Para lembrar a data =)

por Anónimo em sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"Esta semana "o mundo histericamente perfeito" transfigura-se na maravilhosa e já conhecida HalloweenTown, revisitando-a e procurando lembrar as aventuras e desventuras de Jack e companhia!" Just drink pumpkin juice =)"

henrique maio

O Belicista

por Duarte Canotilho

A Terceira Bomba atomica

Finalmente vou publicar aqui um artigo sobre guerra. No entanto este artigo não vai falar sobre a guerra convencional a que estamos habituados, em que se tem espingardas e metrelhadoras e se anda aos tiros. Não! Hoje vamos falar sobre a guerra secreta. Sobre uma guerra em que se cometem atrocidades, em que os que sabem não dizem, e os que sofrem não podem dizer.

Ora todos nós sabemos o que aconteceu na segunda guerra mundial em agosto de 1945. 2 bombas atómicas foram lançadas pelos americanos nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki. Desde então o mundo soube o verdadeiro poder dessas armas, e durante anos viveu-se num clima de possivel guerra nuclear. Durante anos milhares se opuseram ao lançamento de novas bombas atómicas e de armas carregadas com RADIO (sim não é radioactividade que põe nas chamadas dirty bombs, põem um substancia presente nos residuos nucleares chamada RADIO).

Ora na década de 90 houve uma incursão no iraque a cobro(e na minha opinião muito bem) das Nações Unidas. No entanto no iraque que foi bombardeado pelos F-117 e outros aviões, (acho que os B.52 também la estiveram) houve uma grande resistência na cidade de Bassorá. Soube-se que os Americanos bombardearam exaustivamente a cidade. No entanto a resitencia continuava. Ora durante a tempestade do Deserto houve um bombardeiro que efectivamente se dirigiu para bassorá e largou um bomba. (Isto apos uns dias de bombardeamento)
Essa bomba causou um grande clarão, um sismo de 4,7 na escala de richter e um nuvem muito parecida com um cogumelo,(ainda que as fonte que eu vi diziam que nao era como o de hiroshima).

À Primeira vista diriamos que se tratava de uma bomba atómica. No entanto a nuvem cogumelo seria enorme e os relatos que há, não apontam para isso. No entanto podemos dizer que a nuvem tinha RADIO, isto porque a taxa de cancro desde 91/92 aumentou em 900% na cidade, e região de Bassorá.

Daí que eu proponho 3 hipoteses
- Efectivamente os americanos mandaram 1 bomba atomica, e os relatos porque são de pessoas das cidades envolventes não têm a percepção do tamanho da nuvem. Ou
- Os americanos Mandaram uma bomba Atómica mais fraca pois o impacto na opinião publica podia ser estrondoso se se soubesse que uma atomica como a de hiroshima foi lançada
- Ou então os americanos mandaram uma bomba com radio, e assim fazem a chamada querra quimica(que eles tanto odeiam). E que na minha opinião é tão má como as outras 2.

A verdade é que Bassorá foi a cidade mais devastada da tempestade no deserto e onde houve mais mortes.
EStas informções foram recolhidas de jornais com a noticia, já há um mes atras, jornais estrangeiros (e americanos). Telejornais e não jornais em papel.

mau sinal

por Manuel Marques Pinto de Rezende

Hoje, também eu sonhei que o Tiago Ramalho era um koala.

O negócio mais rentável do mundo

por Luísa em quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Se pensavas que eu iria falar do "negócio da china", esquece.
Se pensavas que eu iria falar da máfia italiana, esquece.
Se pensavas que eu iria falar de uma rede de droga/prostituição, é melhor desistires de tentar.


O motivo que me fez escrever hoje foi o constatar de um facto que me deixou verdadeiramente estupidificada.

Bem, eu passo a contar...


Há três dias atrás, fui deixar um fato a uma loja 5 à SEC (ou lá como se chama) para que fosse "retirada" uma nódoa. Fiz o pré-pagamento (como é exigido) e vim-me embora com o intuito de lá voltar na quarta.
Ontem, depois de uma tarde de muito estudo (quase, quase) na faculdade, fui buscar o tal fato. Tudo estaria bem se eu tivesse chegado lá com o meu talãozinho e o mesmo me tivesse sido devolvido nas tão desejadas condições. Infelizmente, isso não aconteceu. Não só a senhora me disse que o fato continuava com a mesma nódoa como também insinuou que eu não teria que reclamar visto que (e passo a citar) "o serviço, quando se trata de uma nódoa, nunca pode ser garantido".

Isto é, dito por outras palavras, as pessoas pagam por um serviço que pode ou não ser executado e não têm direito a reclamar. Querem melhor?

Contrariedades

por Joana Maltez

A sede de ter tudo ao mesmo tempo e de não ter nada em tempo algum.

Como um poço furado que não consegue reter a sua água, assim é esta ânsia de querer sempre mais.

Uma tentativa de escapar, que acaba sempre no mesmo lugar, o lugar onde não quero estar.

É por isso que nunca sei onde vou, nunca quero estar como estou, e sou sempre melhor quem não sou.

E de tanto querer acabo por não querer nada, não ter nada!

A sede de ser completa deixou-me sem nada para me completar.

de certeza absinto

por Manuel Marques Pinto de Rezende em quarta-feira, 29 de outubro de 2008

o homem não foi feito para trabalhar, mas sim para criar.

Agostinho da Silva

La Noyee

por Inês

Addiction.

A Mim Ninguém me Cala: Pare e reflicta

por Pedro Silva



"Hasta la vitória, siempre!"

"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."

"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera."

"Os nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também ser privados daquilo que falta às outras crianças".

"Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos."

"Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra".

"O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade".

"O socialismo não é uma sociedade beneficente, não é um regime utópico, baseado na bondade do homem como homem. O socialismo é um regime a que se chega historicamente e que tem por base a socialização dos bens fundamentais de produção e a distribuição equitativa de todas as riquezas da sociedade, numa sitação de produção social. Isto é, a produção criada pelo capitalismo: as grandes fábricas, a grande pecuária capitalista, a grande agricultura capitalista, os locais onde o trabalho humano era feito em comunidade, em sociedade; mas naquela época o aproveitamento do fruto do trabalho era feito pelos capitalistas individialmente, pela classe exploradora, pelos proprietários jurídicos dos bens de produção."
"Não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental. Porque então ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens."

"Eu creio que a primeira coisa que deve caracterizar um jovem comunista é a honra que se sente por ser jovem comunista. Essa honra que o leva a mostrar-se a toda gente na sua condição de ser comunista, que não o submete à clandestinidade, que o não reduz a fórmulas, mas que ele manifesta em cada momento que lhe sai do espírito, que tem interesse porque é o símbolo de seu orgulho. Junta-se a isso um grande sentido do dever para com a sociedade que estamos construindo, para com os nossos semelhantes como seres humanos e para com todos os homens do mundo. Isso é algo que deve caracterizar o jovem comunista. Paralelamente, uma grande sensibilidade a todos os problemas e uma grande sensibilidade em relação a justiça."

"No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém..."

Ernesto Guevara de la Serna (Che Guevara)

talvez

por Francisco

Algum desgosto prova muito amor, mas muito desgosto revela demasiada falta de espírito.

de Shakespeare, há uns dias atrás no P2.

Francisco Noronha

A mim ninguém me cala: Fuerza Diego Maradona!!!!

por Pedro Silva

Cartoon retirado de HenriCartoon

Tal como o autor desta caricatura eu acho que Diego foi o MELHOR JOGADOR DO MUNDO relegando o Pélé para segundo plano... O que fez de errado foi o facto de não ter sido politicamente correcto como fez o tal "Rei"... Rei no Futebol só há um e é o actual Seleccionador da Argentina.

REUNIÃO

por Tribuna

hoje, às 14h15, no gabinete mais perto de si.

