quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mais um daqueles momentos em que o computador não canta. Procuro desesperadamente por um fio solto, uma má ligação, um botão que me faça ouvir aquela melodia que tanta falta sinto.
Mas nada. Apenas um vazio de temas, o som das teclas. O mesmo som. Sempre o mesmo som.
Não percebo como me sinto, mas a verdade é que um copo meio cheio percorre a minha alma. Tento desesperadamente imagina-la, mas faço-o em vão.
Sei de um crime que não cometi por amor, mas por mim. Cruzam-se sentimentos dos quais já não havia memória.
Sinto-me demasiado cansada para remar contra a maré. Encosto-me ao sofá e tento não pensar mais nisso. Procuro não pensar em nada. (ai como eu queria ouvir aquela música!) O mundo do silêncio em meu redor vai desabando e eu, eu permaneço impávida e serena.
"É A HORA!"

percorrendo a lua

por Francisco

Encontrei hoje num caderno uma frase por mim escrita há uns tempos, pronunciada por um (grande) amigo meu. Diz respeito a uma conversa que estávamos a ter sobre um local que algumas pessoas frequentam. Mesmo eu sabendo que isto pouco contextualiza a frase, apeteceu-me deixá-la aqui.

"Ainda se fosse um sítio para eles se sentarem e fazerem planos para conquistar o mundo..."

FN

Life's soundtrack

por Inês


Já é outra vez quinta-feira e eu sem nada para dizer. Sem tempo para inventar, com demasiado na cabeça para escolher. Deixo-vos então aquele que é o meu pano de fundo nas mais variadas horas - desde as de estudo às de pura comunhão com a natureza ou com a cidade.
Esta semana serve de banda sonora ao meu trabalho de DF. Em momentos de falta de concentração vale-me sempre - se tocada baixinho junto ao ouvido faz desaparecer o mundo à nossa volta. Nem sei bem por onde começar...Por isso vou para o início. Senhoras e senhores: Keith Jarrett, The Koln Concert - Part I.


A Mim Ninguém me Cala: Racistas, Nazis e Fascistas… Será que nunca mais desaparecem???

por Pedro Silva

Um funcionário da EPUL está a ser alvo de processo disciplinar com intenção de despedimento depois de ter reenviado para os colegas um e-mail humorístico com uma foto de campanha de Barack Obama com a mensagem «não vote em branco»

A imagem divulgada pelo funcionário foi considerada ofensiva e xenófoba pela administração da EPUL (Empresa Pública de Urbanização de Lisboa), avança o jornal Público. Segundo a nota de culpa enviada pela advogada da empresa, o e-mail é «particularmente grave» devido ao seu «conteúdo racista».
«No e-mail o arguido não se limitou ao envio da imagem. Ainda acrescentou o seguinte: ‘Mas ainda se lixam que ainda o vão ter como presidente…’», refere ainda a nota de culpa.

Para a advogada, o funcionário «não se comportou de forma ética ao difundir por e-mail conteúdos de natureza discriminatória em função da raça e de juízos valorativos reprováveis e merecedores de censura ético-social, cujo conteúdo é gravemente ofensivo dos direitos fundamentais».

O funcionário faz parte de um grupo de dirigentes da EPUL afastados dos seus lugares no início do ano por decisão da administração e que estão com salários reduzidos.

Empresa e funcionário escusaram-se a prestar declarações ao Público.

Fonte: SOL

Agora atentemos nestes Comentários que foram feitos pelos leitores desta Notícia:

Não sabia, mas já desconfiava, que tinha entrado em vigor a lei da rolha. Agora só podemos chamar castanho a um preto!
corichon, em 2008-11-13 12:17:11

Só demonstra racismo por parte dos chefes do funcionário, ou então os chefes do devem ser pretos ou amantes de pretos. Gente com uma mente sã ouve uma coisa desta ri e esquece, só um racista disfarçado é que fica ofendido.
Robert, em 2008-11-13 12:03:25

Sabem de uma coisa? Quando acabar o Curso vou fazer uma "Emigração " forçada como Lenine fez, porque vivo num País que tem um Deputado na Assembleia Regional da Madeira que é assumidamente NAZI, tem na Capital um Cartaz de um Partido FACISTA E RACISTA com mensagens XENÓBOFAS dirigidas aos Estrangeiros que habitam em Portugal e não só.

Pode ser que aquando do meu regresso esta espécie de gente já tenha sido extinta...

A Mim Ninguém me Cala: Sempre a pobre Bola (ou será Bola pobre?)

por Pedro Silva



Cartoon retirado de Pitecos