Um abraço,
Francisco

Instinto da Acção

por Duarte em terça-feira, 28 de outubro de 2008

Porto da minha infância

A cidade, como entidade viva, muda ao longo das eras. Transmuta-se de velha para nova. Velhos edifícios, pelo tempo corroídos, dão lugar a novas edificações já não de pedra, locais mais acanhados e frios.
A cidade transforma-se com o tempo, e com ela vão-se encontros casuais do dia a dia, pessoas que passam, lojas que fecham, locais que mudam. Resta-nos então a memória, a triste e magoada recordação dos espaços e dos seres.


A minha cidade de infância. Por vezes ela aparece-me no recanto mais escondido da alma. Surge-me também em longos passeios-peregrinações, no casual encontro com um elemento do passado. E em cada recordação mais forte o sentimento de pertença. Maior o amor que se têm a esta «mátria» a que chamo Porto, a que chamo lá no meu íntimo casa.
A velha rua que fazia ligação da baixa ao rio Douro ainda hoje parece suja. Aqui e ali, no entanto, a novidade se apresenta. A velha mercearia que meus familiares frequentavam transformou-se numa loja de chineses, locais onde tantas vezes o barato sai caro. O velho e gigantesco fontanário à noite ainda mete medo devido à sua amarelenta e fraca iluminação. A calçada ainda é de paralelo e não de alcatrão. por vezes, tentando criar em mim uma espécie de hipnose, regresso atrás no tempo e vejo esta minha cidade como era antes. Os tróleis a passar pela rua, sempre a perderem o contacto com a catenária. ouço ainda em mim os seus barulhos peculiares. O trânsito caótico ao final do dia. Afinal a cidade ainda só tem três ou quatro pontes.
E ali em baixo, já quando a memória avança para anos mais finesseculares, vejo um cãozito, daqueles de raça estrangeirada e que estão na moda. Passeia-se no velho jardim onde as pombas fazem companhia ao navegador. Ainda é novo. Sentados num banco, junto à estátua, alguém explica ao senhor reformado e ao neto que o cão foi caro. «Uma prenda do filho à mãe». Anos se passaram. A cidade mudou. O tempo avançou. Destruiu e reconstrui-o. O jardim passou a oferecer outra configuração. Sentados nos modernos muros, a criança que fora neto, acompanhado por uma pessoa que com atenção o ouvia a falar sobre o seu passado, reencontra o cão, já velhinho. Perseguem-no pelas vielas da ribeira e descobre a dona. Descobre, então, que o cão é o mesmo. E que todos os dias ali volta, sozinho e já mancando de uma pata, ao já mudado jardim. Alguma coisa ainda se conservava do passado. Seja na memória, seja na presença física dos seres. Mas naquele momento presente porém, mais passado e mais peso de o carregar espreitavam.


Memórias, tantas memórias. Algures afirma Nietzsche que o problema do Homem, o ele ser nihilista, é ele ter memória. Mas como eu protejo tanto estas recordações que me fazem sofrer por já não as poder reviver. Como eu me sinto por vezes portador de outros tempos. De uma cidade que cresceu em mim e para além de mim. De um Porto que já não existe e já não volta.


Reflexões nihilistas após a visualização, em Serralves, de «Porto da minha infância» do Mestre Manoel de Oliveira. Uma breve nota: o Porto teve escritores "emprestados". Camilo, Eugénio, Agustina, Manuel António Pina, só para citar alguns, não nasceram no Porto mas aqui se «deram», na belíssima expressão de Eugénio. Nasceu cá e recordou-a nos seus filmes o "nosso" quase centenário realizador. Uma arte parece ter compensado outra...

A minha alma está parva

por Luísa

Estava sentada em frente ao computador e, entre conversas sem interesse nenhum, encontrei uma notícia que me fez pensar...
Sei que não é hoje o meu dia de escrever, no entanto, não querendo roubar o protagonismo de quem o tem por direito, peço dois minutos da vossa atenção...


"Professor matou aluno que não fez os deveres

Um professor de Matemática agrediu um aluno de 11 anos porque não tinha feito os trabalhos de casa, em Alexandria, no Egipto. Foi detido e acusado de homicídio, pois a criança acabou por morrer no hospital.
Haitham Nabeel Abdelhamid, de 23 anos, decidiu punir Islam Amro, de 11 anos, com pontapés, por este não ter terminado os trabalhos de casa.
A criança perdeu os sentidos e entrou em coma, acabando por morrer já no hospital.
Os castigos corporais aos alunos incumpridores são frequentes na sociedade egípcia. Perante o juiz, o professor terá dito que quis apenas repreender o aluno e não matá-lo."

in Jornal de Notícias


É este o mundo em que vivemos...

De nihilo nihil

por Milady of Winter

Nasci em um tempo em que a maioria dos jovens haviam perdido a crença em Deus, pela mesma razão que os seus maiores a haviam tido - sem saber porquê. E então, porque o espírito humano tende naturalmente para criticar porque sente, e não porque pensa, a maioria desses jovens escolheu a Humanidade para sucedâneo de Deus. Pertenço, porém, àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado. Por isso nem abandonei Deus tão amplamente como eles, nem aceitei nunca a Humanidade. Considerei que Deus, sendo improvável, poderia ser, podendo pois dever ser adorado; mas que a Humanidade, sendo uma mera ideia biológica, e não significando mais que a espécie animal humana, não era mais digna de adoração do que qualquer outra espécie animal. Este culto da Humanidade, com seus ritos de Liberdade e Igualdade, pareceu-me sempre uma revivescência dos cultos antigos, em que animais eram como deuses, ou os deuses tinham cabeças de animais.


Fernando Pessoa in Livro do Desassossego

#4 às terças, quase como acaso

por TR

A MELHOR JUVENTUDE

E naquele sábado deste Outubro, o amigo rasga-me a tarde com uma chamada

- queres ir ao cinema?

E a palavras meias de cá e lá aceito, meus senhores e minhas senhoras, eis dois intrépidos perante Fellini, vejam como a vida é doce. E ao filme outro sucede, chega um terceiro e quarto. Um quinto?

- São 3 horas de filme…e vezes dois. Há primeira e segunda parte. 6 horas ao todo.

Como? Renitente para comigo, lá aceito, entro de olhar quase cínico e pronto a desancar o Marco Tullio Giordana, o sacana, até rima, o maldito tão tem pudor algum em encher os bonacheirões com mais de 3 centenas de minutos, 3 centenas, caríssimos, permitia realizar 4 filmes (uma sequela) ou uma minisérie em 6 episódios, 7 se americana, ou até 8, maldito latino, sempre a confiar na eterna paciência do senhor da casa ao lado. E nesta exasperação entro na sala, e o filme já vai correndo, eu olho para a tela, e começo a reter isto e aquilo, conhecendo pouco a pouco o Nicola, e depois espreito para lá e vejo o Matteo (em que ano tudo se passa?), e olhem a Geórgia aqui surgindo, e o filme não é tão mau como isso, espreitem novamente o Nicola a viver a sua vida, e o Matteo também, o Matteo, caríssimos (força irmão!), e mesmo sendo noite do lado de lá da escadaria a imagem enche-se de azul e pedra, e de vidas que se cruzam e entrecruzam, são tantas, sucedem-se em sinfonia, agora estou a gostar, sim,

(ecrã negro) Maldito intervalo, morre! E morre sozinho, numa cama sem ninguém em vigília. E numa noite fria sem gatos pelas ruas. Mas não temas, intervalinho: não será funeral vazio. Terás vento, terás luz do sol, terás esse tão notório calor de Outono.

(Registo factual. Tiago. Duas semanas antes. Reiterou as palavras passados 7 dias do momento supra. “Estes intervalos dão mesmo jeito. Dá para esticar as pernas, ir ao quarto de banho, conversar um bocadinho”)

O filme recomeça (adeus, ó intervalo!) e o Matteo continua a sua vida (filme 1 – 0 intervalo), e o Nicola também (2-0), e tantos outros seguem seus propósitos, vão surgindo (3-0), desaparecendo (4-0), reaparecendo (5-0), e a história corre até nós, lá vivemos a nossa melhor juventude por essa Itália, cidades bonitas, mulheres ainda mais, e vou vendo a tragédia e a comédia, somos nós e aquele de barba dura, e aquela de olhar penetrante, e o outro de óculos de massa, e a menina de um amor em ebulição, e qual filme?, vejo os jovens em pelota dançando à frondosa cascata, todos estamos nessa Itália a caminhar para o fim do século, que país!, tem idealistas e terroristas, e lá vivem seres humanos, são da nossa espécie, olha os jovens que dão os braços para o próximo, seres humanos, palavras tão quentes, são homens e mulheres nessa bela Itália,

FIM DA PRIMEIRA PARTE

Anuncia o lacaio das legendas, e rompe-me a harmonia que já sentia, adaptar-me-ei ao infortúnio surgido, fá-lo-ei, e quase um dia depois quedo-me à porta, o amigo e eu entramos antes do filme começar, como será?, irá defraudar a expectativa?, debatemos as interrogações, e a história recomeça, nunca parou, estes sempre estiveram ali a viver, que vidas!, eu já os conheço, são sorrisos de desarmante familiaridade, conheço-os, a sério que sim, e provocam-me, agora queria voltar à infância e perguntar ao meu pai

- é possível uma hora durar 12 minutos?

- não, Tiago. Duram sempre 60.

E diria, sei que o faria, estás enganado, papá, estás estás. Porque o filme avança, mais Itália, e não avança em horas, mas num sopro, um sopro do tamanho de um olhar, um impasse, só um momento, e essa Itália tão bela, belíssima, como acabará tudo isto?, olho para a tela e o plano está a desaparecer, acabará agora?, sinto-me alarmado, olho para o relógio

20h45

Ainda vai durar mais, tem de durar, acho que passa das 9, tem mais história pela frente, avança ó maldita, avança tão rápido quando possas, quero-te conhecer, dá-te, eu estou aqui e vejo-te, abranda-te ó apressada, queres fugir?, foges de quê, eu quero ver-te, quero aquele sorriso de novo, e aquele olhar, e aquela fotografia (que belo olhar da fotógrafa!), quero ver esse balão azul a subir para o céu, quero esse homem que emociona, que feitiço, o feitiço, eu não acredito nessas artes negras, deve ser dos Marcos Túlios, há o Cícero e o Giordana, os seus ecos prolongam-se para lá das suas obras, enredam-nos nos seus projectos, maldição, é macumba, deve ser dos italianos, não, não, isto não acontece, não pode, isso não, não olhes assim rapaz, não fales assim, não sejas assim, mas acontece, e eu levo a mão ao rosto porque choro, e olho para as paredes para não ver aquilo, e volto-me para a tela e emociono-me, e depois virei a pensar que a realidade está muitas vezes além da nossa vontade, a realidade é sempre maior que a nossa razão, e nisto me quedo,

FIM

O filme acaba?, como? O filme acabou? O filme acaba, presente, o filme acabou, pretérito perfeito. O filme acabou. Passado. Acendem-se as luzes do cinema, podia ficar escuro, quero que fique escuro, as luzes estão acesas, as devassas, eu quero debruçar-me de braços cruzados e tombar a cabeça no banco da frente, mas as amarelas estão a brilhar, estou tão cansado, vivi tantas vidas, quero descansar, deixem-me descansar, mas as luzes iluminam, levanto-me como os outros, as pernas fraquejam, arrasto-me como os outros, vou em silêncio como os outros, é que vi tanta alegria, e sorri, vi tanta cobardia, e enraiveci-me, vi o medo, e tremi, e vi a esperança, e emocionei-me. E tudo desapareceu.

- - -

Talvez um dia lá para a frente, nesse tempo a longo prazo, a minha pequenina chegue ao meu lado e pergunte

- papá, como é o cinema? E aí vou recordar conversas do passado.

(- Noronha, lembras-te d’A melhor juventude?
E ele saberá que me refiro a um tesouro, achado e visto em duas noites de Outono. E a senhora do lado que chorava, e a menina da frente que ria, e o homem lá de trás à direita que se revoltava também saberão. Um tesouro encontrado pela mais nobre primeira pessoa: o nós.)
- oh meu amor….o cinema é uma coisa maravilhosa!

- como a mamã quando está feliz?, perguntará de ar intrigado.

- sim, sara…mais ou menos isso - E rir-me-ei.

Lua de Neve

por Sandra Pinto

Dizes que o Sol
já não decora
as minhas paixões.
Estimulas os meus sonhos
e encantamentos que ameaçam
minha inspiração.
Caminhas encenando
o teu perfil indeciso
que a noite tenta usurpar.
Consentes o amor supérfluo,
o arsenal decorativo
que ostento no meu olhar
quando cedes ao capricho
do meu abraço.
Embarco na doçura das histórias
que um poema interminável
possa engenhar.
És o esplendor da metáfora
dos desígnios da minha prisão,
pintor de luxúria e escuridão.
Murmuras-me ao ouvido
adivinhando o balanço
dos meus gemidos,
o cálice da desgraça,
provocando a eclosão do recato
que enfrento e me apazigua
a solidão .
Busco as trevas sem ousadia,
desfrutando sepultada no esquecimento,
contando os meus caprichos de Amor.

Autora: Sandra Pinto

alea jacta est

por Ary em segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Os 12 trabalhos de Hércules: O Leão de Nemeia (estrangulado), a Hidra de Lerna (decapitada e cauterizada), A Corça de Cerenite (capturada viva), O Javali de Erimanto (conduzido a um buraco na neve e imobilizado numa rede), Os Estábulos de Augeias (limpos com a água desviada de dois rios), As Aves Estinfálias (espantadas com chocalhos de latão e alvejadas com setas), O Touro de Creta, amarrado e levado para a Grécia) As Éguas de Diomedes (domadas quando comeram carne do dono, o rei), O Cinturaão de Hipólita (conquistado após a vitória em luta contra Hipólita, rainha das Amazonas), Os Bois de Gérion (capturados e Gérion, o monstro de três cabeças, morto) As Maçãs de Ouro das Hespérides (maçãs conseguidas; Ladon, o dragão que as vigiava, morto), Cérbero (cão guarda do inferno agarrado pelo pescoço, levado à superfície e depois restituído ao seu posto de vigia).

Acabaram-se as auto-estradas

por Guilherme Silva

“(…)
e é nesta noite de vitória, com grande orgulho e infindável gáudio, que vos anuncio o final das auto-estradas. Nem mais uma auto-estrada será construída em Portugal. Não mais o betão tomara a terra ao português. Não mais o aço engolirá silvados e morderá o horizonte. Não mais!
Creio, caros concidadãos, que da capital a Lisboa, de Faro a Bragança, já temos como de melhor nos movermos; e não sem grande custo. Primeiro o eucalipto, depois o betão, e cedo Portugal perdeu para o intruso a sua essência, cor e cheiro. Mas não mais!
Acabaram-se as auto-estradas.
(…)”

Primeiro-Ministro Mourão Mosqueira, in discurso de consagração nas eleições para o XXI Governo Constitucional, 26 de Maio de 2019

ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 26 de outubro de 2008

Oito horas e quarenta e cinco minutos:

Fernando conduzia o carro, saindo do quarteirão onde estava a escola e avistou uma carrinha branca, da Eurest, a aproximar-se. Estacionou o carro e foi de encontro a ela. No cruzamento anterior à entrada da escola a carrinha parou. Fernando aproximou-se do lugar do motorista:
- Muito bem, não se atrasaram.
- Sabes bem que nunca nos atrasamos, Fernando. – Disse o condutor.
- Bem, salta para o lado.
O condutor chegou-se para o banco vazio do passageiro e Fernando entrou na carrinha. Acelerou em direcção aos grandes portões verdes da escola. O porteiro nem mandou a carrinha parar, identificou logo que vinha trazer a comida para o almoço, via o símbolo da Eurest. Mal ele sabia que a carrinha tinha sido furtada um dia antes dos armazéns da empresa.
Fernando guiou até à zona das cantinas, que possuía ligação interior com o polivalente da escola, tal como figurava nas plantas que Anarquia lhe tinha cedido no dia anterior. Fez marcha-atrás, de modo a que as portas da mala da carrinha dessem para as portas da cantina. Duas cozinheiras gordas de avental abriram as portas e iam abrindo as da mala da carrinha, quando elas abriram por si próprias e de lá saíram sete homens encapuçados com kalashnikovs nas mãos. As cozinheiras soltaram um grito, mas foram logo abafadas pelos homens que as amordaçaram de seguida. Fernando e o passageiro puseram ao seus gorros para esconder a face e saíram da carrinha, também empunhando as suas kalashnikovs. Os nove homens irromperam pela cozinha a dentro levando consigo as duas cozinheiras mais as outras três que estavam a preparar os condimentos na cozinha. Foram em direcção ao polivalente. Já estavam lá dentro tudo o que era professor, funcionário ou aluno. Ouviram-se vários gritos de pânico, mas foram rapidamente abafados por três rajadas de uma das metralhadoras.
- Silêncio! – Gritou Fernando. – Estejam calados e quietos e vai tudo correr bem.
As pessoas calaram-se e fizeram o que ele mandara. Mas ninguém acreditava na segunda parte do que ele dissera.

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende

A Carta Constitucional de 1826: mitos e lendas académicos -
Como a Inconstitucionalidade derrubou a Monarquia, a Constituição e o Estado de Direito.
- inícios de um estudo.


As coisas são o que são; o nome não nos deve assustar, quando realmente os factos demonstram que Portugal vai rapidamente caminhando para a organização social, que se chama socialismo de estado. Não o lamento, porque estou plenamente convencido da justiça e da verdade destas doutrinas. - Augusto Fuschini (Câmara dos Deputados, 22.06.1888)

Quando o Rei D. Pedro IV traz, nas naus que partem do Brasil, os primeiros esboços da futura Carta Constitucional, não está apenas a transportar um documento institucional para apaziguar as forças conservadoras e liberais em conflito no País. Traz uma das peças mais importantes da história do constitucionalismo português e da sua tradição democrática.

A experiência das Constituições revolucionárias, como a de Cádis e a de Lisboa de 1822, trouxeram mais males que reais afirmações das instituições republicanas sobre o absoluto poder do Estado sobre os destinos económicos e políticos das duas nações ibéricas.
Não agradando a republicanos, religiosos e a comerciantes, bem como desprezada pelas elites provincianas, a Constituição de 1822 traz para o país o acervo dos males que, desde os tempos do Marquês de Pombal, se vinha a reclamar com maior impetuosidade pelas forças produtivas: as pautas aduaneiras.
O consequente ataque da Constituição aos resquícios de Poder Local e a sua intolerância religiosa e carácter isolacionista afastaram cada vez mais da sua esfera de simpatia o povo português.
Surgiu assim, na hora de maior necessidade, a Carta Constitucional. O facto de ser outorgada por um Chefe de Estado, e não por uma câmara representativa maioritariamente não-reconhecida pela população granjeou-lhe o apoio das elites intelectuais moderadas, liberais, municipalistas e aristocráticas. O futuro Partido Histórico, que reunia algumas destas características atrás mencionadas, deve o seu nome ao carácter compactuante com a história que a Carta lembrava aos portugueses.
Do lado da Constituição de 1822 ficaram os intelectuais mais revolucionários, os oficiais mais irrequietos e os magnates da indústria, que requeriam acima de tudo o proteccionismo nela previstos.

Não tendo nascido de uma ruptura, antes de uma harmonisa (se bem que temporária) reconciliação nacional, a Carta, no final das guerras liberais, inicia a sua vigência em pleno.
Filha legítima de Benjamin Constant, a Carta de 1826 incluía nos seus processos de aprovação de legislação um longo caminho: exigia a aprovação por parte da Câmara de Deputados, depois a dos Pares, e no final a aprovação régia, cuja ausência era considerada derrogatória.
Criticada, nos manuais de hoje (que se sustentam na incompreendida afirmação de Marcello Caetano, no seu livro "Constituições Portuguesas" que a Carta era a "mais monárquica da Europa") por ter um conteúdo implicitamente anti-democrático, a Carta era, na altura, criticada pelo partido legitimista (partidários de D. Miguel I) como impeditiva do estabelecimento de uma soberania real plena.
Se juntarmos também que o órgão da Câmara dos Pares funcionava estritamente controlado pela Câmara e pelo Chefe de Estado, e que a sua nomeação se tornara mais condecorativa que hereditária, podemos dizer que a Carta Constitucional conseguia, na teoria, delimitar o poder democrata, aristocrata, e monárquico/moderador. A pluralidade de fontes de soberania fazia "radicar a separação de poderes numa base sólida e não fundível".

De novo se pede atenção ao carácter da Carta Constitucional, e à sua vocação britânica, Constantiana, belga e, acima de tudo, portuguesa, baseada na organização social tradicional do povo português, nas suas instituições republicanas longínquas e na separação de poderes que advogavam os princípios liberais da altura.
Assim, o Monarca "reinava, mas não governava", no entanto, o óbvio carácter monárquico do documento constitucional deve-se ao implementado poder moderador daquele que era considerada a "inviolável pessoa representante do Estado e de todos os Portugueses". Neste espírito liberal também se banharam outras nações europeias, que, a exemplo da França, passaram a nomear os seus Chefes de Estado como "Reis de Todos os Franceses" e não "Reis de França", sendo que este método passou e continuou quando os sistemas monárquicos faliram nos seus países e deram origens a repúblicas.

Outro grande crime académico contra o qual se tem atentado neste texto é a excessiva generalização, se não escandalosamente errónea, a que têm submetido os teóricos do actual sistema constitucional os teóricos do sistema constitucional do Portugal de 1800.
Falo da progressiva liberalização que se ensina ter existido em Portugal durante os tempos da Monarquia Constitucional. De facto, alguns dos mais notórios autores e políticos da época partilhavam da visão do liberalismo económico que era, quase exclusivamente, seguido pela Inglaterra ao longo do século XIX.
Podemos falar, nestes casos, do duque de Palmela (conceituado diplomata e político, bem como oficial de guerra) e do escritor Alexandre Herculano, que terá sido dos primeiros fundadores de uma filosofia de Estado liberal democrático.
No entanto, estes autores tiveram os seus rivais da época, que já conheciam outras teorias políticas que lhes eram mais dotadas de Justiça. Enquanto Herculano afirma que "a igualdade só deve ser concebida como o igual acesso de cada um à liberdade individual e à possibilidade de, sob a Lei, a defender" e que "a única “desigualdade” incompatível com a Liberdade é aquela que investe algumas pessoas de poder coercivo indevido sobre outras pessoas" outros discordavam em grande parte das suas ideias ou procuravam outras interpretações.
Se em 1840 as medidas proteccionistas e aduaneiras por parte dos Cabralistas falharam, e despoletaram o ódio popular, a falha da Regeneração em apanhar o comboio do progresso tornou possível, em 1880, a imposição de novas e mais restritas regulamentações governamentais, sobre a política e sobre a economia.

A crise da lavoura, que afecta os mercados alentejanos e lisboetas na década de 80, obriga ao Estado a conceder mais monopólios, e a proteger "grupos específicos".
O chamado saint-simonismo fontista, que consistia numa política de obras públicas que endividou o país e causou um gravíssimo crescimento de crescimento insustentável, levou a que a indústria produtiva se desligasse das exigências do comércio internacional e que o padrão-ouro, pela primeira vez em mais de meio século, fosse adulterado e instituído pelo Estado.

No tocante ao Estado de Direito, dá-se mais uma revelação estonteante.
De facto, durante a fase final do constitucionalismo liberal, dá-se uma progressiva decadência dos seus preceitos oitocentistas originais, e assiste-se a um tal crescimento do poder Executivo que, basicamente, se instituiam certos tribunais contendo, com os devidos poderes judiciais, meros funcionários admnistrativos.
Esta tradição manter-se-à na Iº República, ainda mais forte, e na IIº República ou Estado Novo, tanto no ponto anterior devido à economia como neste em relação à Administração.

Reacções: Provas de que nasceram, espontaneamente, organizações de contribuintes que desejavam negociar com o Estado a sua intervenção na economia e os efeitos das suas acções na cidadania e nas liberdades está na Associação Comercial de Lisboa e na Associação Comercial do Porto, que serão fechadas, sendo que a Associação de Lisboa, mais activa na protecção dos interesses dos mercadores, será fechada arbitrariamente pelos órgãos políticos da Iº República.

nota: este trabalho inclui-se nos projectos de Estudo Livre, que eu tenho vindo a divulgar, com especial atenção, no blogue do Jornal Tribuna. No entanto, arrogo-me de todas as consequências e opiniões divergentes que estes possam causar, tomando total responsabilidade. É a minha opinião, não a do Jornal. Por muito que tenha tentado, neste espaço público, manter a minha imparcialidade de cronista e divulgador, a exigência de uma pesquisa descomplexada e amante do estudo das fontes poderá ter levado a que certas ideologias se possam ter acentuado. No entanto, este pequeno texto deverá ser lido à luz de uma curiosidade académica e não como um manifesto político, que não é. Estudos à volta do mesmo tema poderão e deverão ser desenvolvidos, devido à pequenez de espaço cedidos em blogue.
Este artigo também será publicado no blogue Café Odisseia.

fontes:
Elementos de Doutrina Neocartista, por Luís Aguiar Santos, no seu blogue.
O Colapso do Paradigma Liberal, pelo mesmo autor.
Carta Constitucional de 1826
Constituição de 1822
Constituições Portuguesas, Marcello Caetano
O Liberalismo, História de Portugal de José Mattoso
Diário da História de Portugal, José Hermano Saraiva

IV

por Anónimo em sábado, 25 de outubro de 2008

"Na minha demanda recente, a palavra não tem lugar; ela é incapaz de exprimir o quer que seja, sente-se incompleta e recortada; ela auto-transfigurou-se num mero títere (à boa moda de Sartre) e caminha pela vulgaridade presente. Vulgaridade tal, capaz de domesticar o mais forte ímpeto e o mais sagaz e arrojado laivo de desejo.


Mesmo vivendo desta forma, fragmentando o que outrora me unia, penso que tudo é fácil quando mesmo pedindo à metafísica que me segure por cordas, outros (e não são poucos, porventura serão todos os outros) auto-destruíram a única característica própria que nos separa do puramente irracional, que nos mantem distante do instinto.

Desafortunados!"


Das pequenas coisas. Mas não o deus.

por D.

Nalguns dias que começam cinzentos, poucas coisas podem fazer a sua salvação: está condenado desde o seu início a ser um fracasso. Simplesmente é pouca a disposição em levantar, o frio que faz fora da cama corta. O dia ainda mal despertou e a cabeça pesa mais do que na noite anterior em que foi difícil adormecer. De novo as memórias dele. De novo a correr para o comboio, de novo atrasada em segundos, mas os comboios não esperam segundos e partem sempre com uma espécie de sorriso cínico quando estamos quase quase a chegar à sua porta. Depois as ruas estão simplesmente demasiado cinzentas e simplesmente o frio esgota a paciência de qualquer pessoa e o corpo continua pesado com o sono de tantos dias de noites mal dormidas. As vozes das pessoas perdem-se simplesmente como se fossem zumbidos, embora responda sempre afirmativamente, não capto nenhuma das palavras. (É tão bom continuar a criar os sonhos depois de se acordar.)De novo um sorriso, e de novo algumas palavras. E depois eis a pergunta que haveria de me acordar o cérebro e metê-lo a trabalhar, a pensar: se o Estado te desse uma arma e te obrigasse a matar cinco pessoas, quem matarias? A senhora que caminha em frente ri-se e diz: quem me dera, há muitos que andam a precisar de morrer. Mas eu não seria capaz de matar ninguém: mas imagina que tinhas mesmo de o fazer. E assim acabei o dia, quem seria eu capaz de matar? Depois de mais uma viagem de comboio, desta vez sem correr o risco de o perder e depois de uma caminhada até casa, com o frio a gelar as veias, já sei por onde começar. Quando o Estado me der uma arma e me forçar a matar alguém a primeira pessoa que levará um tiro meu será efectivamente.

Rituais

por Filipa M.Martins em sexta-feira, 24 de outubro de 2008


Outro dia descobri um pequeno espaço situado na rua da Torrinha (bem perto da nossa faculdade). Um espaço pequeno que nasceu de uma grande idéia.


Tudo se desenvolve à volta da palavra "ritual". Ritual das artes, ritual da leitura e ritual dos sabores. E é a partir desta junção de rituais que se proporcionam tardes bem passadas.


"Doce ritual" é um salão de chá que tem a particularidade de integrar vários ciclos de literatura, arte e sabores, que se renovam mensalmente. Esta vertente cultural abre as portas à obra de novos talentos na área da arte através de exposições, podendo servir como ponto de partida para "voos" mais altos.


Fica a sugestão.

por Tribuna

Queridos Tribunos,

Como poderão notar, estou a introduzir algumas novidades na estrutura do blog. Na coluna à vossa direita, se forem puxando para baixo, conseguem ver as as rúbricas do Guilherme e do Ary, cada uma com as 4 colunas já publicadas. Esta é a minha sugestão: criar um ficheiro individual com as nossas colunas. O que acham? As vantagens são evidentes: o acesso fácil aos escritos de cada um de nós. A desvantagem é o trabalho de actualização que isto me vai dar. Sobrará tudo para mim, portanto. :) Por isso mesmo, poderão surgir por vezes atrasos nesse mesmo processo de actualização. Mas antes disso, o que pensam da ideia? Manifestem-se.

Um abraço e bom fim de semana,
Francisco

O Belicista

por Duarte Canotilho

O circo dos Animais!!

Bom... começo a minha cronica semanal pedindo desculpa pelo facto de a semana passada não a ter escrito, desiludindo assim milhares de leitores acérrimos da minha cronica.
Hoje era para falar do tanque t-34 e da grandiosidade da maquina belica sovietica e actualmente da Russa, mas... Preferi falar de algo que vi no metro, e que me parece (ainda que o leitor vá ter de esperar mais um numero para saber tudo o que há para saber sobre armamento da russia e da URSS) mais apropriado para agora.

Ora.. Este fim de semana Passado estava eu a entrar no metro, na estaçao de campanha, com destino ao Forum da Maia, quando de repente vejo uma senhora de idade com a sua neta de 3 anos, a entrar no metro tambem, e a sentar-se nos dois bancos à minha direita. Na estaçao a seguir.. salvo erro é a do heroismo, entra uma senhora (pesada) com o seu filho de 5 anos e senta-se em frente à velhota com a neta.
Até aqui, o leitor diz.... "Onde está o mal?, é só uma viagem normal de metro!" Isso... foi o que eu pensei.

O metro começa a marcha e imediatamente as duas senhoras(mae e avo) começam a falar, sem se conhecerem, mas ainda assim falavam como fossem amigas de longa data. Mais uma vez tudo bem... nem liguei ao que estavam a dizer propriamente. Até que entao a historia começa a ter interesse.
"Oh maria... mostra lá o que sabes fazer a esta senhora!", e a rapariga de 3 anos então disse aquela cena do "o rato roeu a rolha do garrafão do rei da russia", ora a mae do miudo ripostou,
"oh Pedro faz la isso também!" E o miudo bem obediente, e a quere mostrar que também sabia disse também a mesma coisa.
A avó entao continua a falar mais uns minutos(provavelmente a elogiar a neta) e diz mostra aqui à senhora que ja sabes contar até 10 em ingles! E a miuda la conta "one two ...". Logo entao o rapaz lhe responde "Ah mas eu sei contar até 12!" e conta... A mae orgulhosa diz-lhe muito bem. Mas agora vem a parte ainda mais deprimente. Durante 35 minutos a mae e a avo estiveram a espicaçar os filhos/netos para mostrarem as suas habilidades, desde a menina fazer um passo de ballet, e cantar a floribella ao rapaz mostrar o seu musculo no meio do metro, e cantar o que eu deduzo ser a musica dos morangos com açucar. E a melhor parte é que outros utentes transeuntes (que nao tiveram a infelicidade de ter de aturar aquilo a viagem toda) faziam pedidos aos ANIMAIS para eles mostrarem.
Por isso a menina aprendeu a contar até doze e o rapaz mostrou que tirava boas notas e sabia a tabuada. Entretanto eu ouvi as tabuadas do 2, 5, 7, 10 umas 5,6 vezes e decorei os numeros em ingles pois claramente a miuda mostrou, a pedido de varios utentes os seus dotes... durante ums 7 estaçoes!!!!!!!

COm isto eu saio no forum da maia e vejo ambas as mulheres(avo e mae) orgulhosas da prestaçao dos seus animais neste circo que é o metro. Fantastico, Eu pessoalmente fiquei com dor de cabeça de ouvir as vozinhas estridentes a cantar e dizer a tabuada. Mas fiquei chocado como a metro nao cobra mais nos bilhetes! Entao ... uma pessoa vai no metro, e tem direito a espetaculo de circo com animais e domadoras.. MMmmmm isso devia encarecer os bilhetes.

Que vergonha tratar miudos com animais... Mereciam assim que um t-34 lhes passasse por cima. :D

Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha

Nem que seja por um minuto, deixem-se rir... Porque por vezes faz todo o sentido. Ainda que certas situações façam pouco...



Há dias

por Inês em quinta-feira, 23 de outubro de 2008



Há dias que nos devolvem o sentido.



A questão é que nem sempre deixamos que eles aconteçam - nem sempre temos tempo para eles na nossa vida. E o mais engraçado é que passamos dias à espera que esses dias apareçam para nos surpreender - numa manhã de sol? - sem nunca nos apercebermos que raramente lhes damos espaço de actuação. Os protagonistas das nossas agendas complicadas são, regra geral, as responsabilidades. Mas o vício de querer estar sempre onde há alguma coisa a acontecer, ainda que, na nossa cabeça, nos apareça num papel secundário, é tanto ou mais escravizador do que o ter que estar ou o ter que fazer.
Às vezes é preciso respirar fundo, fechar os olhos para não cair na tentação de hesitar e repensar tudo outra vez e passar um risco bem grande na nossa agenda - naqueles dias que ainda não têm, mas podiam vir a ter toda uma
ordem de trabalhos. E vivê-los sem qualquer plano delineado, à mercê de tudo o que de bom e de mau deles possamos vir a retirar.


(Luísa, desculpa os itálicos, eu sei que os detestas, mas é um vício que, como vício que é, insiste em escravizar-me.)

Publicidade

por Luísa

Um momento. Um sorriso. Um olhar. Um mundo mudo em redor. Chocolate quente. Um copo, duas bocas. Mel.
Um novo momento. Um novo sorriso. Um novo olhar. O mesmo mundo. Mais mel.
Mais chocolate. Um livro pousado em cima do jardim. Uma manta. Fogo. Mel.
O pôr-do-sol. Conversa. Temas sem fim. Olhares. Sorrisos. Confissões. Mel.
Uma pequena brisa. Um pássaro a cantar, ou talvez dois. Risos. Melodia. Vermelho. Dois sonhos num. Mel.
Um pequeno caderno. Notas para um dia recordar. Cumplicidade. Abstracção, quase irreal. Um morango. Chocolate. Muito mel.

A nossa vida está repleta de mel. As abelhas passam toda a sua vida à procura de mel (mesmo o Winnie The Pooh não consegue ser feliz sem ele).
Porque são pequenos momentos são os mais doces.

A Mim Ninguém me Cala: Democracia? Só na Irlanda e para os "Bandidos" Conservadores

por Pedro Silva em quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O presidente conservador polaco, Lech Kaczynski, reafirmou que não assinará o Tratado de Lisboa enquanto a Irlanda não o tiver ratificado, numa entrevista à televisão TVN24 à margem da cimeira europeia em Bruxelas.
"Assinarei de bom grado o Tratado, quando surgir a altura e esse momento acontecerá logo que os irlandeses digam sim", declarou o presidente polaco.

Depois de ler isto eu já tirei as minhas conclusões; ou seja Democracia na Europa “Unida” é só para alguns e quando agrada.

E as vossas quais são? Fica o desafio...

Hoje sonhei...

por Francisco



que o Ramalho era um koala. Ou que um koala era o Ramalho. Pior, acordei com esta visão, entre esticões da espinha e gargalhadas. Naturalmente, o meu pai assomou à porta, incrédulo.

Que tens, Chico?
Nada papá, acordei a pensar que um amigo meu era um koala.


Há já algum tempo que não acordava tão bem-disposto. É que ainda no banho esboçava um sorriso, pensando para comigo mesmo no insólito.
Podem então, esotéricos leitores, fazer a pergunta: Mas por que raio sonha este rapaz com koalas? Ou, mais legítima até, por que raio sonha o rapaz com o Ramalho?

Serão no entanto perguntas meramente retóricas, lamento dizer-vos. De qualquer modo, e como altruísta que sou, pensei numa resposta possível. Quanto ao sonhar com koalas (!), não tenho explicação, de facto. Quanto ao sonhar com o Ramalho (!!), a prudência diz-me que o surreal da situação se deve às sessões de cinema umas atrás das outras a que temos ido assistir juntos. Obviamente que a justificação poderá soar leviana. É um facto. Mas mais não posso, ou melhor, não sei acrescentar...
Sempre na busca da Verdade, irei agora penetrar na subdimensãoX da realidade virtual MOODLE, recentemente elevada a categoria deôntica da Nova Ordem Mundial.
Ramalho, you can count on me!

Francisco Noronha

A Mim Ninguém me Cala: A culpa é sempre da Maria

por Pedro Silva


Cartoon retirado de: Pitecos

De nihilo nihil

por Milady of Winter em terça-feira, 21 de outubro de 2008

" Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo. "

Oscar Wilde

divulgação blogueira

por Manuel Marques Pinto de Rezende

No lugar do defunto O Terceiro Anónimo nasce o novo Café Odisseia.

A não perder, agora com a contribuição de Pedro Jacob.

#3 às terças, quase como acaso

por TR

UM

Senhores do mundo betuminoso: estou só, a janela fechada, a mesa vazia. A cama por fazer, ou se calhar nem tanto, é um colchão amarelado descido ao meio. Livros também, ali ao canto, no chão, por baixo da carta topográfica escala 1/25 000, edição Instituto Geográfico do Exército, onde a risco vermelho se marca este paralelepípedo irregular onde me acho. Falava de livros, que são dois, é plural, o pavor a homens de um só livro não me abandonou, a ilha de tesouro do Stevenson, e também um outro, Helena, de Machado de Assis, historieta de amor como tantas outras, chega para entreter. O ambiente é pesaroso e cheira a dor, olhem para o canto e vejam os 21 círios que fazem vigília.

- o menino tem sede?

Pergunta-me a gentil Maria, quanto mais velha mais doce, sim, tenho sede. Sede e saudade, palavras tão parecidas, ter saudade é ter sede do passado. Um dia quando era novo, ao menos de espírito, tinha definido saudade. Aí fui senhor do mundo, defini o que julgava indefinível, e pobre de mim a fazer de rei que vem a descobrir andar nu. Aqueles fizeram troça de mim, e perdeu-se um linguista. Dizia que saudade era

Saudade. nome fem. nostalgia para com algo que nos é querido.

assim viria nos meus dicionários, seriam dois e reactualizados a todo o tempo. Andaria de terra em terra com bloco de capa negra em punho, falaria com os senhores das terras e os lacaios das cidades, registaria novas palavras, corrigiria as velhas, guardaria a língua em grossos volumes que serviriam de apoio a essas minhas obras de amor.

- Maria, desculpa, podes-me chegar a água, por favor?

A Maria aguardava à porta, coitada, olhava para os passarinhos que flutuam por essas árvores, tão frágeis e sempre vivos. E eu que fui robusto, e senhor de todos os sonhos do mundo (são muitos, mais de 20 volumes de folha encarquilhada), fico-me quedando perante o papel, a fazer não sei o quê. Enquanto escrevo estou à tona, e se o não faço vou ao fundo. É um lugar negro, pior que o da saudade.

- Tome, menino.

- Obrigado Maria. És uma santa.

Sempre me chamou menino, mesmo quando o não queria. Dizia-lhe

- Não me chames menino, Maria! Fogo…

- Está bem, menino.

Dizia-me, sem maldade. Fui sempre menino, olhos de gato, como dizia ela, há-de ir longe, como também dizia, ser engenheiro ou médico, voltava a dizer, e eu sempre o mesmo, invisível, o homem da câmara de filmar, a dada altura dominado pela câmara que ao princípio orientava. Agora que filmo? É o nada, o mundo fecha-se perante mim, torna-se o sujeito e eu o objecto, sentado no chão e de papéis nas pernas. E já nem a janela se abre, e já nem a mesa se ocupa, e os livros merecem ser lacrados de tão fechados estarem. Ontem comprei os 21 círios, sete por cada uma das três vidas que podia ter vivido. A que os meus pais sonharam, que era simples, era aquela em que seria feliz e os faria feliz; a que a Maria sonhou, mais complicada, seria engenheiro ou médico, teria vida trabalhosa, mas na subtracção dos suores de meia-noite às alegrias de pândega (palavras dela) ficaria bem servido; e aquela que sonhei em novo, quando aprendi o que era o sonho e o que ele tinha de diferente da realidade. Seria músico, daqueles de capa negra, rosto sério, cabelo desalinhado.

Agora, agora quero levantar-me. Vou ver a velha carta topográfica e recordar o que fica para norte. Acho que é um riacho. E que esse riacho desce para oes sudoeste, juntando-se ao ribeiro que parte das Alvinhas. Esse prossegue, tem alguma força, sobe para norte, nor noroeste, tem a sua foz com o rio das sereias, como por cá dizem, que mais caudal menos caudal levará ao oceano. Seguirei os três: o riacho, o ribeiro, o rio. E depois verei o mar. Acho que ainda encontrarei uma ou outra gaivota na praia, espero que de ponta de bico avermelhada.

Vou-me deitar. Não, que ainda estou com fome

- Maria, posso comer em tua casa?

- sim, menino, eu faço aquelas batatinhas estufadas, está bem?

Não sei quem é que a Maria vê. O menino já morreu. Foi algures numa madrugada em que estava frio e ninguém trouxe a bolhinha para aquecer os pés. Ou quando o menino chegou a casa molhado e encontrou-a fria e nua. Ou quando viu a vergonha na cara do velho, o jeito cheio de vício, a cara rasgada pelo que não foi. E tudo olhando-se ao espelho.

- O menino já morreu, Maria.

- não, menino. O menino está triste. Venha só comer as batatinhas e depois fala com a Maria, está bem?

Filisteu

por Guilherme Silva em segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Este fim-de-semana fui filisteu.
Não li, não ouvi Dvorak e seus colegas clássicos, e não vi filmes. Tão pouco debati ou discuti fosse o que fosse. Permiti-me até responder apenas através de acenos com a cabeça.
Quero ser um filisteu. Quero viver as emoções da vida, não as quero viver através de relatos de terceiros. Quero levar o físico aos limites; quero esgota-lo, treina-lo, rasga-lo, esvazia-lo. Mas não posso. Nunca serei um filisteu - disseram-me - pois quem usa a palavra “filisteu” nunca acabará um…
O erudito, o intelectualmente hábil, o virtuoso do conhecimento, julgo vê-los definhar de dentro para fora. Tanta sede corrói-lhes muitas vezes a essência; definham num qualquer antro escuro e húmido, mas repleto das melhores obras!
Este fim-de-semana fui filisteu. Matei pessoas em frente à Playstation, comi mousse de chocolate e bolacha Maria, e mirei mulheres sem nunca acabar divagando ou dissertando sobre a beleza feminina, longe disso. Julgo até ter ouvido Justin Timberlake…
Dizem-me que as maiores façanhas da História foram concretizadas por Homens cultos, esclarecidos e iluminados – os não-filisteus - mas não foram os maiores horrores protagonizados pelos seus semelhantes?
Quero ser um filisteu. Quero viver uma vida calma - longe das coisas que fazem doer a cabeça - lavar a minha roupa no rio, e tomar uma Vénus em meus braços, tal qual Tannhãuser.
Mas nunca serei um filisteu - disseram-me - pois quem toma tantas vezes Tannhãuser por exemplo, nunca acabará um…

alea jacta est

por Ary

Thomas Eagleton (1929-2007) foi o candidato democrata à vice-presidência em 1972 apenas por alguns dias. Teve uma vida bastante interessante e contorbada (como aliás a maior parte delas se olhadas com a atenção que merecem). Foi legislação promovida que trouxe aos EUA a primeira grande lei que promovia a qualidade do ar e da água, e foi uma lei por ele proposta que terminou a guerra no Vietnam e saiu descontente do Senado por o julgar "arruinado pela corrida do dinheiro" e pelas lógicas partidárias. 

Mas talvez mais espantosa que a breve passagem pela alta roda da política americana foi o discurso que proferiu, ou melhor, que foi proferido em seu nome, no dia do funeral do senador do Missouri, diante de mais de 1200 pessoas entre família e amigos de todos os quadrantes políticos, desde activistas de extrema esquerda a padres racistas. Num discurso que revela uma frontalidade e uma admirável paz de espírito, passando em revista 77 anos de uma vida dedicada ao serviço dos outros, Eagleton termina de forma excênctrica: 

"I am an optimist about death and believe there is a there there. Somehow, in some manner, I will be meeting my parents, my brother and my friends. Somehow, Bob Koster will be waiting for me to tell me where I can buy everything 10% off.

So go forth in love and peace — be kind to dogs — and vote Democratic."

ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 19 de outubro de 2008

Oito horas e vinte e cinco minutos:
Anarquia olhou para o relógio.
- Está na hora, diz aos teus homens para arrancarem.
Fernando marcou um número no seu telemóvel e deixou tocar. Segundos depois a chamada foi rejeitada.
- Já estão a caminho.
- Vai ter com eles, de acordo com o plano. Eu vou entrando. Tenho uma reunião com a directora. – E Anarquia saiu do carro.
Anarquia vestia um fato azul-escuro, limpo e caro. A sua face tinha traços intelectuais, extremamente atraentes, diriam as mulheres que o admiravam enquanto ele atravessava a rua em direcção à estrada.
Chegou aos portões da escola onde o porteiro o atendeu. Disse-lhe que se chamava Paulo Coelho e que tinha uma reunião com a directora às oito horas e meia, por causa da sua filha, Sofia Coelho. O porteiro verificou nos seus registos e deixou-o entrar, depois de ter feito a típica piada de que Anarquia tinha o nome igual ao do célebre escritor brasileiro.
Anarquia entrou no grande edifício que era aquela escola e caminhou em direcção a um gabinete em que na porta envidraçada estava escrito “Conselho Directivo”. Entrou e dirigiu-se a um balcão, falando à secretária:
- Bom dia. Sou Paulo Coelho e estou aqui para ver a Sra. Directora.
- Sim, ela está à sua espera, entre. – Indicou-lhe a porta que estava à sua esquerda.
Anarquia abriu a porta, fechando-a atrás de si de seguida e trancando-a num instante, isto tudo enquanto a directora, uma mulher velha, próxima da idade da reforma, acabava de preencher um impresso. Mal ela tirou os olhos do papel e olhou para Anarquia, perguntou:
- Quem é você?
Anarquia sentou-se à frente da directora.
- A única coisa que tem de saber é que não abre a boca ou leva um tiro. – E Anarquia, nesse instante tirou de dentro do casaco do fato um revólver prateado.
A mulher ficou horrificada e branca como a cal. Soltou um grito silencioso, pois apesar de tudo, levara o aviso de Anarquia a sério.
- Não tem de se preocupar com o Paulo Coelho, nem a sua filha, eles já não são de cá. O seu mal comportamento constante e a atitude do pai de dizer que a culpa são dos professores desta escola já não a vão atormentar mais.
- Você… Matou-os? – Perguntou a directora, com medo da resposta.
- Sim, mas isso não importa, cale-se. – Disse Anarquia, mexendo ligeiramente a arma, em jeito de aviso. – Agora preste muita atenção ao que quero que faça. Vai pegar no telefone, ligar à sua secretária que está lá fora e dizer-lhe que quer todos os alunos, funcionários e professores no polivalente.
- Sim… – disse a directora, preparando-se logo para ligar à secretária.

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende

O meu artigo ainda não está pronto (nem nada que se aproxime de pronto)

por isso, encho chouriços com Flight of the Conchords

The Humans Are Dead

Os segredos não existem

por D. em sábado, 18 de outubro de 2008

Um dia, todos seremos incapazes de voltar a ver a luz do sol. Nesse dia, outros vão abrir as nossas caixas de memórias e descobrir todas as palavras que deixamos em papel. Vão ler todas as notas que tiramos nos livros que decidimos ler e cujas histórias deixamos um pouco para nós. Vão ver as fotografias dos álbuns e procurar atrás apontamentos auxiliares de memória. Remexer nos cd’s e ler todas as palavras de ofertas, ou procurar alguma coisa que indique que estava ali uma canção que era mais do que todas as outras. Nas gavetas vão tentar encontrar os diários, os semanários ou os mensais da nossa vida e lerão alto, enquanto comentam com os outros todos os segredos da nossa vida. E vão chorar, ficar desiludidos ou simplesmente ficar na mesma, contentes por não ter descoberto que afinal vivemos uma vida dupla.
São as pegadas que ficam para trás, impossíveis de apagar pela chuva e que um dia irão ser os segredos que afinal nunca conseguimos guardar. Porque os segredos não existem.

III

por Anónimo em sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Desta vez não há pensamentos transfigurados em meras palavras! Dar espaço às sensações!! Assim deixo-vos com:

(1) Uma banda que me era desconhecida e que, agora, graças a uma "dica" amiga, se tornou num vício!!

Algo de genial:





Kids, MGMT
(2) Uma das minhas músicas favoritas de sempre




(Bang Bang) My Baby shot me down, Nancy Sinatra
henrique maio

Dig

por Filipa M.Martins

Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha

"Well your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty in the moonlight overthrew you
And she tied you to her kitchen chair
And she broke your throne and she cut your hair
And from your lips you drew the halleluja..."
Jeff Buckley

directamente de Amsterdam

por Francisco em quinta-feira, 16 de outubro de 2008



Inês Vouga

Enquanto dormes

por Joana Maltez

"Entre muitas outras coisas mágicas que existem, uma é observar alguém que se ama a dormir: ao estar-se alheio a olhares e tomadas de consciência, pode-se por instantes segurar-lhe no coração; vulnerável, é então que ele é tudo, e por mais irracional que pareça, é aquilo que sempre se acreditou que ele fosse, um homem puro, uma criança terna."

Truman Capote, "Travessia de Verão"

por Francisco

Afasto-me... afasta-te também de uma vez por todas, foda-se!
Estou doente.

por Guilherme Silva em quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"Se algum dia comprar um submarino, alguém por favor me chame à razão e me diga que submarinos não são fixes."

- Guillaume D'Orange

Quatro

por Luísa

São cinzentas, enormes e a poeira continua a ferir meus olhos. Anseio o dia que não vai chegar e temo o que me é tão próximo. A sentença que recebo, por um crime que não cometi, é a de não voltar a ter hipótese de errar. Não me foi dada uma segunda oportunidade.

Os dias passam e a ampulheta não pára. Diria que já passaram semanas, meses, anos até, mas a verdade é que não sei qual é a verdade. O pó diminui e a minha vontade de viver aumenta.

Raiva, medo, decepção, angústia. Tudo se transforma numa enorme bola de fogo que não sou capaz de evitar. As minhas mãos tremem, sinto-me sufocar de tanto gritar e, quase que por ironia, meus olhos parecem querer expelir todo este ódio que sinto, mas que não sabia que existia em mim.

Tudo é tao injusto. Foram-me fazendo acreditar, ao longo de todo o processo, que eu voltaria a ser eu. "A justiça tarda mas chega", diziam eles.

Aproveito o meu dia a olhar para quatro paredes. Ao longo deste meu passado não muito recente foram a minha maior tristeza, mas também a minha maior companhia.

Amanhã é o dia em que darei o último suspiro. Amanhã é o dia em que sorrirei pela última vez. Amanhã é o dia em que verterei a última lagrima. E tudo isto poderei fazer calmamente sentado numa cadeira. Antes era mais complicado. Agora basta uma pequena injecção e não poderei ver o dia nascer de novo.

A Mim Ninguém me Cala: Um facto irreversível

por Pedro Silva

É do interesse do Estado português proceder hoje ao reconhecimento do Kosovo", disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, na comissão de negócios estrangeiros da Assembleia da República.
O ministro apontou quatro razões que levaram a esta tomada de decisão: a primeira das quais é "a situação de facto", uma vez que, depois da independência ter sido reconhecida por um total de 47 países, 21 deles membros da União Europeia e 21 membros da NATO, "é convicção do governo português que a independência do Kosovo se tornou um facto irreversível (...) e não se vislumbra qualquer outro tipo de solução realista".

Depois de ler este excerto das declarações do Sr. Ministro Luís Amado eis que fico com algumas questões que me atormentam o espírito:

1º) Que ganha Portugal com o reconhecimento do Kosovo?

2º) Se o Kosovo se tornou “um facto irreversível”, então porque motivo se recorreu a um Tribunal Internacional para se verificar a legalidade deste Reconhecimento? E se o Reconhecimento for Ilegal aos olhos deste Tribunal Internacional?

3º) Não era suposto a União Europeia ter uma Política Externa independente mesmo que vá contra os interesses dos Estados Unidos ou de outra Nação Mundial que não fizesse parte da U.E.? Se o é porque é que vai sempre de reboque ao que os U.S.A. decidem?

4º) Se o Kosovo é realmente “um facto irreversível”, então que dizer do Tibete, País Vasco, Irlanda do Norte, etc., etc? Estes “estados” tem menos Direito a serem reconhecidos que o Kosovo?

Provavelmente irei morrer sem nunca ter resposta para estas questões, mas ainda bem que tenho outras coisas na Vida que me fazem pensar que o Mundo tem algo mais para além das jogadas de bastidores da Política Internacional, ou melhor dizendo da Politica Externa dos Estados Unidos (vamos lá a chamar as coisas pelos nomes).